terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mochilão Parte 2



 Apesar da demora em escrever essa segunda parte da minha aventura, estou aqui para isso. Nesse texto vou falar sobre Arequipa e Cuzco. Bora lá?

Retomando as rédeas. Tínhamos parado em Arequipa, a cidade dos vulcões.
 Logo quando íamos chegando, de longe já avistávamos o majestoso " Misti". Conhecido como o "Senhor", é um dos três vulcões guardiões de Arequipa,  e o mais chamativo por seu formato de cone. O "Misti" tem relatos de cinco erupções no século XIX, sendo a última em 1870.

Nosso grupo quase completo, e o imponente Misti ao fundo


 Arequipa é segunda maior cidade do Peru. Com seus quase 2 milhões de habitantes, está localizada no meio de um oásis em um vale de montanhas desérticas e é uma referência cultural e histórica do país, recebendo turistas durante todo o ano. 
Um fato sobre o Peru: Se prepare para um país diferente. Você encontrará nas ruas, em um primeiro momento, uma confusão de carros, pedestres e até mesmo animais, mas que para os peruanos faz muito sentido. O país preserva muito bem a sua cultura indígena, tanto que muitos dos nativos ainda falam línguas ancestrais como o quíchua. A cor de pele e os olhos mestiços também evidenciam essa característica marcante.

Enquanto caminhava por Arequipa e conhecia um pouco mais do povo peruano, pude perceber que a população é muito acolhedora. Mesmo com o seu tom tímido, mas que se permite vencer com um sorriso ou um "Gracias", eles fazem de tudo para nos sentirmos em casa. O país é um dos mais encantadores da América Latina,  justamente por sua genuinidade, graciosidade e a suas lindas paisagens que vão desde o deserto até a Amazônia. Machu Piccho é só um bis para os amantes de aventura. 

Nas ruas da segunda maior cidade do Peru, você poderá conhecer a gastronomia e artesanato da população, além da diversidade cultural. O espanhol se mistura com as línguas indígenas; os peruanos e o seu traje típico e colorido; as fotos com as lhamas e o famoso "helado de queso" ( sorvete de queijo) são algumas das atrações da cidade. 

Praça de Armas - Arequipa


Em Arequipa ficamos por dois dias. Nosso albergue era simples. Por sorte o chuveiro esquentava, às vezes, e não tinha internet.. Ele nos custou 17 reais pela noite, e a dona foi muito gentil nos permitindo guardar nossas mochilas enquanto percorríamos.

O albergue em Arequipa


Na cidade vigiada pelos vulcões, fizemos um tour que nos saiu a bagatela de R$7,00. O valor correto era R$30,00, porém, como entramos depois e éramos um grupo de dez, encontramos um homem na rua que nos colocou no ônibus junto a turistas de vários países, por esse preço. 

A peruana oferecia seu pássaro para uma foto, em troca de moedas


Visitamos a famosa "Plaza de Armas" e a sua magnífica catedral, além de uma empresa que faz roupa com a pele de Lhamas. O Yanahuara, uma espécie de charmoso portal que leva inscrito versos de poetas foi meu local favorito. Neste lugar é possível avistar perfeitamente o vale dos vulcões e uma bela extensão verde de Arequipa. O tour valeu muito a pena, porém tivemos que deixá-lo na metade, pois precisávamos partir. 

Poesia no Mural


Os três guardiões e a cidade de Arequipa ficava pra trás, e a famosa Cuzco, o umbigo do mundo, era nosso próximo destino.

Outro fato sobre a nossa viagem: Sempre procurávamos sair de madrugada para economizar estadia. Como já mencionei, optávamos sempre pelo mais barato, portanto os ônibus não eram confortáveis. Muitas pessoas viajavam em pé durante o percorrido, por sorte, não foi o nosso caso.

Ansiosos, mas cansados,  partimos para a antiga capital do império Inca ainda de noite. Essa viagem ficou marcada na minha memória, pois além de pouco dormir, aconteceu um fato que me deixou triste. 

O ônibus levava poucas pessoas. Além de nós, cerca de quatro peruanos e dois alemães que viviam no Peru. A viagem para Cuzco durou  oito horas, e apesar de viajarmos de noite, era possível perceber a péssima condição das estradas e o frio intenso que fazia lá fora. 

