sexta-feira, 5 de julho de 2013

Em Busca da Neve...


Um dos meus objetivos aqui no Chile era conhecer a neve. Os brasileiros que visitam esse país andino, em sua maioria, veem com o mesmo motivo. Saber como é caminhar na neve, sentir a “textura”, fazer um boneco, guerra de neve e pasmem, sentir o seu gosto, que nada mais é que água, sempre foram sonhos. Talvez seja pelos filmes americanos que estamos acostumados a ver. A associação de neve e natal é tão forte, que é difícil imaginar que tão perto do Brasil, no hemisfério sul, exista lugares que oferecem a realização desse sonho brasileiro. Outro fator é que vivermos em um país tropical. O frio é algo tão alheio a nossa realidade, que países como Argentina e Chile são lugares de férias de inverno dos brasileiros.

O que eu não sabia, e nem imaginava, era que seria super difícil encontrar a neve. Eu não tinha  objetivo de esquiar ou fazer qualquer um dos  esportes radicais oferecidos próximo a Santiago, como no Valle Nevado. O que eu queria mesmo era conhecer, brincar e sentir a sensação da neve. Outros tipos de atividades ficam para a próxima vez. O fato é que já faz mais de um mês que nós ( eu e meus amigos de intercâmbio) estamos literalmente “ em busca da neve”.
Nossa primeira parada foi nossa viagem para Pucón. Como já disse em um post anterior, nossa motivação para conhecer a cidade era o famoso vulcão Villarrica, que possui o cume congelado. Infelizmente por questões climáticas não foi possível subir. Desceríamos a montanha em uma espécie de esqui pela neve, mas sentado, o conhecido esqui-bunda. Pelos relatos que ouvi, é muito divertido. Nossa frustração naquele momento foi dupla, já que não vimos à neve e não subimos o vulcão.
A outra oportunidade também foi em Pucón, no Parque Huerquehue. Devido às chuvas e o frio que fazia na cidade, supostamente haveria neve no alto da montanha que estávamos subindo. Porém, mais uma vez, não subimos até o topo, chegando a pouco mais da metade ( o que não deixou de ser uma super aventura ), pelas condições do tempo. Nossa resistência de estudantes também não ajudou, já que chuva, frio, lama e montanha não combinam muito bem.

Pucon no inverno - Internet

Já que o sul do Chile não nos proporcionou a experiência da neve, resolvemos que seria mais fácil aqui em Santiago mesmo. Nossas opções eram o Valle Nevado, que teria um custo médio de $40.000 ( cerca de R$170,00 ) ou Cajón del Maipo, uma região próxima a Santiago, na qual você pode ir grátis. Só precisávamos de alguém que conhecesse a região e pegar um ônibus até lá. Conversamos com nossos amigos da faculdade e marcamos um dia. Entretanto, não seria dessa vez que voltaríamos a ser criança na neve. As meninas ficaram doentes e cancelamos a ida ao Cajón del Maipo.
Já estava parecendo impossível essa viagem, e agora esperávamos uma chuva forte pra poder nevar novamente na cordilheira e podermos organizar algo.

