segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

'Universo em Expansão' 3º ano


Uau, nunca imaginei que conseguiria manter um blog por 3 anos. Alguns meses ele ficou esquecido, confesso. Faculdade, trabalho, vida adulta e tudo que pode nos afastar da internet apareceram, mas eu sempre acabei voltando. Expandir o Universo é uma ação que deve sempre ser seguida de mudanças. Mudei bastante nesses três anos. Quem me conhecia em 2010 pode confirmar isso. Acredito que meu universo se expandiu muito. Conheci muitas pessoas, mudei meus gostos, aprendi que só eu posso guiar a minha vida e não dependo da opinião de ninguém. Quantos filmes, livros, séries, bandas, músicas e artistas entraram na minha vida? Muita coisa não mudou apenas se fortificou. Em fevereiro de 2010 eu já era fã de Evanescence, Harry Potter e do Stephen King e isso só se intensificou nesses três anos. Tornei-me um cinéfilo e conheci pessoas que compartilham dos mesmos gostos. Realizei sonhos, chorei com eles e construí novos caminhos pra minha vida. Aquele Wilton  de 2010 não teria o mesmo futuro que o Wilton de 2013 tem. Não que eu saiba tudo sobre futuro, mas eu sei que sou dono do meu. Minhas escolhas mudaram, mas meus amigos não. 




Continuo amando como se fosse o único amor da minha vida. Continuo cantando alto sozinho no meu quarto e chorando com os livros que me rodeiam. Gosto de passar a mão na lombada do livro e sentir que ele é meu... Compartilho o gosto de comprar um livro, mesmo sabendo que tenho muitos outros para ler antes.. Continuo cheirando livros, um vício permanente. Minha coleção de filmes de terror tem ganhado novos adeptos de suspense e drama. Minhas músicas continuam a serem tocadas no meu quarto. Continuo acordando tarde e as vezes com mau humor. Continuo confundindo pé com mão e mão com pé ( só os melhores sabem disso ). Ainda me imagino sentando na cadeira de um entrevistador e contando tudo sobre minha vida de sucesso... Continuo pensando em escrever um livro que dê tanto medo nas pessoas que elas comprem apenas pelo conforto de saber o fim da história. Sonho em conhecer cada canto do mundo e falar todos os idiomas possiveis. 
Acho que meu universo se expandiu muito e se fui capaz de fazer isso em menos de um terço de década, o que será dos próximos dez anos? Será que vai existir universo? Será que eu vou existir? Será que as pessoas ainda vão continuar amando as outras? Será que o mundo vai evoluir? Será que existe evolução? Eu não posso responder essas perguntas, pois como eu disse, só comando o meu futuro. Eu sei que o meu futuro depende de muitas constantes, mas gosto de pensar que eu posso ser o único nessa jornada.



Às vezes tenho uma sensação estranha de que tudo é um sonho e de repente vou acordar e perceber que nada foi real. As vezes minha cabeça de ilusão pensa que sou o único no mundo e que as pessoas que estão ao meu redor são criações do meu cérebro. Tem dias que tudo parece tão perfeito que dá vontade de abraçar e viver eternamente aqueles momentos na chuva, no cinema, na roda com os amigos ou aquele beijo que te faz parar de pensar por alguns minutos... Tem dias que o tédio e a "aparente" depressão dominam cada espaço do nosso corpo e as horas passam em apenas lentidão. Sabe aqueles dias em que você deita no chão e fica olhando pro céu a contar satelites ou apenas refletindo sobre sua vida? Ou quando você está em um lugar diferente e olha pra beleza que faz de tudo perfeito registrando cada instante no seu coração, como se tudo dependesse daquilo? Eu sinto isso sempre, e gosto da sensação. Isso é expandir o universo. É você não fechar a porta para sonhar. Pensar nas pessoas como estrelas e juntas formarem uma constelação cada vez maior. Não importa se é utopia, o importante é sonhar. Posso dizer que o bem maior que aprendi nesses três anos foi o poder do sonho. Sou um sonhador e quero multiplicar meu universo.




