terça-feira, 13 de agosto de 2013

Noite Santiaguina - Lugares que você não pode deixar de conhecer

Toda cidade tem a sua Bohemia e sua porção de lugares que fazem da noite um ponto turístico a mais nos seus roteiros. Como não deveria deixar de ser, Santiago, capital do Chile, é uma dessas que oferece uma diversidade de opções para turistas, estudantes e para os próprios santiaguinos. 

Nesses meses que já levo por aqui, posso dizer que conheci um pouco desses locais. O Chile tem uma agitação noturna diferenciada. Enquanto você corre as ruas da capital, você escutará idiomas diversos, ouvirá uma mescla de música latina e um pouco de cada canto do mundo ( inclusive do Brasil ) e poderá sentir um clima latino-europeu encontrado em poucos lugares do nosso continente. 

A beleza da cidade é diferenciada na noite e você pode obter uma nova versão dos velhos edifícios e da arquitetura nostálgica do lugar.

As opções de bairros mais populares são os conhecidos "Bella Vista" e "Bellas Artes". Próximos ao centro, eles tem uma infinidade de opções de pubs, karaokês, restaurantes, baladas e bares que vão dos mais caros e bem frequentados, até algo mais simples, barato e, bom, as vezes nem tão bem frequentado. Você tem opções, e isso é ótimo.

Uma opção mais cara é os bairros "Las Tarrias" e "Vitacura" ou "Providencia". Aí você encontrará lugares mais luxuosos, um ambiente mais homogêneo e  mais caro.

Minha lista persiste em lugares que visitei, no qual deixarei minha opinião, e aqueles que são dicas para turistas, mas que ainda não visitei. Vamos "al carrete" primeiro.


Miércoles Po



Vou começar a lista com a minha balada favorita: a Miércoles Po. A festa ocorre todas as quarta-feiras ( por isso o nome miércoles, quarta em espanhol) e o local sempre muda, então tem que ficar atento pelo facebook ou site do evento. É uma festa para estrangeiros que estão no Chile de passeio ou estudando, portanto é grátis. Os chilenos também podem entrar grátis, desde que estejam na lista. Mulheres não pagam.
O interessante da festa é que por ser uma balada para estrangeiros toca músicas de todos os lugares, com foco na música eletrônica. É um ótimo lugar para conhecer gente de todo o mundo e fazer contatos. Vir a Santiago e não ir a Miércoles Po é quase um pecado, portanto é uma balada obrigatória e vale a pena.

http://www.comunidadpo.cl/
 

After Office



Essa balada eu não cheguei a conhecer, mas recebi muitas indicações. O After Office não é uma exclusividade de Santiago, outras cidades do mundo como Buenos Aires e San Francisco também possuem. É uma balada para jovens executivos e pessoas do mundo corporativo, mas se você não faz parte desse grupo, não há nenhum problema em conhecê-la. Em Santiago ela é realizada no alto de um edificio, portanto é uma experiência diferenciada. O horário e dia da semana ( quarta a partir das 19:00 hrs ) são diferenciados para atender ao público especifico. Vale a pena conferir.

http://www.afterofficesantiago.cl/ 

Blondie



Essa é uma balada alternativa e foi a primeira que conheci em Santiago. Me apaixonei pelas músicas dos anos 70/80/90 que tocam. A Blondie é conhecida por tocar Depeche Mode, Massive Attack, Queen, The Smiths e outras bandas do passado que ainda fazem sucesso. É interessante conhecê-la, pois tem um espaço bacana com dois ambientes ( geralmente divididos em pop e rock ) e para conhecer pessoas. 

http://www.blondie.cl/


Bar Constitución



Esse bar-restaurante-balada fica em Bella Vista, o bairro bohemio de Santiago. Aqui você pode encontrar um bar-restaurante até determinada hora e depois uma ótima balada em dois ambientes. O Bar Constitución é muito bem frequentado e costuma ser point de estrangeiros e turistas. A música é diversificada entre eletrônica, hip-hop e reggaeton, o "funk" latino.

http://barconstitucion.cl/


Las Urracas



Pra finalizar a lista, uma balada de Vitacura. " Las Urracas" costuma ter um público mais seletivo, e a música é intercalada entre eletrônica e música latina. Assim como as demais apresenta um bom espaço e é um point de encontro, muita vezes de estudantes ou empresários.

http://www.lasurracas.com/inicio.html



Agora algumas opções para comer em Santiago. Os valores de pratos não são muito diferentes do Brasil. Talvez você encontre lugares mais caros, e outros mais baratos. Eu não entendo muito de gastronomia, então minha opinião é de puro turista. E prepare-se para comer abacate, pois no Chile " la palta" é venerada. Vamos lá pra lista.