Cajón del Maipo
As meninas resolveram ir ao Valle Nevado depois de 3 dias de chuva na capital chilena. Eu achei melhor ir à opção mais barata, e um amigo da faculdade me convidou em um primeiro momento. Enfim fomos a sonhada neve... Mas, como essa história é uma aventura o lugar estava fechado, devido ao alto acúmulo de neve.
Já tinha perdido as esperanças, e já me imaginava voltando pro Brasil sem sentir o gostinho de neve... Quando outros dois amigos da faculdade me convidam para ir novamente ao Cajón del Maipo, dessa vez, com uma promessa maior de neve.
Acordei as 6hrs da manhã ( pela primeira vez desde que cheguei por terras chilenas ), preenchi a mochila com luvas, tocas, agasalhos e meias, e fui em pleno domingo para a casa dos meus amigos. Tudo parecia correr bem, afinal, eu estava dentro do horário ( havíamos marcado as 8:15 hrs e quando eu chegasse ao metro “Los Quillales” deveria chamá-los para que me buscassem), e o dia estava muito propicio. Porém, como eu acho que tinha alguma coisa que não queria me deixar conhecer a utópica neve, o meu celular simplesmente decidiu morrer naquela manhã de domingo, e eu fiquei  perdido no metro. Sem ter como chamar meu amigo, pedi celular emprestado na rua, mas ninguém me ajudou. Apesar do problema, eu estava calmo, e pensei “ vou caminhar pelo bairro até encontrar a casa”, e foi isso que fiz. Caminhei por “La Florida”, até encontrar a casa do meu amigo. Quando já estava quase desistindo, encontrei. Com alivio e ansiedade fomos à busca da neve.
Apesar de estar próximo a Santiago, o povoado “ San Jose Del Maipo” é um lugar muito calmo, pequeno, e com uma beleza esplêndida. Em mais um menos 1 hora e meia você chega no lugar. Um ponto de esquecer-se dos problemas e apreciar a natureza. Durante a viagem de carro, fiquei imaginando se ocorreria outro problema para que eu não conseguisse chegar ao meu objetivo. Fiquei torcendo para que não fosse nada relacionado a acidentes nas estradas estreitas e perigosas da subida nas cordilheiras.

O povoado de San Jose del Maipo

 Quando enfim vi a neve foi um alivio. Posso dizer que me emocionei. Ver as pequenas casinhas com o telhado todo branco. Aquela paisagem contrastante entre o claro e o verde. O brilho do sol refletivo na neve e as crianças correndo e brincando como em qualquer filme americano. É tudo muito mágico.  Corri como uma criança e fiz guerra de neve com a família do meu amigo. Fizemos nossa boneca de neve, carinhosamente chamada de “Willa”, em minha homenagem. A Willa, bravamente resistiu e chegou a Santiago.

Eu e Willa, nossa boneca de neve
Rimos e nos divertirmos como nunca. Uma coisa curiosa é que apesar de estar frio, eu senti muito calor. Tive que tirar agasalhos e o único lugar que eu sentia congelar eram meus dedos.

Mesmo sendo grátis, e não tendo as dezenas de possibilidades que o Valle Nevado e outros lugares de esqui chilenos possuem,  o Cajón del Maipo com toda certeza proporciona uma paisagem incrível. Transporta-te para um mundo diferente e mágico. Estar entre a cordilheira, sentir aquele gostoso cheiro de natureza, caminhar entre a neve e o gramado e ver no rosto de cada pessoa a alegria de voltar a ser criança é impagável. A minha busca pela neve foi longa, mas não deixou de ser emocionante. Obrigado Chile.


O sorriso de criança


A neve tem gosto de... Água, hehe.
Além de gelada, a paisagem é encantadora

Aqui vai meu vídeo do meu primeiro contato com a neve:

                                                                 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

No Chile, as manifestação são por Educação gratuita e de qualidade

No mês em que manifestações tomaram conta do Brasil e levantaram o patriotismo de brasileiros em todo o mundo, a política nacional se viu obrigada a rever os seus conceitos. A cobertura jornalística dos protestos em todo o país também foi alvo de duras críticas e acusada de "parcial" pelos manifestantes. Enquanto nas ruas, mais de 80% dos protestos eram pacíficos, as imagens de vandalismos prevaleciam nos principais meios de comunicação.

Uma vitória pro povo brasileiro foi que parte dos motivos que levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas, foi atendido. A PEC 37  foi rejeitada pelo congresso, e a presidente lançou um plano de mudanças políticas no pais. O que fica, é a vontade de melhorar o Brasil, sempre mantendo a Ordem em busca do sonhado Progresso.