Nosso grupo era bem animado. Os chilenos adoram falar e fazer festa, assim como brasileiros, e em vários momento durante a viagem fizemos brincadeiras, cantamos e eles contaram piadas. O clima só ficou pesado, quando em uma parada, o nosso motorista ( que insistiu em colocar um péssimo filme para assistimos ) esqueceu uma das passageiras. A pobre senhora peruana viajava sozinha e desceu correndo para ir ao banheiro quando o veículo parou em um lugar ermo e isolado da estrada. Eu estava dormindo, mas acordei quando meus amigos se perguntavam: " Donde está la señora? Que pasó?". Avisamos o condutor, porém, ele resolveu não voltar para buscá-la, pois " Es muy peligroso volver ahora". Imaginei-me naquela situação: No meio do nada, no escuro, sem dinheiro, frio e sem saber onde estava. Não consegui dormir até chegar a Cuzco.

Minha primeira impressão da cidade não foi muito boa. Talvez por ter sido capital de um império, eu imaginava uma cidade com palácios e ruas majestosas. Mas Cuzco é apenas mais uma cidade em um primeiro momento. Localizada no meio de um vale e rodeada de morros, de longe, as casinhas se parecem até com uma favela, empilhadas umas nas outras no meio das montanhas. Mas, é só se aproximar para perceber o charme dos becos e construções. 


















Logo na rodoviária já fomos muito assediados pelos taxistas e donos de albergues, que chegam a brigar por um cliente. Cada um oferecia um preço e um benefício que o outro não tinha. O valor diminuía muito, e o que já era barato ficava até engraçado. No final optamos por uma senhora que nos ofereceu um valor de R$12,00/pessoa. Ao chegarmos ao local, nos decepcionamos. Teríamos que compartilhar o quarto com outros estrangeiros, e desde o início nós sempre buscávamos ficar juntos. Resolvemos procurar outro lugar, até que encontramos um muito bom, pelo preço de R$14,00/pessoa. O " El Artesano", oferecia banho quente, internet, cozinha além de um porteiro muito simpático que muito nos ajudou.

Um pouco sobre Cuzco ( ou Cusco ): É uma cidade situada no Vale Sagrado dos Incas na região da cordilheira dos Andes. A população é de 300 mil habitantes, e está em uma altitude de 3.400 metros, fato que explica o motivo de nos cansarmos tão rápido ao caminhar pelas ruas da cidade.
O local era a conhecida capital do Império Inca, pra quem não sabe,  foi uma civilização que envolvia culturas pré-colombianas que existiu de 1.200 até a colonização espanhola. Com mais de 700 línguas e abrangendo regiões de Chile, Equador, Peru, Bolívia, Argentina e Colômbia, o Império deixou enormes riquezas arqueológicas e culturais para os países onde existiu.

Caminhar pelas ruas da cidade era um pouco complicado pelo fato do cansaço ser rápido. Não estamos acostumados com altitude,  portanto é bom se prevenir. Os nativos sugerem mastigar a folha da CoCa, que no Peru é liberada, porém eu não necessitei. Apenas tomei um comprimido que custa R$5,00 em qualquer farmácia. É só explicar o motivo que eles sabem qual é.

Durante o dia conhecemos o mercado municipal, no qual tomei um gostoso suco de laranja. O lugar me deixou um pouco receoso para almoçar, já que a carne fica bem exposta, e digamos que não é muito higiênico. Almoçamos frango com batata frita, uma especialidade peruana. Depois que voltamos pro Chile, queríamos passar longe desse prato de tanto que comemos. As refeições variam de absurdos três reais até quinze, vinte, depende do lugar.

Comer no Peru exige um pouco de atenção. A comida é ótima, porém para escolher um restaurante é necessário prestar atenção na forma como eles fazem. Às vezes compensa pagar um pouco mais e evitar uma indigestão. Um fato curioso é que em alguns lugares eles servem o suco quente. Quando eu digo quente, é quente mesmo, fervendo. Segundo uma moradora “é pra espantar o frio”. Vai saber, rs.

A noite em Cuzco é maravilhosa. A agitação noturna dos turistas caminhando pelos becos históricos da cidade; a música típica misturada com as cores dos cachecóis e gorros andinos vendidos pelas lojas e calçadas; a população que te convida a conhecer seu artesanato; e a encantadora "Plaza de Armas" ( toda cidade tem uma por lá ) fazem com que você se apaixone por esse lugar.



