("pelo poder da verdade, eu,
enquanto vivo, conquistei o universo” – frase original na peça teatral The Tragical History of Doctor
Faustus, de Christopher Marlowe )
Após quase 10 anos de “ O
Senhor dos Anéis” ter revolucionado o cinema com três filmes clássicos, chegou
as telonas no último dia 14 de dezembro “O Hobbit – Uma jornada Inesperada” (The
Hobbit - An Unexpected Journey,). O lançamento do filme que para os
fãs de aventura e fantasia era o mais aguardado do ano, não esconde que houve
uma “ jornada” e tanto para que ele pudesse ser lançado. Brigas, intrigas e
mudanças de direção e produção fizeram com o que o filme, baseado no livro de
J.R.R.Tolkien, demorasse a chegar aos cinemas mundiais.
O Público da série do anel
mudou, assim como o mundo nesses últimos 10 anos. A tecnologia 3D é a realidade
mais “ real “ do cenário atual e grandes produções chegam ao público quase todo
mês. Será que as aventuras de Bilbo Bolseiro fariam o mesmo sucesso? Será que o
público fiel retornaria mais velho e maduro? Peter Jackson conseguiria
retransmitir aquele sentimento de aventura que nos foi passado há quase uma
década? O mundo de Tolkien poderia ser reconstruído? As respostas para essas
perguntas são SIM.
O filme lançado na última
sexta-feira começou um pouco lento, talvez para relembrar os fãs e os admiradores
o que é o Condado, Bilbo e aquele sentimento irlandês que o filme nos deixa. A
aparição inicial de Frodo, apesar de pequena, também deixa evidente essa
necessidade.
O filme tem mais diálogo, não é caracterizado
apenas com batalhas( apesar de elas
existirem e serem bem feitas ), e a ideia de aventura e jornada evidenciam que
apesar de ter os personagens da trilogia do anel, “ O Hobbit “ é uma estória a
parte e pode ser vista por aqueles que não viram os outros filmes.
Os efeitos especiais e a
fotografia são um grande destaque. São cenas de batalha e cenários que nos
deixam com vontade de viver aquela estória. O 3D, apesar de dar um tom de
grandeza aos efeitos especiais, se tona dispensável em grande parte do enredo.
O filme não faz uso da tecnologia de forma gratuita, jogando objetos do nada no
público ou coisas do tipo, portanto é interessante ver em 3D, mas pode se
escolher no 2Dtambém.
Após a jornada começar e a
percepção do caminho da estória se fazer presente, tudo fica mais rápido. Um
filme com 2 horas e 40 minutos se permite apresentar diálogos e explicações necessárias,
mas nada disso atrapalha o percurso de Bilbo, Gandalf e os anões em busca de
seu reino perdido. Acredito que tudo foi muito bem pensado e o roteiro foi bem
trabalhado com a ideia do livro de Tolkien, afinal um livro para três filme
permite que quase tudo seja aproveitado.
Somente uma coisa me deixou
cansado na história, mas que mesmo assim nos deixa com o coração na boca. O
fato de Bilbo e Cia se salvarem sempre no último momento. Sim é um clichê
necessário em aventuras, mas acredito que poderia ser explorado de outra forma
pelo diretor.
Minha cena favorita foi a
que emocionou a todo fã de Tolkien. O canto dos anões. Apesar de ter visto dublado
( sim, eles dublaram a canção ), foi muito bom ouvir aquela melodia entoar o
inicio da jornada.
Para finalizar e deixar que
cada um faça sua avaliação da estória ( pois filmes são únicos para cada um ),
fica uma ansiedade imensa para o próximo lançamento, que se não me engano chega
aos cinemas daqui a um ano. É bom saber que temos algo a esperar para
lançamentos no próximo ano, isso nos deixa com expectativa e vontade de explorar.
Para quem se interessar, o livro “O Hobbit” de J.R.R.Tolkien é uma experiência
e tanto para leitores e admiradores de boa literatura.
