segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Retrospectiva Blogal - Filmes de 2014

O ano que terminou foi, sem sombra de dúvidas, o que melhor aproveitei meu tempo, entre livros, filmes, viagens, trabalho e estudo. Pude organizar melhor os filmes que queria ver, e à partir das várias indicações que recebi e críticas que li, escolhi assistir bons filmes. Alguns,acima da média, me surpreenderam e entrara para o hall dos favoritos; outros me decepcionaram ou foram medíocres. Não sou nenhum especialista em cinema, muito menos um crítico; sou apenas um apreciador da sétima arte, e talvez caminhe para ser um cinéfilo, talvez. 

A lista que se segue, portanto, é apenas uma lista pessoal (como toda e qualquer lista de 'melhores') sem nada técnico que a faça perfeita. Não vi todos os filmes que estrearam nos cinemas, vi apenas os que faziam parte do meu gosto. Posso ter perdido alguns bons, mas também me surpreendi bastante. 

São duas listas: a primeira com filmes antigos que tive a oportunidade de conhecê-los só em 2014; e a segunda com lançamentos do ano passado. Os comentários e a minha reação são baseados no que postei na rede social filmow, um site destinado a cinéfilos. 

Antigos

De Repente California - Jonah Markowitz



Apesar de ser um filme extremamente simples, sem grandes diálogos ou grandes atuações, "De Repente Califórnia" se tornou um clássico por ser cativante e pela forma, aparentemente normal, que lida com temas como a homossexualidade e o preconceito. É um filme sobre o amor com cara de vida real.

Abraços Partidos - Pedro Almodóvar



Um filme digno de folhetim. A magia das cores e das atuações se misturam e criam uma trama impossível de tirar os olhos. Só Almodóvar pra criar uma atmosfera que envolve tão bem a morte, a traição e o cinema. Penelope Cruz, como sempre à vontade nas obras desse espanhol, demonstra um total reconhecimento de si e uma segurança magnifica como Lena. O título é dos mais belos também: "Abrazos Rotos". Não havia título melhor para retratar  os contatos interrompidos pela trama da vida; a maior novela já escrita.

O beijo da mulher aranha - Hector Bábenco



Gostei muito. Boas atuações, um enredo com excelentes diálogos em um contexto triste, mas real. São Paulo na década de 80 tem um quê todo especial. O filme tem cenas muito bem sobrepostas, e é triste pensar que é quase desconhecido do público brasileiro. Quase que o nosso "Sonho de Liberdade" subdesenvolvido.  

Machuca - Andrés Wood



Encontrando as palavras certas para este filme. Diria que, através dos olhos de Gonzalo, você descobre o que a polarização extrema pode acarretar. Você percebe nos detalhes as diferenças sociais, que não existem perante uns, e que se evidenciam perante outros. 1973 é um ano emblemático para o Chile. 11 de setembro é a data mais temida pelos chilenos, que ainda hoje, sofrem com as consequências de 17 anos de uma ditadura ferrenha, assassina e brutal. "Machuca" demonstra com poesia e maestria aquele momento histórico e triste. Se você duvida da crueldade de um regime militar, é porque está fechando seus olhos para fatos. Machuca e Gonzalo; pobre e o rico; Esquerda e direita. Tá tudo ali tão evidente, e no silencioso olhar de Gonzalo você vê as injustiças sociais, o preconceito e as tão temidas diferenças. Uma aula de história com poesia.

Clube da Luta - David Fincher



Que filme louco, mas uma loucura boa daquelas que nos orgulhamos. O enredo é tão frenético e se transforma conforme o protagonista vai se desenvolvendo. Uma ótima atuação do Pitt e da sempre excêntrica e deslumbrante Helena Bonham Carter.

Abril Despedaçado - Walter Salles


Uma poesia no sertão brasileiro. Um filme cheio de tradições e simplicidades. Ressalta a brasilidade, e costumes sertanejos dos séculos anteriores.Uma fotografia linda e atuações ( Santoro me surpreendeu ) ótimas, Um dos melhores nacionais que já vi.