Vou finalizar esse monte de palavras que deu vontade de escrever com um agradecimentos ao pessoal que ainda passa pelo meu blog. Eu pensei que não existiriam leitores, já que ele era um projeto único, reservado apenas para mim, mas fico feliz que as pessoas compartilham meus gostos e opiniões. Perdoe-me por erros ou coisas do tipo, afinal errar faz parte de crescimento. Espero que muita coisa mude, e que no aniversário de 4 anos eu possa dizer que meu universo se expandiu muito em pouco tempo. É claro, sempre preservando as boas pessoas, aos bons momento e os bons gostos. E como bem diz Mario Quintana: " Sonhar é acordar-se para dentro."



"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

( Carlos Drummond de Andrade )

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Culpa é das Estrelas - John Green


Autor: John Green
Editora: Intrínseca
2012

Existem alguns livros que tem um dom para nos emocionar, “A Culpa é das Estrelas" faz parte desse "hall" de obras. Não posso dizer que a história é impressionante e surpreendente, até porque o livro não promete isso, mas ela é honesta, melancólica e doce. 


Desde que iniciei a ler eu pensava que chegaria um momento que iria derramar lágrimas, e confesso, estava ansioso por isso. A última vez que chorei de verdade em um livro foi ao final de "A Menina que roubava Livros", obra que hoje faz parte da minha estante de favoritos, lugar que agora, " A Culpa é das Estrelas " também ganhou um espaço. O fato do livro em questão tratar de morte não o torna dramático nem triste o tempo todo. Hazel e  "Gus" são personagens encantadores, sinceros, simples e acima de tudo honestos. Como são pacientes de câncer o "lidar" com a morte prematura se tornou algo "comum" para a vivência de ambos, e durante as páginas do livro você se vê envolto em questões filosóficas e que o bom humor dos protagonistas faz com que se tornem engraçadas. 


“ Às vezes as pessoas não têm noção das promessas que estão fazendo no momento em que as fazem. "
 


 Algo interessante e que faz a narrativa fluir é o humor negro, especialmente do Gus. A narrativa não tem apenas um rumo. A história de amor, às vezes sem intensidade, que os dois constroem; a busca pelo 'final' de um livro que os dois gostam; a viagem para Amsterdã e as conversas construídas e discutidas por Hazel e Gus fazem da história, escrita em 1ª pessoa, muito simples e fácil de fluir. 


“– Eu estou – ele disse, me encarando, e pude ver os cantos dos seus olhos se enrugando. – Estou apaixonado por você e não quero me negar o simples prazer de compartilhar algo verdadeiro. Estou apaixonado por você, e sei que o amor é apenas um grito no vácuo, e que o esquecimento é inevitável, e que estamos todos condenados ao fim, e que haverá um dia em que tudo o que fizemos voltará ao pó, e sei que o sol vai engolir a única Terra que podemos chamar de nossa, e eu estou apaixonado por você.”



Não vou fazer uma resenha do livro e nem ficar usando mais argumentos para descrever a história. Acho que a resenha está explicita nessa frase, " Uma história de amor entre dois jovens em estado terminal". Para finalizar fica a indicação para leitura. Talvez esse livro seja apenas mais um romance para adolescentes, mas ele me tocou de alguma forma. É como se os personagens não quisessem sair da minha mente. Espero que consigam rir e chorar, assim como eu pude experimentar com a leitura.
 



 " Sem a dor, não poderíamos reconhecer o prazer."
 


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Les Miserables - Os Miseráveis

Na última sexta-feira (01 de fevereiro) estreou no Brasil o filme " Les Miserables" ( Os Miseráveis), obra adaptada do livro homônimo de Victor Hugo e que teve 8 indicações ao oscar de 2013. O filme é um musical,  e era aguardado por ter em seu elenco atores de peso como Hugh Jackman, Anne Hathaway e Helena Bonhan Carter.



O enredo se passa na antiga França e conta a história de Jean Valjean, um ex-presidiário que após longos 19 anos consegue sua "liberdade". Sua prisão foi motivada pelo roubo de um pão, para alimentar a fome de seu sobrinho. Após se ver livre, Jean convive com a dificuldade de ainda ser visto como um criminoso, mesmo já tendo cumprido sua sentença. Após algumas recusas, ele acaba ganhando abrigo de um bispo e sua bondade, porém, furta a prataria que pertence ao homem de Deus. 