SINOPSE OFICIAL:
"A aventura segue a jornada de Bilbo Bolseiro, que é levado à épica
missão de retomar a posse do reino dos anões, Erebor, do dragão Smaug. Abordado
inesperadamente pelo mago Gandalf, o Cinzento, Bilbo se encontra no meio
de treze anões liderados pelo guerreiro Thorin Escudo-de-Carvalho. A jornada os
levará ao desconhecido, por terras repletas de Goblins e Orcs, lobos selvagens,
aranhas gigantes, metamorfos e feiticeiros. Apesar de sua missão estar no leste, nas desoladas terras da Montanha
Solitária, primeiro eles devem passar pelos túneis dos Goblins, onde Bilbo
encontra a criatura que mudará sua vida para sempre, Gollum. Aqui, sozinho com Gollum, às margens de um lago subterrâneo, o discreto
Bilbo Bolseiro não apenas descobre sua astúcia e coragem, mas toma posse do
"precioso" anel de Gollum, um objeto com inesperadas qualidades. Um
simples anel que muda o destino da Terra Média de formas que Bilbo não consegue
nem começar a compreender". Fonte:http://omelete.uol.com.br/hobbit/cinema/o-hobbit-leia-sinopse-oficial-de-uma-jornada-inesperada/
Conclui a leitura das quase 1.000 páginas do recente traduzido livro do Stephen King " Sob a Redoma" ( Under the Dome). Lançado nos Estados Unidos em 2009, a tradução só chegou ao Brasil em outubro de 2011. Aguardado pelos fãs do escritor, o livro começou a ser feito em meados de 1975, mas ele não prosseguiu com a estória deixando o projeto de lado. Entre perdas e retornos, a estória de Chester's Mill ficou conhecida pelo grande número de páginas ( não assustando os fãs, por estarem acostumados com novelas grandes do autor ) e pela ideia de ter uma " redoma " envolta a um lugar. Mas, o que é uma redoma? Segundo o dicionário a palavra quer dizer: 1- espécie de campânula de vidro usada para proteger objetos delicados ou alimentos. 2- (Figurado) - diz-se de uma situação superprotetora. No caso do livro, a redoma não é propriamente de vidro, na verdade durante toda a estória é um grande mistério a descoberta do material que envolve a cidade.
Para ser mais simples e exato no relato do que ocorreu; No dia 21 de outubro de 2009 uma pequena cidade do Maine amanhece envolta por uma estranha redoma. Nada entra e nada pode sair, a não ser vapor e uma parcela de ar. A situação é inédita no mundo, e as autoridades logo fazem da cidade o centro das atenções de todos os principais pesquisadores do mundo. Enquanto isso, a população de Chester's Mill se vê separada do mundo exterior. Despreparada para aquela situação inesperada, acidentes, mortes, brigas, perguntas e mistérios fazem do pacato lugar uma zona de guerra, e em questão de alguns dias a população que, até então era simples como qualquer outra pequena cidade do interior, passa a lutar para sobreviver e escolher suas armas para o " imprevisível
" futuro.
Além da situação outros fatores fazem do livro especial, como a grande
dimensão dos personagens. King nos permite ver a ótica do ocorrido por meio de
vários personagens, e isso desde crianças ( destaque para o Joe ) até cachorros
( Horace ). É uma maneira diferente de fazer da narrativa de 960 páginas se
tornar interessante. Ficamos ansiosos pra ver o que ocorre com alguns
personagens, tentamos adivinhar suas próximas ações e isso é sensacional.
Outro fator que destaco, que já é característica do autor, é o retrato da
sociedade nessa pequena cidade. As perguntas que você se faz logo que começa
o livro são: " Como essas pessoas se comportarão em meio essa
situação?". Sim, eles tem mantimentos, casa, água, amigos e formas de se
manterem vivos, mas o que a redoma pode acarretar? Como surgiu aquilo, e
porque? Além de ser um mistério o surgimento da " capsula " em volta da cidade o fato
de apenas aquele lugar estar naquela situação e também outros mistérios que
envolvem, pois não é simplesmente estar ali. Junto com o "
nascimento" da redoma houveram mortes, pois logo no inicio do livro um
avião colide com a proteção. Mortes fazem o começo de tudo, e conforme as tentativas
de explicação se prolongam você vai conhecendo os personagens.
Eu achei muito interessante a narrativa, pois me lembrou " A Dança da
Morte". Talvez por ambos serem longos livros e com muitos personagens, mas
na medida que " Sob a Redoma" caminha, você vai percebendo aquela
divisão entre o bem e o mal, que na história em questão seria melhor vista como
" certo " e o " errado ". A diferença é que em
"Sob a Redoma" o mal tem muito mais adeptos, já que em busca de
respostas e confortos, os habitantes da cidade acreditam em Big Jim, o segundo
vereador que se torna um tirano e assassino durante o percorrer da história. O
lado do bem é composto por Barbie, um ex militar escolhido pelo governo
americano ( que tenta encontrar uma solução para retirar a redoma ) para
liderar a cidade, a jornalista do jornal da cidade que tenta mostrar as
verdades, a dona de uma lanchonete e o escolhido médico da cidade Rusty, além
de parentes e aqueles que não concordam com o jeito de Big Jim governar a
situação.
Uma redoma pode separar mundos e pessoas
Além dos ocorridos na cidade ( que são bem interessantes ), o lado exterior
também se preocupa com a redoma e a cidade do Maine se torna o centro das
atenções. O leitor vê apenas pela perspectiva dos personagens como tudo está
ocorrendo, e não sabemos bem como tudo está sendo analisado, mas durante os
dias em que a situação se prolonga são feitas algumas tentativas para destruir
a redoma, porém todas falham. Para finalizar esse resumo da estória, outros
pontos que são discutidos, mas em esfera menor no livro são: religião, ufologia e
quem sabe uma analogia à ditadura e se estamos preparados para ocorridos desta
magnitude.