Cuzco en la Noche


Em Cuzco aproveitei também pra comprar vários presentinhos. Os valores são melhores em Puno, minha outra parada, porém no " umbigo do mundo" encontrei chaveiros, camisetas, gorrinhos e artigos para presentes. Os valores variam, mas todos barato. Uma camiseta custava em torno de R$6,00, enquanto um chaveiro você pagava três por R$4,00. Vale a pena levar uma recordação.

Depois de andarmos, tirarmos muitas fotos e conhecermos bastante dessa cidade, fomos comprar nossas entradas para Machu Piccho. Antes de tudo, pedimos informações para a polícia peruana. Eles não nos ajudaram muito, mas foram simpáticos.

Na praça de Cuzco, onde fica a bela catedral, é possível encontrar diversas agências que fazem a excursão. Você deve pesquisar preços e ver o que melhor se encaixa no seu bolso. Nós optamos por um pacote que incluía transporte, estadia, jantar e café da manhã ( em Águas Calientes ), guia e a entrada para Machu.  Nosso ingresso com tudo incluso ficou no valor de U$$105,00, em torno de R$230,00. Foi o pacote mais caro da nossa viagem, mas valeu a pena. 



A foto antes da saída pra Machu Piccho

As visitas à cidade perdida estão restritas a certo número de pessoas por dia, desde que se descobriu que o local está cedendo a cada ano, devido ao grande número de visitantes. Machu Piccho foi escolhida como uma das novas sete maravilhas do mundo moderno, e se transformou em um polo turístico. Negociamos com o dono da agência, agendamos para o outro dia nossa partida e ficamos e faltava nos preparar.

Passagens compradas para Machu Piccho, devíamos descansar e curtir um pouco mais de Cuzco. Partimos cedo no dia seguinte para a aventura mais esperada de todas, mas isso fica pro próximo post.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Mochilão Chile - Peru - Bolivia - 1ª Parte



 Como tem muita coisa para contar do mochilão e eu gostaria de dar detalhes, resolvi dividir os textos em três partes. Na primeira, contar como foi a partida até chegar na cidade de Arequipa. Na segunda parte: Arequipa - Cuzco - Macho Picchu. E na terceira: Puno - Bolívia e o retorno para a casa. Aqui vai a primeira da minha aventura.




Nós partimos para a cidade de Arica na noite do dia 20 de julho deste ano. Éramos um grupo de dez pessoas, no qual eu era o único brasileiro. O restante eram chilenos. Nosso bando incluía uma linda criança de oito anos. O que no principio parecia impossível para ela, foi uma grande surpresa, pois além de fazer todo o caminho até Macho Picchu bravamente, foi uma das poucas que não sentiu a força da altitude.

Agora voltando ao nosso roteiro de mochilão. Saímos de Santiago na madrugada do dia 20 para o dia 21 de Julho. 

Arica é uma cidade que faz fronteira com o Peru e ponto de partida para grupos de mochileiros que pretendem desvendar aquelas terras. Antigamente a região foi domínio peruano, mas depois da famosa Guerra do Pacifico passou à administração chilena. Apesar de estar em território do Chile, você já se sente no Peru, pois a população é mesclada e a forte influência peruana  na cidade é notável. Arica é uma cidade litorânea e possui um porto, mas, apesar de ser o destino do nosso avião, não era nossa intenção em um primeiro momento conhecê-la.

Falando em intenções, vou descrever brevemente qual seria nossa possível rota.
Planejamos pegar um avião de Santiago a Arica, com duração de três horas. Em Arica teríamos que partir logo no inicio para o Peru, mas especificamente para a cidade de Tacna. Por sua vez, Tacna não seria um lugar a se conhecer, já que não oferece muitos pontos turísticos. Nossa intenção era ir diretamente para a cidade de Puno, que fica como oito horas do local. De Puno seguir para Cuzco e aí montar nossa rota para Macho Picchu. Depois de Macho Picchu voltaríamos para Cuzco e depois Puno, mas somente para pegar um ônibus e irmos para a Bolívia, já que a cidade é fronteiriça. Ufa, quanta coisa, hehe.

Nesse mapa, é possível verificar nossa rota


Na Bolívia seguiríamos para Copacabana ( não é a praia carioca ). Lá conheceríamos a Ilha do Sol, para então voltarmos a Puno, novamente Tacna, e finalizando em Arica. Nosso voo de retorno estava marcado para o dia 31 de julho. Parece complicado, mas é uma das rotas mais feitas para quem deseja conhecer Macho Picchu e Ilha do Sol partindo do Chile.