As Horas - Stephen Daldry



Que obra-prima. Não esperava menos de um filme com três atrizes deslumbrantes como Nicole Kidman, Meryl Streep e Julianne Moore. Você se envolve na poesia das personagens e no clima melancólico que assombra cada cena que, quando percebe, já está emocionado. Que emblemática foi a vida de Virginia Woolf, uma gigante da literatura mundial, que escolheu o seu próprio destino na luta contra a depressão. Um dos filmes que mais me emocionou e não consigo ainda definir meu último sentimento quando o terminei. Também não posso dizer quem atuou melhor, mas Julianne Moore se superou. Trilha sonora e fotografia também fizeram bonito e merecem destaque. Um dos melhores que vi esse ano!
"A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata."

Sociedade dos Poetas Mortos - Peter Weir



Que filme mágico. Ainda tenho lágrimas nos olhos que descrevem melhor a sensação de ver este clássico. Um filme, que entre tantas morais, nos faz refletir sobre a educação e seus métodos. É uma poesia cinematográfica; Robin Williams me surpreendeu. Nunca espero muito dele, e poxa, ele foi incrível. O poder da arte ( seja na poesia, no teatro ou na música ) é incitado em cada um dos jovens retratados. E, quem nunca sonhou em ser "artista"? Carpe Diem.
"A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero." Henry Thoreau



LANÇAMENTOS


Hoje eu quero voltar sozinho - Daniel Ribeiro



"Hoje eu quero voltar sozinho" é um filme com uma beleza tão singela e terna, que é difícil não sair do cinema meio que apaixonado pelo longa. Se o curta já foi capaz de seduzir milhares de pessoas (diga-se de passagem que conheço vário estrangeiros que o conhece ), o longa vai apaixonar. A relação do primeiro amor, vista sem malícia. Como é se apaixonar sem a troca de olhares? A inocência e a independência. O filme só peca com alguns espaços vazios e diálogos desnecessários, mas complementa esses erros com uma trilha sonora incrível e atuações ótimas. Pra um filme alternativo e de pouca "grana", é um sucesso o que esse filme pode fazer. Sem preconceitos e com amor, isso eu diria pra quem vá assisti-lo.

Garota Exemplar - David Fincher



Um dos grandes filmes do ano, triste por não tê-lo visto nos cinemas, mas me reservou uma dose de apreensão e de suspense que fazia tempo não sentia. O grande mérito é do livro, porém o roteiro está incrível.
Ótimas atuações e uma boa atmosfera de suspense. Favoritado.

O lobo atrás da Porta - Fernando Coimbra



Filmaço, com uma atuação de Leandra Leal incrível. O filme vai do comum ( conjugal ) ao incomum (psicológico). Você não sabe bem quem é vítima e quem é o culpado. Provando mais uma vez que o cinema nacional é ótimo!

O Grande Hotel Budapeste - Wes Anderson



É um filme totalmente artístico com uma fotografia e poesia incrível. É tudo muito visual e até o roteiro se torna assim. As atitudes, que parecem muitas vezes infantis, das personagens são irônicas e criticam um sistema de governo que viria a se instalar naquela Europa oriental nos fatídicos anos de 1939-1945. A relação que o autor, Stefan Zweig, teve com o Brasil também é de se destacar. Ele foi o criador do ensaio Brasil: País do futuro e via na nossa nação um contraste com o que propunha Hitler: a purificação das raças. Brasil: um país onde as raças se misturam e, ao menos sob a visão de Zweig, vivem harmoniosamente. Um filme ao estilo do seu diretor. Muito Bom.

Boyhood - Richard Linklater



Boyhood é uma obra-prima contemporânea da vida cotidiana. É como muito bem define a mãe de Mason: "A vida é uma série de momentos", e realmente é. O que nos difere é como vamos passar por essas tapas; quase impossíveis de pular. Como também é definido no final: "o momento que nos curte". Acredito que Boyhood retrata muito bem o que é a rotina e a vida de milhões de pessoas por aí. É a arte no comum. Trilha sonora incrível; também é muito bom perceber traços do nosso próprio amadurecimento nas personagens. Um dos grandes filmes de 2014.