Hard Rock Café




Esse é um outro point que você encontrará em vário lugares do mundo. Está super bem localizado e a sua ambientação é simplesmente incrível. Com guitarras, roupas e artefatos de artistas do mundo todo, o Hard Rock tem um preço aessível, mas se você quiser economizar é melhor ver outra opção. Um drink sai em torno de $6.000 ( R$27,00). Além de estar em um lugar famoso no mundo todo, o Hard geralmente tem música ao vivo e o atendimento é ótimo. É um bom lugar para comemorar o aniversário também. A comida é bacana, mas cara, a especialidade são os drinks e sobremesa. O sorvete é divino, vale a pena conferir.

http://www.hardrock.com/locations/cafes3/cafe.aspx?LocationID=566&MIBEnumID=3
 

The Clinic



Esse foi o meu lugar favorito em Santiago. The Clinic é um típico pub com um ótimo atendimento e boas pedidas de bebidas e comida. Nele você encontrará uma ambientação totalmente diversificada e interessante. O bar possui toda uma decoração e uma preparação de acordo com o jornal/revista santiaguino " The Clinic" que possui uma visão humorada e critica social da sociedade e política chilena. O local apresenta "O menu do dia" e a "frase do dia" de acordo com os acontecimentos recentes, e os drinks tem nomes engraçados. É um bom lugar para fotos e quem sabe conhecer um pouco da política e sociedade chilena.

http://www.bartheclinic.cl/

La Piojera



Se você tiver a fim de conhecer as bebidas típicas do Chile, esse é o lugar certo. O "Palácio Popular", não ganha por seu charme ou pelo beleza, mas sim por já ser conhecido como o lugar a conhecer a bebida típica chilena, e não estamos falando do celebrado vinho, e sim dos famosos " terremotos" e o delicioso "pisco sour". Aqui você encontrará música típica, comida típica ( chorrillana, empanadas, etc ) e algo mais rústico que nos citados anteriormente, mas não deve deixar de conhecer.

http://www.lapiojera.cl/

Restaurante Giratório



Com toda a certeza esse é o lugar que mais do que a comida, oferece a melhor vista de Santiago. Com suas paredes de vidro e o seu peculiar giro, você pode admirar a linda paisagem da capital, enquanto saboreia uma boa comida e toma o melhor vinho do mundo, o chileno. Comer aí não é muito barato, mas vale a pena. Um jantar sai em média R$90,00 com tudo que você tenha direito. A única coisa que eu não gostei foi do atendimento. Achei os garçons muito afobados e não muito receptivos, mas talvez tenha sido minha experiência. Deixo a dica de você almoçar no giratório para poder melhor apreciar a vista da cordilheira dos Andes.

http://www.giratorio.cl/

Le Fournil



Se encontra no conhecido e bem frequentado "Pátio Bella Vista", local onde você tem várias opções, entre elas o Le Fournil. Bristrô francês e café, localizado no nível superior do Patio , tem um ótimo ambiente e um atendimento muito bom. A comida também não deixa a desejar, e seus pratos foram premiados por publicações chilenas no ano de 2010 e 2011. Comer no "Le Fournil não sai muito caro, um prato está em torno de R$40,00.

http://www.lefournil.cl/

Aqui segue uma lista de outras opções. Algumas eu visitei, outras não. Se você conhece algo mais, deixa nos comentários. Uma última dica: Não deixe Santiago sem conhecer um pouco dos seus pratos típicos: sopaipillas, chorrilllana, casuela e os drinks terremoto e o pisco sour. Você não se arrependerá.


Dublin
Mansión Po
La Greda
Pátio Bella Vista
Doggis
Mercado Central
Tanta ( Peruano )
Concha y Toro
El Sótano
Paulistano
Tiramisú 
Santa Brasa
Como água para Chocolate
Santería
El caramaño
Bokalolka
 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Em Busca da Neve...