É claro que isso era o nosso planejado, mas uma coisa que não se deve esquecer quando se faz um mochilão, é: Nem tudo dá certo. Sim, tivemos que alterar nossa rota e mudar algumas coisas, mas nada que alterasse o nosso plano original de conhecer Macho Picchu e Bolívia. 

Chegamos em Arica as três e meia da manhã. Não existiam ônibus partindo para o Peru nesse horário, portanto, tivemos que esperar até as 8hrs, quando tudo começaria a funcionar. Nossa aventura começou nesse momento, quando decidimos dormir no aeroporto. Colocamos as mochilas no chão, pegamos nossas mantas e “descansamos” o tempo que a madrugada nos reservara.  A opção “pagar um hotel” era impensável, já que estavamos em regime de economia. Eu não consegui dormir. Apenas fechei os olhos para enganar o meu corpo. Quando o sol surgiu pegamos um taxi até o terminal de ônibus de Arica. 

Dormir no aeroporto foi um sacrifício pelas economias


O terminal é um pouco confuso, portanto deve-se tomar cuidado e colocar bastante atenção. Você tem duas opções. Ou você pega um taxi que te deixa no Peru por um preço um pouco maior ( Cerca de R$20,00 ) ou você vai de ônibus. Só não espere conforto, pois os ônibus são simples e às vezes não muito seguros. O ônibus nos custou R$10,00 por pessoa. Importante é não se esquecer dos documentos que a aduana pede. Você deve estar com sua identidade ou passaporte disponível.
Agora descrevendo um pouco da paisagem que a fronteira entre Chile e Peru proporciona. A região é desértica. Você se sentirá em um filme naquelas estradas estreitas e aquela paisagem de areia sem fim. Não deixa de ter seu encanto. O ar também é muito seco.

Estrada. Chegado no Peru
 A viagem de Arica a Tacna dura em torno de 2 horas com a passagem nas aduanas do Peru e do Chile. 

Uma dica muito importante é sobre a língua. O espanhol não é uma língua tão fácil quanto imaginam os brasileiros. Você pode se enrolar facilmente. Tente ir pro seu mochilão preparado, nem que for com um dicionário. O inglês ajuda muito na comunicação com estrangeiros de todo o mundo, mas os peruanos geralmente não falam inglês. O espanhol deles é um das melhores da América do Sul, mas como a população tem uma forte influência indígena, boa parte deles fala o quéchua, que é a antiga língua inca. Alguns falam mais quéchua que espanhol, então complica um pouco na comunicação, até mesmo pra um hispânico nativo.

Falando em Peru, vou passar algumas informações sobre o país:

O Vermelho é estandarte inca e o branco a paz - Bandeira do Peru
 
   O Peru é um país localizado na América do Sul e tem uma população de 28 milhões de pessoas, que possuem uma forte influência indígena e europeia. A sua capital é Lima, e entre as principais cidades estão Arequipa e Cuzco. O Peru se tornou um importante polo turístico depois da descoberta da lendária cidade inca de Macho Picchu.
Entre a cordilheira dos Andes e uma densa selva, o norte-americano Hiram Bingham quem, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, redescobriu e apresentou ao mundo Machu Picchu em 24 de julho de 1911. Desde então, o local recebe visitas todos os anos e é considerado patrimonial mundial pela UNESCO.
Além de ser berço de uma das mais importantes impérios no mundo, os Incas, o Peru encanta por sua diversidade e belezas naturais, que vão desde o Deserto de Nazca e as imponentes montanhas dos Andes até a floresta Amazônica. 

Voltando... Chegando em Tacna ficamos um pouco assustados. Estar em um outro país é respeitar as suas diferenças, o seu povo, e a sua cultura. O Peru é um lugar bem diferente do que estamos acostumados. O trânsito tem a sua própria lógica ( caótica seria a palavra para os brasileiros ), e você encontrará a influência indígena em todos os lados, desde a comida até a artesania.

Já na fronteira Chile - Peru, apesar do calor do deserto, o vento deixava tudo frio


 Em Tacna fomos logo advertidos por um policial. “ Vocês vão tomar cuidado para não serem assaltados”. É óbvio que ficamos com mais medo depois disso. Como éramos um grupo grande, e todos com mochilas e com um tom de pele diferente da população peruana, éramos facilmente notados como turistas.