Interestelar - Christopher Nolan



Um longa é surpreendente. Eu não o esperava, não estava ansioso por ele e o assisti como um simples admirador de Christopher Nolan, o diretor. Eu também sou apaixonado pelo universo e seus temas, então, de certa forma "Interestelar" me evocava, assim como um buraco negro faz no cosmos. As quase três horas que passei no cinema foram intensas e uma experiência única. Experienciar o filme e as suas "teorias" é além do que o cinema comum produz. Poucos filmes penetram desta forma na nossa mente, transcendendo o "assistir", passando a uma verdadeira experiência da arte. As imagens, a trilha sonora e o tom Kubrickiano de Interestelar é o seu grande mérito, e em um ano em que poucos filmes brilharam, longe das estrelas, Nolan e seu elenco criou um clássico, que como 2001, vai ultrapassar gerações. Mera opinião de um fã.

Her (Ela) - Spike Jonze



Muito bom. Terno, fofo e com uma poesia brilhante no decorrer das cenas. Quando me contaram sobre o filme cheguei até a rir. Achei ridícula a ideia de amor entre uma pessoa e um sistema operacional, mas foi uma surpresa ver como tudo se desenrolou bem e que o sentimento realmente existiu. É pra deixar de duvidar de que, no amor, tudo é possível. Uma necessidade de um solitário que se transforma em um amor puro. Linda trilha sonora e fotografia. Crítico e inteligente, um bom filme pra te fazer chorar (se você é sensível assim como eu ). Assistir "Her" foi, com certeza, a melhor experiência cinematográfica de 2014. Para mim, é claro.



quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Retrospectiva Blogal - Trilha Sonora de 2014

Os vários momentos da vida merecem uma bela trilha sonora. Aquele momento em que tudo pára e apenas a melodia de uma canção ressoa na nossa mente; abraços de partida; vivências únicas; experiências inesquecíveis. 2014 foi um ano com bons momentos e, quase sempre, uma música ressoava como um eco retumbante na minha cabeça, registrando cada espaço do tempo e marcando uma trilha sonora eterna na minha vida. 

Canções me lembram momentos, saudades trilhadas por canções. Este ano eu me maravilhei com a Bossa Nova, sua beleza singela e seu batuque único. Nunca fui de dar muita atenção para a MPB e para os, considerados, clássicos nacionais. O primeiro a "me conquistar" foi Tom Jobim e seu piano certeiro, que toca os corações. "Porque desafinados também têm coração". Eu, como um desafinado, vi nas interpretações de Jobim uma brasilidade patriótica recentemente aflorada em mim. Através de Jobim, descobri Elis Regina, João Gilberto, Chico Buarque e Caetano Veloso. Vozes únicas que cantavam as nossas lamúrias. "País tropical sofrendo a doença crônica da má política". A Bossa Nova trilhou a morte dos nossos heróis e o renascimento da liberdade.

Também descobri na música o meu lado etéreo; encontrei nos leves sons do piano, violino, violoncelo e harpas, um sentimento de plenitude sem igual. Descobri a trilha das estrelas e dos afogados.

Ah, e também redescobri as trilhas de viagens, as que marcaram os momentos pela estrada, na busca por um destino sem endereço.

Nas vozes trajantes, nos toques sensíveis e nas letras utópicas, o meu caminho trilhou as linhas de letras universais, que além do mar, do deserto e das solitárias estradas escreveram mais um capítulo no livro da minha vida. Eis à seguir algumas dessas canções que foram minha trilha sonora em 2014:

Pra dizer que não falei das Flores - Geraldo Vandré
Mercury - Sleeping at Last
All of the Stars - Ed Sheeran
Sete Vidas - Pitty
Broken - Jake Bugg
Vaga-lumes Cegos - Cícero
Push the Button - Amy Lee
Chão de Giz - Zé Ramalho
Doy un paso atrás - Samo
Chega de Saudade - João Gilberto
Vento no Litoral - Legião Urbana

Dare - Shakira



Violin - Amos Lee


Heroes - David Bowie


Varüd - Sigúr Rós



Wait - M83


Society - Eddie Vedder


Quero ser Feliz Também - Natiruts




Construção - Chico Buarque

Demorei muito para descobrir a existência da música de Chico Buarque. Já disse no texto do início da postagem que este ano eu descobri a bossa nova e sua intensidade. Chico foi uma grande descoberta que chegou para ilustrar um momento histórico do Brasil: as eleições de 2014. Não foi fácil viver neste ano em que o país se polarizou e os nervos ficaram à flor da pele. Muita ignorância foi compartilhada e muita mentira contada de ambos os lados. Nunca devemos ignorar a história, e Chico tão bem fez a trilha sonora de anos de amargura que o Brasil e a América Latina viveram, que sua obra até hoje é muito atual. "Construção" é só mais uma obra-prima deste poeta brasileiro que tanto disse e tanto vai dizer.

"Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir 
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir 

Por me deixar respirar, por me deixar existir, 

Deus lhe pague"




Lockdown - Amy Lee ft Dave Eggar

Não é segredo pra ninguém que eu sou fã de carteirinha da Amy Lee e do Evanescence. Este 2014 foi um ano iluminado para ela, já que a cantora teve a graça de ter o seu primeiro filho, Jack Lion. Além de ser mãe, Amy ajudou na trilha sonora do filme "War Story", que narra a história de uma fotógrafa assombrada pela guerra. Amy, em parceria com o violoncelista  Dave Eggar, produziu então "Aftermath": o primeiro trabalho solo de Amy Lee. "Lockdown" é a música que representa o CD, e apesar de não ser a melhor música do álbum, que teve uma boa receptividade pela crítica, é a que me lembra mais o Evanescence, portanto, se tornou minha favorita. Lockdown é uma das músicas do ano, o ano da Amy.

'Posso sentir você me chamando
Eu consigo saborear o veneno em seu coração
Mas estes sonhos
Mancham a linha entre a guerra e a paz
Para sobreviver, eu me bloqueio"


Saturn - Sleeping at Last

A música de 2014 quase não tem letra, mas diz muito nos seus silêncios. É etérea, envolvente, triste, melancólica, esperançosa e romântica. É tudo que eu espero em uma canção. Ela foi trilha em vários momentos deste ano, em um especial, marcante na minha vida: quando no Atacama, fiz um tour astronômico e vi Saturno "mais de perto". Toda a discografia (me apresentada e presenteada por um grande amigo) do Sleeping at Last é única e marcou minha trilha sonora de 2014; essa canção  da banda representa todas as outras, que falam do universo e da plenitude como poucas. Ela me lembra pessoas, momentos e lugares. Tenho toda a certeza do mundo e do universo que é uma das minhas trilhas até o fim da vida. Saturn é incrível.

"Com falta de ar eu explicarei o infinito
Quão raro e belo é realmente existirmos"








segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

#Retrospectiva Blogal - 2014 - um ano de momentos

Após uma longa pausa de postagens, retomo com esta a série de publicações de fim de ano que já é comum no "Universo em Expansão".

O ano de 2014 foi um ano de vários momentos especiais na minha vida. Não foi um ano de tantas aventuras como 2013, mas me reservou boas viagens, aprendizados, vitórias e conquistas para toda a vida.

Comecei o ano com uma viagem incrível ao Rio de Janeiro. Fomos eu, Rocko, Devon e Iván durante o carnaval, e por 20 dias aproveitamos as praias e as belezas cariocas e fluminenses. Fizemos trilha em Ilha Grande e aproveitamos o calor tropical da selva para nos aproximar da natureza. Aprendi, tardiamente, a nadar (não muito bem ainda, talvez eu já tenha até me esquecido) e fizemos um mergulho na Lagoa Azul e na Ilha de Botinas, entre Angra e Ilha Grande. Mergulhamos com os peixes em um mar azul intenso e foi incrível. Acampei pela primeira vez (uma experiência que para mim não foi muito agradável) e pude conhecer algumas das praias que são minhas favoritas: Lopes Mendes, Praia Preta e Praia Vermelha. Acompanhei o carnaval do Rio no sambódromo; me entusiasmei com uma cidade extremamente brasileira. Entre as frutas e o açaí, conheci o Cristo Redentor, Pão de Açúcar e a incrível Biblioteca Nacional. Me reaproximei da cultura brasileira e dos contornos exóticos do nosso país. 