Um dos meus objetivos aqui no Chile era conhecer a neve. Os brasileiros que visitam esse país andino, em sua maioria, veem com o mesmo motivo. Saber como é caminhar na neve, sentir a “textura”, fazer um boneco, guerra de neve e pasmem, sentir o seu gosto, que nada mais é que água, sempre foram sonhos. Talvez seja pelos filmes americanos que estamos acostumados a ver. A associação de neve e natal é tão forte, que é difícil imaginar que tão perto do Brasil, no hemisfério sul, exista lugares que oferecem a realização desse sonho brasileiro. Outro fator é que vivermos em um país tropical. O frio é algo tão alheio a nossa realidade, que países como Argentina e Chile são lugares de férias de inverno dos brasileiros.

O que eu não sabia, e nem imaginava, era que seria super difícil encontrar a neve. Eu não tinha  objetivo de esquiar ou fazer qualquer um dos  esportes radicais oferecidos próximo a Santiago, como no Valle Nevado. O que eu queria mesmo era conhecer, brincar e sentir a sensação da neve. Outros tipos de atividades ficam para a próxima vez. O fato é que já faz mais de um mês que nós ( eu e meus amigos de intercâmbio) estamos literalmente “ em busca da neve”.
Nossa primeira parada foi nossa viagem para Pucón. Como já disse em um post anterior, nossa motivação para conhecer a cidade era o famoso vulcão Villarrica, que possui o cume congelado. Infelizmente por questões climáticas não foi possível subir. Desceríamos a montanha em uma espécie de esqui pela neve, mas sentado, o conhecido esqui-bunda. Pelos relatos que ouvi, é muito divertido. Nossa frustração naquele momento foi dupla, já que não vimos à neve e não subimos o vulcão.
A outra oportunidade também foi em Pucón, no Parque Huerquehue. Devido às chuvas e o frio que fazia na cidade, supostamente haveria neve no alto da montanha que estávamos subindo. Porém, mais uma vez, não subimos até o topo, chegando a pouco mais da metade ( o que não deixou de ser uma super aventura ), pelas condições do tempo. Nossa resistência de estudantes também não ajudou, já que chuva, frio, lama e montanha não combinam muito bem.

Pucon no inverno - Internet

Já que o sul do Chile não nos proporcionou a experiência da neve, resolvemos que seria mais fácil aqui em Santiago mesmo. Nossas opções eram o Valle Nevado, que teria um custo médio de $40.000 ( cerca de R$170,00 ) ou Cajón del Maipo, uma região próxima a Santiago, na qual você pode ir grátis. Só precisávamos de alguém que conhecesse a região e pegar um ônibus até lá. Conversamos com nossos amigos da faculdade e marcamos um dia. Entretanto, não seria dessa vez que voltaríamos a ser criança na neve. As meninas ficaram doentes e cancelamos a ida ao Cajón del Maipo.
Já estava parecendo impossível essa viagem, e agora esperávamos uma chuva forte pra poder nevar novamente na cordilheira e podermos organizar algo.

Cajón del Maipo
As meninas resolveram ir ao Valle Nevado depois de 3 dias de chuva na capital chilena. Eu achei melhor ir à opção mais barata, e um amigo da faculdade me convidou em um primeiro momento. Enfim fomos a sonhada neve... Mas, como essa história é uma aventura o lugar estava fechado, devido ao alto acúmulo de neve.
Já tinha perdido as esperanças, e já me imaginava voltando pro Brasil sem sentir o gostinho de neve... Quando outros dois amigos da faculdade me convidam para ir novamente ao Cajón del Maipo, dessa vez, com uma promessa maior de neve.
Acordei as 6hrs da manhã ( pela primeira vez desde que cheguei por terras chilenas ), preenchi a mochila com luvas, tocas, agasalhos e meias, e fui em pleno domingo para a casa dos meus amigos. Tudo parecia correr bem, afinal, eu estava dentro do horário ( havíamos marcado as 8:15 hrs e quando eu chegasse ao metro “Los Quillales” deveria chamá-los para que me buscassem), e o dia estava muito propicio. Porém, como eu acho que tinha alguma coisa que não queria me deixar conhecer a utópica neve, o meu celular simplesmente decidiu morrer naquela manhã de domingo, e eu fiquei  perdido no metro. Sem ter como chamar meu amigo, pedi celular emprestado na rua, mas ninguém me ajudou. Apesar do problema, eu estava calmo, e pensei “ vou caminhar pelo bairro até encontrar a casa”, e foi isso que fiz. Caminhei por “La Florida”, até encontrar a casa do meu amigo. Quando já estava quase desistindo, encontrei. Com alivio e ansiedade fomos à busca da neve.
Apesar de estar próximo a Santiago, o povoado “ San Jose Del Maipo” é um lugar muito calmo, pequeno, e com uma beleza esplêndida. Em mais um menos 1 hora e meia você chega no lugar. Um ponto de esquecer-se dos problemas e apreciar a natureza. Durante a viagem de carro, fiquei imaginando se ocorreria outro problema para que eu não conseguisse chegar ao meu objetivo. Fiquei torcendo para que não fosse nada relacionado a acidentes nas estradas estreitas e perigosas da subida nas cordilheiras.