A cidade seria nosso ponto de troca de moeda, portanto, tínhamos que redobrar o cuidado. Cada um de nós trocou cento e cinquenta mil pesos chilenos ( naquela época eu morava no Chile ), isso foi convertido em 800 soles ( sol é a moeda peruana ). Convertendo na data de hoje ( 04/09/2013) seriam R$696,00 ou oitocentos e vinte e sete soles. Nosso plano era economizar com comida e hospedagem, sempre procurando os lugares mais baratos e próximos do centro.

Trocamos o dinheiro e fomos buscar uma companhia de ônibus que nos levasse até a cidade de Puno. No terminal, nos sentíamos como carne fresca. Fomos assediados por todo tipo de vendedor que nos oferecia a cada vez mais barato a viagem. Nosso plano era Puno, mas fomos convencidos por um peruano a irmos a Arequipa. “ A viagem até Puno é mais complicada e perigosa. Compensa vocês irem para Arequipa, que é uma cidade linda, e depois para Cuzco, Além do mais, sai mais barato.” A viagem nos custou como R$15,000 e teve uma duração de 7 horas. Resolvemos seguir o conselho do peruanos e ir para Arequipa.

Paisagens Desérticas na fronteira entre os dois países


Como já mencionei antes, os ônibus no Peru são um pouco complicados. É claro que essa visão é comprometida pelo fato de nós sempre termos escolhido companhias baratas. Nossa opção de Tacna-Arequipa foi a empresa “Flores”, e de coração eu não a recomendo. O caminho para Arequipa é encantador. Uma beleza que misturava montanhas, selva e deserto. O problema era o ônibus que não oferecia nem um tipo de segurança e as estradas que também deixavam muito a desejar. Viajamos por precipícios, subindo montanhas e descemos. Sem contar o calor que fazia. Não tinha ar condicionado ( é óbvio que não ), e o sol era arrebatador. Apesar dos pesares e de pensarmos em vários momentos que não chegaríamos ao nosso destino, Chegamos a Arequipa, a cidade dos vulcões, e a partir de aqui, eu conto na próxima postagem, pois são muitas aventuras que seguem.

Uma foto só pra dar um gostinho de Arequipa - A cidade dos vulcões


domingo, 1 de setembro de 2013

Por que conhecer a América do Sul?


Sempre quis escrever uma aventura, bem daquelas que costumo ler, nas quais os protagonistas passam por apuros, mas no final sempre conseguem chegar ao seu destino. Uma aventura real e imprevisível. Sempre me imaginei vivendo uma  também, e confesso que tinha poucas esperanças em vivê-las de verdade. Essas vontades doidas começaram a ficar mais próximas quando parti de intercâmbio para o Chile no mês de março de 2013. Foi tudo tão diferente e “rápido”, que era impossível não pensar que já estava vivenciando minha própria e sonhada aventura. Quando tive a oportunidade de partir para outra peripécia maior ainda, não pensei duas vezes e disse sim.

Conhecer Machu Picchu é um sonho para qualquer viajante. A cidade perdida dos Incas é um lugar mágico para os aventureiros, e está localizada em um dos pontos mais lindos desse planeta. Não por menos, é uma das novas sete maravilhas do mundo moderno. 

Macho Picchu - A cidade Perdida


O Peru é um dos países que eu sempre quis conhecer e quando meu companheiro da faculdade Bastián Celis e sua família me convidaram para fazer um “mochilão” por terras peruanas e bolivianas, senti o meu sangue aventureiro pulsar mais forte nas minhas veias e uma sensação de que o mundo é pequeno. O dinheiro em um principio foi um grande problema, mas nada que reflexão e algumas contas e economias não resolvessem. 

Arequipa - Peru


Antes de começar a explicar como foram os 11 dias em que estivemos em três países diferentes, vou expressar minha opinião sobre o turismo e algo o que percebi nos últimos seis meses.

É evidente que nos últimos anos o padrão de vida do brasileiro melhorou e isso proporcionou um aumento nas viagens nacionais e internacionais. Uma pesquisa da fundação Getúlio Vargas apontou que em 2012 o número de desembarque internacionais ficaram próximos a 1 milhão de pessoas. Além de viajar mais, os gastos dos brasileiros no exterior também aumentaram. Um levantamento divulgado pelo Banco Central evidencia que, em março deste ano, os brasileiros gastaram o valor recorde de US$ 1,870 bilhão em viagens ao exterior. Os principais destinos são os Estados Unidos, Buenos Aires e Europa. 