A comunidade brasileira no Chile apoiou as manifestações no Brasil. O Chile é reconhecido como um dos país mais desenvolvidos da América do Sul e recebe turistas brasileiros, principalmente durante o inverno. Mas, o que poucos brasileiros sabem é que a população chilena já está acostumada com protestos. A educação gratuita não é uma realidade para os estudantes universitários. " Fim ao Lucro. Educação de qualidade", é uma bandeira que os jovens chilenos levantam quase todos os meses em marchas pelas ruas do país.
Brasileiros manifestaram no dia 22/06 em Santiago



Diferente do Brasil, as universidades públicas chilenas não são gratuitas. O governo atua apenas como subsidiário para a população, ou seja, somente interfere quando realmente necessário. Financiamentos e bolsas de estudos são uma opção, mas o endividamento para se formar é um grande problema. O estudante de turismo Ignácio Alonso Perez Gamboa concorda com os protestos estudantis, quando eles não se tornam vandalismo e não concorda com o atual sistema de educação. " Para estudar tranquilo por aqui você deve ter dinheiro. Se não tem, é necessário se endividar, e terminar sua faculdade com um crédito, trabalhando por anos para pagar.", afirma Ignácio. 

Além da Educação, a população quer mais

Já o estudante de jornalismo Luciano Villafuerte del Carpo explica o motivo dos protestos. " O que sempre reclamamos é que a educação no Chile é uma das mais cara do mundo. Só os EUA nos superam", afirma. Ele explica como começaram as manifestações no país. " Começou em meados de 2011, com a  solicitação de educação pública gratuita e de qualidade. Nesse tempo, as marchas foram grandes e surpreendeu tanto, que a educação se tornou um ponto central dos governantes e candidatos. O bom das marchas pela educação é que são muito criativas. O lado negativo foi a aparição dos encapuzados, grupo que faz vandalismo e arruaça." Apesar do inicio apontado em 2011, a motivação estudantil é de muito antes, já que o sistema atual é uma herança da ditadura chilena, entre 1973-1990.

O protesto realizado nessa quarta-feira foi um dos muitos que já ocorreram neste ano em Santiago, capital do Chile. Entre cartazes solicitando uma educação de qualidade e gratuita, os chilenos reivindicavam mudanças para os candidatos a presidente, já que no Chile é ano eleitoral.  A violência e o vandalismo também fez parte do protesto, e a polícia agiu fortemente contra os manifestantes. Segundo informações da polícia de Santiago mais de cem jovens foram presos, e dez policiais foram lesionados.

Embaixada do Brasil em Santiago sendo vandalisada

A polícia aguardando os manifestantes


Os encapuzados botam fogo em patrimônio público

Apesar das lutas, pouca coisa mudou no país desde que as reivindicações começaram. Algumas universidades públicas como a "Universidad de Chile" está tomada pelo alunos. Uma espécie de greve estudantil. Luciano não acredita em uma universidade gratuita no país. " Eu acredito que a falta de vontade política para mudar é imensa. Existe dinheiro, mas a educação já é um negócio e muitos políticos tem seus próprios interesses aí. Acredito que podemos conquistar mais acesso a bolsas de estudos, mas por enquanto gratuidade não.", opina o estudante.

População Unida

Com 17 milhões de habitantes, população do Chile espera mudanças


















Os estudantes chilenos se inspiram na luta brasileira que assistiram nos meios comunicação chilenos. "  Eu acredito que para mudanças fortes na estrutura de um país é necessário união. É isso que vimos no Brasil nos últimos dias.", afirma Bástian Celis, também estudantes de jornalismo.

É importantes ressaltar que tanto Brasil, quanto Chile ainda são países em desenvolvimento e lutam por uma sociedade mais igualitária e um governo democráta.



Aventura no Sul do Chile - Pucón, a cidade do Vulcão


Demorou um pouco pra eu poder escrever sobre nossas aventuras nas terras frias do sul do Chile, mas aqui estou. Talvez fosse pela frustração de não ter conseguido subir o famoso vulcão Villarrica, que é o charme e também o motivo da cidade ser rota de mochileiros. Nossa viagem ficou longe de passar como queríamos, mas não totalmente no lado negativo. 



Pra começar a falar um pouco de Pucón, vamos nos situar. Ela fica ao sul de Santiago, cerca de 780 km da capital chilena e tem pouco mais de 20 mil habitantes, além de um charme excepcional. As casas, em estilo alemão, e o clima europeu das ruas são um espetáculo a parte. A cidade vive totalmente do turismo, e não é complicado encontrar hotel, albergues e agências de todos os gostos. Eu indico já chegar com tudo isso planejado, e uma dica importantíssima ( diga-se de passagem nós não a sigamos), confira o clima antes de confirmar seus dias por lá. Se sua intenção são atividades radicais ou subir o vulcão, evite dias com chuva ou muito vento.  