Mesmo com a descoberta do roubo, o bispo não o condena e permite que ele possa reerguer sua vida novamente, dando a ele a prataria roubada. A partir do ocorrido, Valjean cria sua redenção se transformando em um homem rico e reconhecido pela sua bondade. Os erros do passado de Jean são um fantasma e possuem um nome: Jarvet. 

A história dele se entrelaça com a de Fantine, uma jovem empregada de sua fábrica que se vê obrigada a vender seu corpo após ser demitida. Fantine manda todo o seu dinheiro para criar sua filha. Quando Valjean descobre que ela foi demitida, resolve ajudá-la, e antes da morte da jovem promete descobrir onde Cossete ( filha de Fantine) vive, e dar a ela uma vida "digna". No meio disso tudo, ele precisa se desvencilhar de Jarvert que sempre aparece buscando encontrar novamente seus erros e o condenar a mais anos de prisão.



Através deste enredo as histórias de Jean Valjean, Jarvert, Fantine e Cossete se ramificam. Um fato importante para a narrativa do filme, e para quem leu o livro mais perceptível, é a miséria do ser humano. Torna-se óbvio pensar que o assunto seria discutido quando se deparamos com o título, mas acredito que Victur Hugo se referia a algumas atitudes humanas quando pensou em " Os Miseráveis". Seria justo penalizar o roubo de um pão para matar a fome? O que seria do homem se não consegue lidar com a sobrevivência em cada dia? A bondade e a redenção antagonizariam a miséria? Perguntas intrínsecas na narrativa, mas que evidenciam os motivos do enredo.

Falando de cinema, é impossível não notar a beleza das atuações do filme. Foi um fator muito corajoso permitir que mais de 90% de todas as falas seriam "cantadas" ( é claro pra justificar a classificação de musical, hehe ). Corajoso porque o " grande público " não está acostumado a musicais, e muitos estranhariam. Bom, ao menos percebi isso quando fui ver o filme, pois havia alguns desavisados na plateia.



A primeira parte da trama esta focada em Jean e Fantine ( Hugh Jackman e Anne Hathaway ), que não deixamos de mencionar são os grandes destaques de atuação. Anne consegue interpretar Fantine de forma tão fidedigna, fazendo de atos "questionaveis" como, vender seu próprio cabelo e corpo, se transformarem em simplórios para o motivo maior. Também descobrimos a beleza das vozes de ambos, que maestralmente produzem sua história por meio de hinos. 

O ponto crucial e aguardado do público é a conhecida canção " I dreamed a Dream", cantada por Anne em um momento ao qual a sua miséria e seus sonhos se cofundem em um solo de choro. Essa cena, com toda a certeza, alavancou a convocação da atriz para as grandes premiações como o Oscar e o Globo de Ouro.

Anne Hathaway ganha o "Globo de Ouro" por sua atuação em "Les Miserables"


A segunda parte, iniciada com o crescimento de Cossete, é protagonizada pela jovem e Marius ( Amanda Seyfried e Eddie Redmayne), que vivem um romance em meio a revolução. Este ponto do filme é complicado, pois você se vê livre do carisma de Jean e Fantine, e começa a se deparar com os jovens apaixonados, que apesar de talentosos, não são tão carismáticos. Um ponto negativo é que a revolução não se explica muito bem e acaba sendo apenas um cenário para os acontecimentos.

Um ponto alto é a atuação de Samantha Barkes como Epopine. Ela nos brinda com uma antagonista não do amor de Cossete e Marius, pois apesar de amar o rapaz ela não é egoísta como se espera, mas sim o antagonismo da miséria e da falta de caráter de seus pais ( aproveitando a deixa para mencionar as engraçadas cenas de Helena Bonhan Carter ), já que foi criada dessa forma, mas tem seus próprios ideais, que talvez incluam morrer de amor.

Gostei muito da direção de arte e da fotografia, e apesar de ter sido ótimo como Jarvert, Russel Crowe não teve muito carisma em um musical, e em minha opinião ficou em segundo plano.

No mais, o filme encerra com um plus de atuações brilhantes e emocionantes de Anne e Hugh, nos deixando a sensação de que o filme foi deles, e apesar das possíveis cadeiras vazias que os cinemas brasileiros terão, "Les Miserables" se confirma como um dos grandes lançamentos do ano. Apaixonante.