Os brasileiros veem descobrindo o prazer em viajar, e em países como Chile e Argentina, já são o maior grupo de turistas. O fato é que, esses destinos são mais escolhidos pelo preço, proximidade e a “facilidade” com o espanhol. É claro que como o número de brasileiros viajando aumentou substancialmente nos últimos 10 anos, os principais destinos vem se preparando para nos receber melhor.
O que me deixa um pouco desconfortável é o fato de muitas pessoas verem os destinos na América do Sul com preconceito. Sim, a palavra é preconceito. Talvez seja o sonho “ americano” que ainda persiste na mente de muitas pessoas. Ou o fato de não verem potencial na nossa região, já que somos um grupo de países “em desenvolvimento”. Isso me entristece. América Latina é um dos principais destinos de turistas do mundo todo, e o que encontrei nas minhas viagens são pessoas de todo o mundo, e infelizmente um pequeno grupo latino. 

Uma parte das pessoas não tem ideia que só no nosso subcontinente temos duas maravilhas modernas ( Machu Picchu e o Cristo ), e duas maravilhas naturais ( Amazônia e Cataratas do Iguaçu ). As pessoas se “esquecem” que muito próximo do Brasil podemos contrastar as paisagens geladas da Patagônia com o deserto mais árido do mundo, o Atacama. Muita gente finge não perceber que as praias tropicais do Brasil e Colômbia são das mais procuradas no mundo, e consideradas como as mais lindas. Turistas que buscam primeiramente a boêmia das ruas de Paris e Londres, não se lembram que Buenos Aires, Rio de Janeiro e Santiago são consideradas cidades culturais e respiram esse ar nas noites movimentadas e nos seus bares noturnos. 

Cataratas do Iguaçu - Argentina - Brasil - Uma das 7 maravilhas naturais


Não preciso citar as ilhas paradisíacas, a mescla de arquitetura e culturas que é a América do Sul e o fato de termos a cordilheira dos Andes e ser o berço de uma das mais intrigantes sociedades já descobertas, os Incas.

Cordilheira dos Andes - Chile


O que me apavora não é o fato das pessoas viajarem para outros lugares além das nossas terras do hemisfério sul, pois isso na verdade é uma opção. O que me dá medo é que muitos sabem de todas essas informações e fecham os olhos com um preconceito bobo criticando nossa cultura e nossas paisagens, sem conhecê-las.

Ouvi da boca de muitas pessoas no tempo que passei fora do país, o que confirmam essa minha hipótese. Alguns exemplos: “ Chile, o que tem nesse país?” – “ Tantas outras opções e você fica aqui na América do Sul?”, ou “ O que você foi fazer na Bolívia e no Peru? Lá não tem nada.”
Essa são opiniões, que sinceramente, eu desprezo e não fazem sentido nenhum para mim. Descobri na América do Sul, sim na nossa América, que vivemos em um dos lugares mais lindos do mundo, recheado de cultura, paisagens maravilhosas, pessoas encantadoras e lugares incríveis. Descobri que não tinha melhor opção para mim do que ficar por aqui mesmo na América Latina, pois agora eu posso dizer que conheço o novo mundo, agora sim estou pronto para o “velho”. 

Ainda existem muitos lugares no Brasil e na América Latina que quero conhecer. Os seis países que conheço são quase nada quando pensamos que existe o Caribe, América Central e o México e sua infinidade de opções. O que eu quero deixar em conclusão antes do post sobre a minha aventura, é que ninguém deve criticar o que não conhece. 



Se você tiver oportunidade de primeiro conhecer a América Latina, conheça, pois não se arrependerá. Eu também tenho o sonho de conhecer a Europa e vários lugares bem longe daqui, mas minha sincera opinião é que todas as pessoas que também sentem o sangue pulsar por aventura, e que têm o desejo de conhecer o máximo de lugares que puder, devem começar pelo Brasil e seus vizinhos, pois nesses lugares você vai se apaixonar pela natureza, pela cultura e pelo prazer em viajar. 

Agora que já desabafei, vou escrever o texto do mochilão, hehe. Logo, logo publicarei, prometo.