Pucón *Internet*


Um fato a parte, mas que não deve ser deixado de mencionar é sobre o povo de Pucón. Já estamos acostumados com o jeito do santiaguino, que como em toda metrópole, é mais agitado e cada um no seu mundo. No sul as pessoas são mais alegres, mais acolhedoras e sorriem mais. Com certeza o povo de Pucón é um beneficio a parte.

Nós, (grupo de 5 brasileiros lindos que estamos juntos nesse intercâmbio no Chile, Eu, Murillo, Cauana, Isabele e Walquíria ) fomos com a intenção e a coragem de subir o vulcão. Era nosso grande objetivo e motivação. 



Um parênteses na história: Vulcão Villarrica 
Localizado na cordilheira dos Andes e com uma altitude de 2843m é um dos mais procurados para escalada na América Latina. Este vulcão permanece coberto por neve durante todo o ano. É também conhecido como Rucapillán, ou "casa do demônio" na língua mapuche. Este vulcão, junto com o Quetrupillán e o Lanin encontra-se dentro de uma área de preservação ambiental conhecida como Parque Nacional Villarrica. É o mais ativo no Chile e sua última erupção foi em 1984. O alpinismo e a escalada são consideradas fácil apesar de cansativa, mas não é indicada sem o acompanhamento de guias.

Topo do Vulcão Villarrica ( Imagem Internet )


Voltando as nossas aventuras...

De Santiago à cidade de Temuco são cerca de 1 hora e 10 minutos em avião. O preço foi  $50.000, ou cerca de R$220,00. Mas, pode-se ir de ônibus em um valor aproximado à R$50,00 e 10 horas de viagem direta pra Pucón. Chegando em Temuco  você deve pegar um táxi ( sai mais barato que ir de transfer caso você esteja em até 4 pessoas ) até o terminal de ônibus. Já no terminal, você pagará R$12,00 para pegar um ônibus para Pucón. São mais 2 horas na estrada. 

Chegamos à Pucón já com a chuva nos rodeando. A cidade é extremamente fria, portanto, outra dica é levar muitos agasalhos. Mesmo que a sua estadia seja no verão ( época de maior turismo na cidade). Não se esqueças das meias, gorros, luvas e blusas, afinal estamos no sul.



O lugar onde ficamos era muito acolhedor e  se chama " Hostal Backpacker's". Por um preço de $6.000 ou R$29,00 ao dia p/ pessoa, alugamos um quarto com cinco camas e um banheiro. As paredes são recheadas de fotos e estímulos para os turistas, além do hostal ser todo em uma madeira muito forte e ter uma lareira super quentinha. É interessante ficar em um lugar assim, já que você poderá conhecer pessoas de todo o mundo.



“ Al tiro” ( expressão chilena para ‘no exato momento’ ) nos sentamos com o dono, que também tem uma agência, para fazermos nossa rota pela cidade. O vulcão era a grande dúvida. Naquele mesmo dia ele tinham subido ao topo do Villarrica, mas as condições climáticas não eram agradáveis. Os próximos dias prometiam chuva, vento e frio. Ficamos na apreensão, mas de qualquer forma com o pensamento de curtir a cidade.

Particularmente eu gostei muito do clima. O tempo frio me chama a atenção, e como em Santiago se chove muito pouco, sentia falta de umidade. 

Uma parte que nos agradou muito foram os restaurantes. Apaixonamo-nos por um muito bom chamado “Bovinos”, e outro chamado o "77". Assim como tudo na cidade, os dois são acolhedores e o preço de um jantar varia de R$30 a R$60 p/ pessoa. Vale a pena.



Enquanto pensávamos na chuva ( que não dava trégua ), fomos conhecer o famoso cassino da cidade. É um tipo de lugar que nunca me chamou a atenção, mas gostei de conhecê-lo. Nele você pode encontrar boa parte dos turistas e quem sabe tentar a fortuna. Conseguimos lucrar um pouquinho, mas creio que foi sorte de principiante. O cassino é bem frequentado e possui um ótimo barzinho com Karaokê.