Ponto positivo do livro ao meu ver é a forma como o autor mantém o enredo
interessante. Este livro tem muita morte e muito sangue, mas ele não te deixa
tão apegado ao personagem ao ponto de dizer " Putz não acredito!". É
como se você já estivesse preparado para a morte dele, e só esperasse por
aquilo. Um exemplo disso é o inicio da estória que já aponta para um acidente.
A linguagem que já é conhecida pelos fãs não falha e a tradução de coisas
simples que todos pensamos e fazemos ( muitas vezes escondemos dos outros ) é
explicitada nos personagens deste livro. " Sob a Redoma" é sobre a
fragilidade do ser humano. É sobre o quão pequeno somos no universo e nos damos
tanta importância, sendo que isso em alguns momentos não significa nada.
No vídeo abaixo King fala sobre o livro. Publicado em 2009.
Um ponto negativo, que em alguns livros do escritor é possível perceber, é a
falta de desenvolvimento de alguns temas. O mestre do terror é muito preciso
sobre o que quer dizer com determinados fatos e perde quando tenta estender a
gama de assuntos no livro. Um exemplo neste livro é o caso do mistério com as
crianças no Hallowen. De primeiro momento parece que a conexão que acontece com
as crianças é um up no enredo, pois todas começam a desenvolver ataques
com previsão sobre o Hallowen, mas depois isso vai perdendo o foco, até não
mais existir, e poderia muito bem não ter ocorrido.
Destaque: Uma das partes que mais gostei foi o que ocorreu no supermercado
da cidade. Para quem não leu, não é interessante saber então não leia.
Resumindo seria assim: A cidade tem um supermercado e apesar de a redoma estar
sob a cidade a poucos dias e quase todos terem mantimentos suficientes, ter o
supermercado aberto é uma segurança de que tudo ainda está sob controle. Para
causar uma confusão e depois colocar a culpa em Barbie ( o militar nomeado como
chefe pelo governo ), Big Jim, o segundo vereador, manda seus
"policiais" armarem uma confusão em frente ao local. Primeiro ele
ordena que seja fechado por ordem da prefeitura. Só isso já causa um grande transtorno,
pois ninguém esperava isso e a segurança da população se acaba. Após isso, Big
Jim ordena o inicio de uma confusão jogando uma pedra em meio ao povo. A pedra
atinge uma pessoa, e de repente tudo vira uma loucura. Não existe humanidade
mais. As pessoas quebram a porta do mercado e correm para suas mercadorias.
Imagine uma grande liquidação de alimentos com pessoas famintas. É pior do que
isso. Como se fosse uma liquidação por pedaços de carne em meio a famintos, o local se vê em uma briga por mantimentos. Pessoas correm e são pisoteadas,
brigam e se estapeiam por causa de carne. O objetivo de Jim foi alcançado e a
cidade vira uma guerra.
A "guerra" no supermercado é interessante,
pois nos faz refletir a que ponto o ser humano chega quando está sob pressão.
Todos ali estão com medo, aflitos e sem respostas. Todos procurar um refúgio, e
quando se veem sob mais pressão fazem coisas sem pensar como se fossem
animais. King é mestre em colocar pessoas em situações distintas e sob pressão
e imaginar as suas possíveis ações ou movimentos.
BookTrailler de Sob a Redoma.
Foi uma leitura muito agradável e o grande número de páginas não é empecilho
e fica super recomendado. Espero que leiam e gostem, e quem sabe logo teremos
um filme, pois livro de Stephen King virando filme já é normal.
Em 2007, mesmo ano em que King recomeçou a trabalhar em Sob a Redoma,
a 20th Century Fox lançava no cinemas o filme d’Os Simpsons, cuja trama
girava em torno de um acidente ecológico causado por Homer Simpson, que
acionava o governo dos EUA a cercarem a cidade de Springfield com uma
redoma gigantesca, para evitar o vazamento das substâncias tóxicas.
Quando o livro foi lançado
em 2009, as comparações foram inevitáveis. Chocado pelo acontecido,
King, publicou em
seu site 120 páginas manuscritas de The Cannibals para provar que sua ideia já datava desde a década de 70.
O sucesso de Sob a Redoma
foi tão estrondoso que o diretor Steven Spielberg comprou os direitos de adaptação pouco depois
do lançamento do livro. A DreamWorks Television se prepara para exibir
futuramente no canal Showtime, uma mini-série baseada no livro, cujo
piloto foi escrito por Brian K. Vaughan (roteirista de LOST).
O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.
William Shakespeare
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que
não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando
que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Clarice Lispector
" O medo está em nossas mentes, e nos controla o tempo todo " - Amy Lee
Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
Platão
A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo.
Voltaire
Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem.
Jean-Paul Sartre
" Meu medo é não estar, onde você quer que eu esteja." Wilton B.