O povoado de San Jose del Maipo

 Quando enfim vi a neve foi um alivio. Posso dizer que me emocionei. Ver as pequenas casinhas com o telhado todo branco. Aquela paisagem contrastante entre o claro e o verde. O brilho do sol refletivo na neve e as crianças correndo e brincando como em qualquer filme americano. É tudo muito mágico.  Corri como uma criança e fiz guerra de neve com a família do meu amigo. Fizemos nossa boneca de neve, carinhosamente chamada de “Willa”, em minha homenagem. A Willa, bravamente resistiu e chegou a Santiago.

Eu e Willa, nossa boneca de neve
Rimos e nos divertirmos como nunca. Uma coisa curiosa é que apesar de estar frio, eu senti muito calor. Tive que tirar agasalhos e o único lugar que eu sentia congelar eram meus dedos.

Mesmo sendo grátis, e não tendo as dezenas de possibilidades que o Valle Nevado e outros lugares de esqui chilenos possuem,  o Cajón del Maipo com toda certeza proporciona uma paisagem incrível. Transporta-te para um mundo diferente e mágico. Estar entre a cordilheira, sentir aquele gostoso cheiro de natureza, caminhar entre a neve e o gramado e ver no rosto de cada pessoa a alegria de voltar a ser criança é impagável. A minha busca pela neve foi longa, mas não deixou de ser emocionante. Obrigado Chile.


O sorriso de criança


A neve tem gosto de... Água, hehe.
Além de gelada, a paisagem é encantadora

Aqui vai meu vídeo do meu primeiro contato com a neve:

                                                                 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No Chile, as manifestação são por Educação gratuita e de qualidade

No mês em que manifestações tomaram conta do Brasil e levantaram o patriotismo de brasileiros em todo o mundo, a política nacional se viu obrigada a rever os seus conceitos. A cobertura jornalística dos protestos em todo o país também foi alvo de duras críticas e acusada de "parcial" pelos manifestantes. Enquanto nas ruas, mais de 80% dos protestos eram pacíficos, as imagens de vandalismos prevaleciam nos principais meios de comunicação.

Uma vitória pro povo brasileiro foi que parte dos motivos que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas, foi atendido. A PEC 37  foi rejeitada pelo congresso, e a presidente lançou um plano de mudanças políticas no pais. O que fica, é a vontade de melhorar o Brasil, sempre mantendo a Ordem em busca do sonhado Progresso.

A comunidade brasileira no Chile apoiou as manifestações no Brasil. O Chile é reconhecido como um dos país mais desenvolvidos da América do Sul e recebe turistas brasileiros, principalmente durante o inverno. Mas, o que poucos brasileiros sabem é que a população chilena já está acostumada com protestos. A educação gratuita não é uma realidade para os estudantes universitários. " Fim ao Lucro. Educação de qualidade", é uma bandeira que os jovens chilenos levantam quase todos os meses em marchas pelas ruas do país.
Brasileiros manifestaram no dia 22/06 em Santiago



Diferente do Brasil, as universidades públicas chilenas não são gratuitas. O governo atua apenas como subsidiário para a população, ou seja, somente interfere quando realmente necessário. Financiamentos e bolsas de estudos são uma opção, mas o endividamento para se formar é um grande problema. O estudante de turismo Ignácio Alonso Perez Gamboa concorda com os protestos estudantis, quando eles não se tornam vandalismo e não concorda com o atual sistema de educação. " Para estudar tranquilo por aqui você deve ter dinheiro. Se não tem, é necessário se endividar, e terminar sua faculdade com um crédito, trabalhando por anos para pagar.", afirma Ignácio. 