No nosso segundo dia nosso tour percorreu os principais pontos turísticos.  O preço do tour por pessoa foi cerca de R$72,00, incluso transporte, guia e a entrada do termas. Uma dica é pechinchar. Não é uma cultura chilena dar descontos, mas nesse caso conseguimos economizar um pouco. 

Nossa primeira parada foi em uma pequena e charmosa igreja no alto de um cerro. Uma bela vista da pequena cidade, e em dias de sol, com vista para o famoso vulcão. Depois percorremos o Rio Trancura e chegamos quase na fronteira com a Argentina. Me encantei por essas paisagens. Creio que nesse momento o clima nublado deu um charme excepcional para a natureza e me maravilhei com as montanhas e a vegetação dessa parte do Chile. 



Passamos também pela reserva Mapuche, índios que vivem em regiões do Chile e Argentina, e fomos direto para os “Ojos de Caburgua”. Nessa parte é muito importante estar com um guia, já que o lugar, apesar de ter um fácil acesso tem algumas armadilhas. As águas cristalinas do local e a cor azulada é uma beleza de se admirar. Você se encontra dentro da natureza. Com um pouco de atenção é possível ver milhares de moedas jogadas ao rio. “ Faça um desejo e jogue uma moeda”. Seria a mesma ideia de uma fonte.



Apesar de um pouco cansados seguimos viagem para o “Lago de Caburgua”. A chuva, que havia nos ameaçado durante todo o dia começou a cair, mas mesmo assim conhecemos esse lugar esplendoroso, onde o presidente do país tem uma casa de verão. 



Pra  finalizar nossa rota do guia, fomos descansar no termas “Los Pozones”. As águas quentes, mesmo que brindadas pelos pingos de chuva, foram um especial convite para um descanso depois das aventuras do dia.

Já no outro dia aproveitamos para conhecer a cidade e a Praia de Pucón. Mesmo sem a vista do Villarrica, o ambiente é mágico. Areia vulcânica, água escura, mas limpa e o clima gelado fazem do lugar inigualável. Creio que aí encontrei meu motivo de conhecer a cidade. Apesar dos poucos minutos que ficamos no local, pude perceber que estive em um dos lugares mais lindos que já conheci. Terminamos o dia descansando para o desafio do dia seguinte, que foi o mais cansativo.



No nosso quarto dia levantamos cedo apesar da chuva que nos dava vontade de dormir eternamente. Nos juntamos com um guia e mais duas chilenas e fomos para o Parque Huerquehue, conhecido pelos seus famosos lagos e lagoas cordilheiranas, sendo os mais conhecidos: Lago Chico, Lago Verde e Lago Toro. O valor de entrada é $2.000, mais ou menos R$9,00. 

A chuva estava mais forte e o frio acercado a 0º( com sensação pior ). Eu aconselho a ir bem preparado para essa trilha. Apesar do parque ser conhecido como “auto-guiado”, não aconselho a ir sem guia, já que no primeiro quilômetro eu já me perderia. A subida é de cerca de 5Km, e no nosso caso foi super difícil. Enfrentamos a garoa com finas capas de chuva; a lama que nos ameaçava escorregar a cada 10 passos; e o frio que fazia tudo parecer mais difícil. Os lagos que ficam no topo do cerro são maravilhosos, mas nosso esgotamento físico era tão grande que não conseguimos aproveitar. Acredito eu que em tempos de calor tudo é mais fácil e agradável. No final andamos 10 km em uma trilha íngreme com lama, chuva e frio. Vale pela experiência, mas foi cansativo para nós, brasileiros sedentários. 



O ponto alto talvez foi descansar em um refúgio no meio do caminho e acender uma fogueira. Descongelar os dedos no calor do fogo e secar a roupa. Senti-me em um filme. Chegamos ao albergue muito cansados e um pouco frustrados.

Parque Huerquehue ( Imagem internet )


O nosso último dia passou muito rápido e acabamos não aproveitando muito bem. Tomamos um chocolate quente e comemos em mais um dos aconchegantes restaurantes da cidade. Infelizmente o vulcão ficou para a próxima vez, mas com certeza vale a pena conhecer Pucón, uma cidade encantadora e receptiva.