Rocko, Eu, Devon e Iván na Escadaria de Selaron no Rio


Botinas, em Ilha Grande

Após os incríveis dias no Rio voltei para minha realidade de pé vermelho e meu foco mudou para a faculdade. Foi meu último ano na graduação e me empenhei no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Sempre quis escrever um livro-reportagem e as experiências do meu intercâmbio no Chile ainda eram tão intensas que resolvi transformá-las e eternizá-las no que seria o meu orgulho maior deste ano tão importante. O "Por Detrás da Cordilheira" é um livro-reportagem-viagem de crônicas que conta com 16 textos que narram, de forma descritiva, a minha percepção como estudante de jornalismo e minha experiência em Santiago do Chile. Entre textos sobre o idioma, educação, poesia e política, nas 110 páginas do livro, busquei eternizar diversos momentos que são inesquecíveis na minha vida acadêmica e pessoal. No dia 01 de dezembro apresentei o meu trabalho e, apesar do nervosismo, me consagrei com um 10 que, aquém das modéstias, foi merecido.

Capa do meu livro e produto do meu TCC

A saudade foi uma palavra constante neste ano, pois estive longe de amigos e pessoas que aprendi a amar, mas que ficaram do lado de lá da cordilheira. Em agosto tive a oportunidade de voltar para Santiago, e matar um pouquinho da saudade daquele país e de quem por lá ficou. Vivi novas aventuras, revivi momentos e tive a certeza de que o Chile entrou pra ficar na minha vida. Viajei um pouco mais e conheci La Serena e o famoso Valle Del Elqui e vivi um momento único nas montanhas, sob um céu extremamente estrelado e inspirador. Fiz trilha de bicicleta e caminhei pela areia fria da praia nostálgica de La Serena. 

Além das viagens e dos momentos marcante, tive a oportunidade de conhecer algumas pessoas que, tenho certeza, ficarão para sempre na minha vida. Não vou citá-las aqui, mas são amigos da Livrarias Curitiba, que tanta alegria me proporcionou (especialmente na lendária Clip e na nossa viagem juntos à Curitiba). Com toda certeza o melhor lugar em que já trabalhei. Amigos ficaram e se fortificaram no meu coração. Tive a oportunidade de fazer parte de um novo grupo na faculdade, e o agradeço por me acolherem. Alguns amigos se foram, deixando algumas amarguras e saudades, mas o importante é que vivi vários momentos inesquecíveis com eles.

Apenas alguns, dos melhores colegas de trabalho na Livrarias Curitiba


Para finalizar, 2014 foi um ano de muita leitura, conhecimento e amor. Neste ano que está acabando, apaixonei-me pela escrita de Gabriel García Márquez, o eterno Gabo e seus quase Cem anos de Solidão; conheci a narrativa pontual de Haruki Murakami e sua ficção com cara de realidade; me reaproximei da literatura brasileira com Lygia Fagundes Telles, Amyr Klink e Rubem Alves; fui além da realidade com Stephen King, Tolkien, Poe e muito terror e fantasia. 

Tive uma trilha sonora de bossa nova, com Caetano, Chico Buarque, Cícero, Tiago Iorc, Elis Regina e os memoráveis Tom Jobim e João Gilberto. Descobri uma música mais etérea com Sleeping at Last e Sigúr Rós. Passei pelo violão de Amous Lee, pela guitarra de Eddie Vedder e pelas melodias do Radiohead. Continuei a ouvir Amy Lee, me emocionando com o nascimento do primogênito Jack Lion. 

Eddie Vedder e Pearl Jam, uma das principais trilhas de 2014


Fui muito ao cinema, mas tive poucas surpresas. Interestelar, Her e o Grande Hotel Budapeste foram de tirar o folego. O Hobbit e A Culpa é das Estrelas nem tanto. Adorei o salto contra o preconceito do Hoje eu quero voltar Sozinho e aproveitei para conhecer e ver filmes antigos que não tive oportunidade de ver.

O ano termina com uma lição incrível: viva o momento; não antecipe o futuro. Aprendi a esperar e ser mais forte. Fui mais responsável e decifrei as várias etapas deste ano tão marcante e incrível que termina com um sabor de nostalgia e um gostinho de quero mais. Que 2015 seja mais ainda do que foi 2014. À partir desta postagem, começo minha retrospectiva blogal. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

200 mil Visitas

Gostaria de agradecer aos meus visitantes, sejam eles conhecidos ou não, pelas 200 mil visitas que o Blog "Universo em Expansão" já recebeu nestes 4 anos de existência. Não é lá muitas visitas, até porque as postagens por aqui não costumam ter uma frequência e acontecem de acordo com as minhas vontades ( poder hehe ), mas é um número expressivo para uma página que não tem tantas pretensões. 