Além da Educação, a população quer mais

Já o estudante de jornalismo Luciano Villafuerte del Carpo explica o motivo dos protestos. " O que sempre reclamamos é que a educação no Chile é uma das mais cara do mundo. Só os EUA nos superam", afirma. Ele explica como começaram as manifestações no país. " Começou em meados de 2011, com a  solicitação de educação pública gratuita e de qualidade. Nesse tempo, as marchas foram grandes e surpreendeu tanto, que a educação se tornou um ponto central dos governantes e candidatos. O bom das marchas pela educação é que são muito criativas. O lado negativo foi a aparição dos encapuzados, grupo que faz vandalismo e arruaça." Apesar do inicio apontado em 2011, a motivação estudantil é de muito antes, já que o sistema atual é uma herança da ditadura chilena, entre 1973-1990.

O protesto realizado nessa quarta-feira foi um dos muitos que já ocorreram neste ano em Santiago, capital do Chile. Entre cartazes solicitando uma educação de qualidade e gratuita, os chilenos reivindicavam mudanças para os candidatos a presidente, já que no Chile é ano eleitoral.  A violência e o vandalismo também fez parte do protesto, e a polícia agiu fortemente contra os manifestantes. Segundo informações da polícia de Santiago mais de cem jovens foram presos, e dez policiais foram lesionados.

Embaixada do Brasil em Santiago sendo vandalisada

A polícia aguardando os manifestantes


Os encapuzados botam fogo em patrimônio público

Apesar das lutas, pouca coisa mudou no país desde que as reivindicações começaram. Algumas universidades públicas como a "Universidad de Chile" está tomada pelo alunos. Uma espécie de greve estudantil. Luciano não acredita em uma universidade gratuita no país. " Eu acredito que a falta de vontade política para mudar é imensa. Existe dinheiro, mas a educação já é um negócio e muitos políticos tem seus próprios interesses aí. Acredito que podemos conquistar mais acesso a bolsas de estudos, mas por enquanto gratuidade não.", opina o estudante.

População Unida

Com 17 milhões de habitantes, população do Chile espera mudanças


















Os estudantes chilenos se inspiram na luta brasileira que assistiram nos meios comunicação chilenos. "  Eu acredito que para mudanças fortes na estrutura de um país é necessário união. É isso que vimos no Brasil nos últimos dias.", afirma Bástian Celis, também estudantes de jornalismo.

É importantes ressaltar que tanto Brasil, quanto Chile ainda são países em desenvolvimento e lutam por uma sociedade mais igualitária e um governo democráta.



Aventura no Sul do Chile - Pucón, a cidade do Vulcão


Demorou um pouco pra eu poder escrever sobre nossas aventuras nas terras frias do sul do Chile, mas aqui estou. Talvez fosse pela frustração de não ter conseguido subir o famoso vulcão Villarrica, que é o charme e também o motivo da cidade ser rota de mochileiros. Nossa viagem ficou longe de passar como queríamos, mas não totalmente no lado negativo. 



Pra começar a falar um pouco de Pucón, vamos nos situar. Ela fica ao sul de Santiago, cerca de 780 km da capital chilena e tem pouco mais de 20 mil habitantes, além de um charme excepcional. As casas, em estilo alemão, e o clima europeu das ruas são um espetáculo a parte. A cidade vive totalmente do turismo, e não é complicado encontrar hotel, albergues e agências de todos os gostos. Eu indico já chegar com tudo isso planejado, e uma dica importantíssima ( diga-se de passagem nós não a sigamos), confira o clima antes de confirmar seus dias por lá. Se sua intenção são atividades radicais ou subir o vulcão, evite dias com chuva ou muito vento.  

Pucón *Internet*


Um fato a parte, mas que não deve ser deixado de mencionar é sobre o povo de Pucón. Já estamos acostumados com o jeito do santiaguino, que como em toda metrópole, é mais agitado e cada um no seu mundo. No sul as pessoas são mais alegres, mais acolhedoras e sorriem mais. Com certeza o povo de Pucón é um beneficio a parte.

Nós, (grupo de 5 brasileiros lindos que estamos juntos nesse intercâmbio no Chile, Eu, Murillo, Cauana, Isabele e Walquíria ) fomos com a intenção e a coragem de subir o vulcão. Era nosso grande objetivo e motivação. 