Acho que nossa aventura maior foi à volta pra casa. Quase perdemos o avião. Saímos da cidade do Villarrica às 17:30hrs. Nosso voo estava marcado para as 20:30hrs. Tudo dentro do horário, mas não contávamos com um enorme congestionamento na entrada de Temuco. Descemos do ônibus no meio da estrada e da chuva. Cansados e com frio, corremos em busca de um táxi. Faltavam 25 minutos pro nosso avião sair. Éramos cinco e só encontramos um táxi. As meninas foram primeiro pro aeroporto, e eu e o Murillo ficamos esperando a volta do carro para irmos também. Apreensivos e torcendo para que tudo desse certo, chegamos cinco minutos antes do avião sair, e com aquele alívio de que em fim deu tudo certo. 



Viajar é sempre aventura. Seja nos detalhes ou nos imprevistos que acontecem. O que fica é a experiência para contar pros filhos, e com certeza, Pucón nos proporcionou tudo isso. Obrigado sul do Chile. 



domingo, 23 de junho de 2013

Chile apoia causa brasileira em manifestação pacífica

" Moramos longe, mas estamos juntos". Essa era a frase de um das dezenas de cartazes espalhados pela manifestação ocorrida no último sábado ( 22/06 ) em Santiago, capital do Chile.

" Esse 'negócio' tem que mudar."

Quem olha o grupo de pessoa, que se reuniu em frente a embaixada brasileira, pode pensar em um primeiro momento que se trata de uma roda de samba ou talvez um ato de orgulho de ser brasileiro. É só chegar um pouco mais perto pra perceber que a motivação é maior. " Escolas e Hospitais padrão FIFA", " Um futuro melhor, um país melhor", " Democracia não tem fronteiras".  Essas eram as frases pintadas de verde amarelo, e explícitas no rosto dos manifestantes.




Santiago reuniu cerca de 200 pessoas entre brasileiros residentes e turistas. A maioria com cartazes e bandeiras do Brasil, além do hino nacional na ponta da língua. Uma das organizadoras da manifestação, Juliana Faddul,  enfatiza a motivação. " Não estamos no Brasil, mas apoiamos nossos irmãos."

Depois de cantar o hino e defender o direito de protestar no Brasil frente a mídia chilena, o grupo de brasileiros se sentou ao chão em manifestação a onda de violência que se espalha juntamente com os protestos no país. " Não à violência. O vandalismo não faz parte das manifestações.", gritava um dos manifestantes.

A onda de protestos no Brasil começou a duas semanas. O país saiu as ruas contra o aumento das passagens de transporte e a violência policial,  que foi manchete nas primeiras manifestações. Mas, "Não é só por 0,20". O brasileiro se organizou, principalmente por redes sociais, e pessoas de várias idades e escolaridade saíram as ruas contra a corrupção, gastos excessivos com a copa do mundo e projetos políticos como a "Cura Gay", que prevê um tratamento psicológico para os homossexuais.




 Os brasileiros que vivem no exterior começaram a se manifestar logo que perceberam a movimentação no Brasil. Cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina organizaram protestos com as mesmas motivações dos que ocorrem no país.

Lucas Fardo é intercambista no Chile e vê com esperança os protestos no Brasil e o apoio no exterior. "Creio que é o começo de muitas mudanças que devem vir a acontecer, a longo prazo é claro.", afirma.










quarta-feira, 12 de junho de 2013

5 filmes de Romance para o dia dos namorados

Resolvi aproveitar esse dia " dos namorados" pra postar um review rápido de cinco filmes de amor que me deixaram apaixonado, é claro pela arte. Nunca fui muito de ver filmes de romance, quem me conhece sabe que terror e drama são meus preferidos, mas é impossível não notar que existem ótimos filmes desse gênero e que nos deixam com uma lágrima no olhar, ou com aquela esperança nesse sentimento contraditório. Então chega de lero-lero e ai que vai meus cinco favoritos pra ver e chorar. As sinopses são do AdoroCinema.com ( http://www.adorocinema.com/), mas fiz um OBS particular pra cada história. Confiram.