Entre poesias, músicas, cinema, literatura e desabafos, este meio tem sido uma forma de me expressar, de falar o que sinto e o que senti, e também de compartilhar meus gostos e impressões. É uma maneira muito interessante de escape e com toda a certeza um meio importantíssimo para exercer minhas ganas de um futuro ( muito em breve ) jornalista.

Espero que meu Universo continue a se expandir mais e mais, e que eu possa compartilhar mais viagens, experiências, gostos e impressões deste mundo tão grande que nos desafia a ser descoberto.

Obrigado pela Visita e volte sempre.

Wilton Black

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Nosferatu: O terror moderno nos moldes antigos

No mês passado tive o prazer de ler o novo lançamento de Joe Hill no Brasil, o thriller "Nosferatu".  O livro tem pouco mais de 600 páginas e foi publicado pela editora Arqueiro. 



Para quem não sabe, Joe Hill é filho do mestre do horror moderno Stephen King. A iniciativa de não utilizar o sobrenome do pai é uma estratégia para que não haja uma comparação entre ambos, porém, isso se torna quase impossível com a leitura de "Nosferatu", um livro cheio de referências culturais e com um bom humor e uma linguagem que lembra muito os romances de Stephen King.



Sinopse: 

" Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. 

Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. 

E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie. 

Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. 

Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror."

 
Opinião:

Já li todos os livros publicados por Hill no Brasil, inclusive um conto ( ainda não traduzido ) que o escritor fez com seu pai, chamado " In the Tall Grass", e Nosferatu se tornou  meu livro favorito de Joe.

Quando afirmei que é quase impossível não compará-lo com King, não me referia quanto à qualidade literária de ambos. Cada um dos dois, apesar de escrevem o mesmo gênero, possui suas características e influências. Enquanto King tem um texto mais denso e focado em características psicológicas dos seus personagens, Hill possui uma narrativa  rápida, na qual os fatos se explicam no contexto apresentado. King possui referências mais clássicas como Lovecraft, Poe, Shelley, e também séries e filmes que fizeram parte de sua infância. Hill é influenciado pela cultura moderna e por seu próprio pai.

 Quanto ao livro em questão, é possível perceber um traço marcante na narrativa do autor. Ele prefere optar por personagens antipáticos, que não fazem o estilo "bom mocinho". Vic, a protagonista desta história, é assim. Apesar de possuir um dom muito especial, a garota é problemática e tida como uma má filha. Após uma adolescência traumática e perturbada, ela se torna uma adulta depressiva e uma mãe medíocre.  



O título nos remete ao clássico vampiresco do cinema, Nosferatu, mas o livro é uma adaptação moderna do que seria um "vampiro". Charlie Manx possui poderes psíquicos que estão relacionados ao seu carro ( NOS4A2 - Placa do rolls-roice que dá título ao livro em inglês ). Esse poder o permite viajar por dimensões, e uma delas é a "Terra do Natal" onde sempre é Natal. Charlie para lá leva suas crianças que, muitas vezes, são maltratadas por seus pais na nossa dimensão. Para Manx o que ele faz ( sequestrar, possuir e fazer com que elas matem os pais ) é na verdade um bem para elas. O caminho dos dois se cruzam , quando o dom de Vic a faz chegar até Manx.



Não vou falar muito mais do enredo, porque minha intenção é que você leia, mas não resta dúvidas de que Joe Hill se transforma em um dos maiores escritores de terror do nosso tempo. Sua narrativa rápida, descritiva e cheia de referências culturais fazem com que suas história prendam o leitor até o final e as reviravoltas que ele constrói o deixam muito longe do óbvio e dos finais clichês, que rondam a literatura dos dias de hoje.

Indico então a leitura de Nosferatu que é um dos melhores lançamentos do ano. Além deste livro, Joe Hill lançou " A Estrada da Note", "Fantasmas do Século XX" e " O Pacto", além de alguns contos em revistas americanas.