Um parênteses na história: Vulcão Villarrica 
Localizado na cordilheira dos Andes e com uma altitude de 2843m é um dos mais procurados para escalada na América Latina. Este vulcão permanece coberto por neve durante todo o ano. É também conhecido como Rucapillán, ou "casa do demônio" na língua mapuche. Este vulcão, junto com o Quetrupillán e o Lanin encontra-se dentro de uma área de preservação ambiental conhecida como Parque Nacional Villarrica. É o mais ativo no Chile e sua última erupção foi em 1984. O alpinismo e a escalada são consideradas fácil apesar de cansativa, mas não é indicada sem o acompanhamento de guias.

Topo do Vulcão Villarrica ( Imagem Internet )


Voltando as nossas aventuras...

De Santiago à cidade de Temuco são cerca de 1 hora e 10 minutos em avião. O preço foi  $50.000, ou cerca de R$220,00. Mas, pode-se ir de ônibus em um valor aproximado à R$50,00 e 10 horas de viagem direta pra Pucón. Chegando em Temuco  você deve pegar um táxi ( sai mais barato que ir de transfer caso você esteja em até 4 pessoas ) até o terminal de ônibus. Já no terminal, você pagará R$12,00 para pegar um ônibus para Pucón. São mais 2 horas na estrada. 

Chegamos à Pucón já com a chuva nos rodeando. A cidade é extremamente fria, portanto, outra dica é levar muitos agasalhos. Mesmo que a sua estadia seja no verão ( época de maior turismo na cidade). Não se esqueças das meias, gorros, luvas e blusas, afinal estamos no sul.



O lugar onde ficamos era muito acolhedor e  se chama " Hostal Backpacker's". Por um preço de $6.000 ou R$29,00 ao dia p/ pessoa, alugamos um quarto com cinco camas e um banheiro. As paredes são recheadas de fotos e estímulos para os turistas, além do hostal ser todo em uma madeira muito forte e ter uma lareira super quentinha. É interessante ficar em um lugar assim, já que você poderá conhecer pessoas de todo o mundo.



“ Al tiro” ( expressão chilena para ‘no exato momento’ ) nos sentamos com o dono, que também tem uma agência, para fazermos nossa rota pela cidade. O vulcão era a grande dúvida. Naquele mesmo dia ele tinham subido ao topo do Villarrica, mas as condições climáticas não eram agradáveis. Os próximos dias prometiam chuva, vento e frio. Ficamos na apreensão, mas de qualquer forma com o pensamento de curtir a cidade.

Particularmente eu gostei muito do clima. O tempo frio me chama a atenção, e como em Santiago se chove muito pouco, sentia falta de umidade. 

Uma parte que nos agradou muito foram os restaurantes. Apaixonamo-nos por um muito bom chamado “Bovinos”, e outro chamado o "77". Assim como tudo na cidade, os dois são acolhedores e o preço de um jantar varia de R$30 a R$60 p/ pessoa. Vale a pena.



Enquanto pensávamos na chuva ( que não dava trégua ), fomos conhecer o famoso cassino da cidade. É um tipo de lugar que nunca me chamou a atenção, mas gostei de conhecê-lo. Nele você pode encontrar boa parte dos turistas e quem sabe tentar a fortuna. Conseguimos lucrar um pouquinho, mas creio que foi sorte de principiante. O cassino é bem frequentado e possui um ótimo barzinho com Karaokê.

No nosso segundo dia nosso tour percorreu os principais pontos turísticos.  O preço do tour por pessoa foi cerca de R$72,00, incluso transporte, guia e a entrada do termas. Uma dica é pechinchar. Não é uma cultura chilena dar descontos, mas nesse caso conseguimos economizar um pouco. 

Nossa primeira parada foi em uma pequena e charmosa igreja no alto de um cerro. Uma bela vista da pequena cidade, e em dias de sol, com vista para o famoso vulcão. Depois percorremos o Rio Trancura e chegamos quase na fronteira com a Argentina. Me encantei por essas paisagens. Creio que nesse momento o clima nublado deu um charme excepcional para a natureza e me maravilhei com as montanhas e a vegetação dessa parte do Chile. 