Cidade dos Anjos -



Em Los Angeles, uma dedicada cirurgiã (Meg Ryan) fica arrasada quando perde um paciente durante uma operação, no mesmo instante em que um anjo (Nicolas Cage), que estava na sala de cirurgia, começa a se sentir atraído por ela. Em pouco tempo ele fica apaixonado pela médica e resolve ficar visível para ela, a fim de poder encontrá-la frequentemente, o que acaba provocando entre os dois uma atração cada vez maior, apesar dela ter um sério relacionamento com um colega de profissão. O ser celestial não pode sentir calor, nem o vento no rosto, o gosto de uma fruta ou o toque da sua amada, assim ele cogita em deixar de ser um imortal para poder amar e ser amado intensamente. 

OBS: Esse filme além de tocante tem uma trilha sonora linda que também vale a pena conferir. Esse é pra chorar no final.



(500) dias com ela



Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) está em uma reunião com seu chefe, Vance (Clark Gregg), quando ele apresenta sua nova assistente, Summer Finn (Zooey Deschanel). Tom logo fica impressionado com sua beleza, o que faz com que tente, nas duas semanas seguintes, realizar algum tipo de contato. Sua grande chance surge quando seu melhor amigo o convida a ir em um karaokê, onde os colegas de trabalho costumam ir. Lá Tom encontra Summer. Eles também cantam e conversam sobre o amor, dando início a um relacionamento.

OBS: Eu ri um pouco com a história e apesar do tom um pouco péssimista sobre o amor, é possível se apaixonar pela história e também pela trilha.



Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças



Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) formavam um casal que durante anos tentaram fazer com que o relacionamento desse certo. Desiludida com o fracasso, Clementine decide esquecer Joel para sempre e, para tanto, aceita se submeter a um tratamento experimental, que retira de sua memória os momentos vividos com ele. Após saber de sua atitude Joel entra em depressão, frustrado por ainda estar apaixonado por alguém que quer esquecê-lo. Decidido a superar a questão, Joel também se submete ao tratamento experimental. Porém ele acaba desistindo de tentar esquecê-la e começa a encaixar Clementine em momentos de sua memória os quais ela não participa.  

OBS: Nunca fui fã de Jim Carrey, mas nesse filme ele reverteu a situação. Atua muito bem com a Kate e é impossível não se apaixonar pela história dos dois, que além de tudo foge um pouco dos clichês.




Uma Carta de Amor




Ao caminhar pela praia, Theresa Osborne (Robin Wright) encontra uma garrafa com uma carta romântica e extremamente sincera, pois era também uma despedida, um adeus. Ela fica tão impressionada que usa os meios que dispõe trabalhando como jornalista em Chicago e tenta saber quem escreveu a carta. Ela então descobre que foi escrita por Garret Blake (Kevin Costner), um construtor de barcos da Carolina do Norte, para Catherine (Susan Brightbill), sua esposa, e, ao conhecê-lo, fica sabendo que Catherine faleceu precocemente. Em pouco tempo surge uma atração mútua entre Theresa e Garret, mas os fantasmas que ele carrega não permitem que ele viva este novo amor por completo.

OBS: Uma típica história de amor que talvez entre nessa lista pelo fato do livro ser um dos meus favoritos. Gosto da ideia de trocar a solidão pela paixão, e também do amor que nasce de pequenos gestos.


 
O Segredo de Brokeback Mountain



Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennie Del Mar (Heath Ledger) são dois jovens que se conhecem no verão de 1963, após serem contratados para cuidar das ovelhas de Joe Aguirre (Randy Quaid) em Brokeback Mountain. Jack deseja ser cowboy e está trabalhando no local pelo 2º ano seguido, enquanto que Ennie pretende se casar com Alma (Michelle Williams) tão logo o verão acabe. Vivendo isolados por semanas, eles se tornam cada vez mais amigos e iniciam um relacionamento amoroso. Ao término do verão cada um segue sua vida, mas o período vivido naquele verão irá marcar suas vidas para sempre.  

OBS: E quem disse que o amor é como a sociedade diz que é? O amor é um sentimento digno de todos e nessa brilhante história dirigida por Ang Lee, ele foi representado em seu maior tom de desejo, paixão e intensidade. Diga não ao preconceito.