Passamos também pela reserva Mapuche, índios que vivem em regiões do Chile e Argentina, e fomos direto para os “Ojos de Caburgua”. Nessa parte é muito importante estar com um guia, já que o lugar, apesar de ter um fácil acesso tem algumas armadilhas. As águas cristalinas do local e a cor azulada é uma beleza de se admirar. Você se encontra dentro da natureza. Com um pouco de atenção é possível ver milhares de moedas jogadas ao rio. “ Faça um desejo e jogue uma moeda”. Seria a mesma ideia de uma fonte.



Apesar de um pouco cansados seguimos viagem para o “Lago de Caburgua”. A chuva, que havia nos ameaçado durante todo o dia começou a cair, mas mesmo assim conhecemos esse lugar esplendoroso, onde o presidente do país tem uma casa de verão. 



Pra  finalizar nossa rota do guia, fomos descansar no termas “Los Pozones”. As águas quentes, mesmo que brindadas pelos pingos de chuva, foram um especial convite para um descanso depois das aventuras do dia.

Já no outro dia aproveitamos para conhecer a cidade e a Praia de Pucón. Mesmo sem a vista do Villarrica, o ambiente é mágico. Areia vulcânica, água escura, mas limpa e o clima gelado fazem do lugar inigualável. Creio que aí encontrei meu motivo de conhecer a cidade. Apesar dos poucos minutos que ficamos no local, pude perceber que estive em um dos lugares mais lindos que já conheci. Terminamos o dia descansando para o desafio do dia seguinte, que foi o mais cansativo.



No nosso quarto dia levantamos cedo apesar da chuva que nos dava vontade de dormir eternamente. Nos juntamos com um guia e mais duas chilenas e fomos para o Parque Huerquehue, conhecido pelos seus famosos lagos e lagoas cordilheiranas, sendo os mais conhecidos: Lago Chico, Lago Verde e Lago Toro. O valor de entrada é $2.000, mais ou menos R$9,00. 

A chuva estava mais forte e o frio acercado a 0º( com sensação pior ). Eu aconselho a ir bem preparado para essa trilha. Apesar do parque ser conhecido como “auto-guiado”, não aconselho a ir sem guia, já que no primeiro quilômetro eu já me perderia. A subida é de cerca de 5Km, e no nosso caso foi super difícil. Enfrentamos a garoa com finas capas de chuva; a lama que nos ameaçava escorregar a cada 10 passos; e o frio que fazia tudo parecer mais difícil. Os lagos que ficam no topo do cerro são maravilhosos, mas nosso esgotamento físico era tão grande que não conseguimos aproveitar. Acredito eu que em tempos de calor tudo é mais fácil e agradável. No final andamos 10 km em uma trilha íngreme com lama, chuva e frio. Vale pela experiência, mas foi cansativo para nós, brasileiros sedentários. 



O ponto alto talvez foi descansar em um refúgio no meio do caminho e acender uma fogueira. Descongelar os dedos no calor do fogo e secar a roupa. Senti-me em um filme. Chegamos ao albergue muito cansados e um pouco frustrados.

Parque Huerquehue ( Imagem internet )


O nosso último dia passou muito rápido e acabamos não aproveitando muito bem. Tomamos um chocolate quente e comemos em mais um dos aconchegantes restaurantes da cidade. Infelizmente o vulcão ficou para a próxima vez, mas com certeza vale a pena conhecer Pucón, uma cidade encantadora e receptiva.

Acho que nossa aventura maior foi à volta pra casa. Quase perdemos o avião. Saímos da cidade do Villarrica às 17:30hrs. Nosso voo estava marcado para as 20:30hrs. Tudo dentro do horário, mas não contávamos com um enorme congestionamento na entrada de Temuco. Descemos do ônibus no meio da estrada e da chuva. Cansados e com frio, corremos em busca de um táxi. Faltavam 25 minutos pro nosso avião sair. Éramos cinco e só encontramos um táxi. As meninas foram primeiro pro aeroporto, e eu e o Murillo ficamos esperando a volta do carro para irmos também. Apreensivos e torcendo para que tudo desse certo, chegamos cinco minutos antes do avião sair, e com aquele alívio de que em fim deu tudo certo. 



Viajar é sempre aventura. Seja nos detalhes ou nos imprevistos que acontecem. O que fica é a experiência para contar pros filhos, e com certeza, Pucón nos proporcionou tudo isso. Obrigado sul do Chile.