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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Retrospectiva Blogal - Melhores Leituras de 2014

Aproveitando que hoje, 07 de janeiro, é dia do leitor, publico minha lista de melhores leituras do ano de 2014. 

O saldo foi positivo. Foram 40 livros, uma média de 3,33 livros ao mês. Poderia ter sido melhor, mas nos últimos meses do ano foquei no meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) e minhas leituras ficaram em segundo plano.

Neste ano que passou descobri autores incríveis como Gabriel García Márquez, Ira Levin, Lygia Fagundes Telles, entre outros; além de abrir novas possibilidades de leituras, me enveredando para os livros históricos e de política, novo interesse pessoal.

Segue então minha lista das 10 melhores leituras de 2014:


Harry Potter y las Relíquias da la Muerte - J.K.Rowling



Foi na verdade uma releitura da obra fantástica mais importante do século XXI, mas desta vez em uma tradução espanhola. Ler em um outro idioma é uma nova experiência. Consegui me emocionar novamente, reviver aqueles anos em que cresci com Harry e sua turma, época em que eu e meus amigos passávamos horas discutindo os possíveis finais para a série. Lembro-me que enquanto lia as páginas amarelas da minha edição em capa dura da Editora Salamandra, sentia a adrenalina nas partes finais e me emocionei novamente com o final desta série épica. O idioma espanhol me permitiu reler o livro como se o tivesse lendo pela primeira vez. Surpreendi-me várias vezes com as expressões e traduções diferentes do idioma espanhol. 

Como Esquecer - Myriam Campello



Este livro é uma poesia narrada em primeira pessoa. Um romance sobre a dor e um diálogo interior destinado a ninguém. A protagonista, Júlia, é tão dramática e trágica como qualquer personagem Shakesperiano; só não chega ao dito fato do "suicídio" por ser covarde e ainda ter um pequeno apego à vida. Também gostei do filme nacional, protagonizado por Ana Paula Arósio. De foma brilhante ele consegue passar a ideia de apego, desapego, dor, amor, desamores e, assim como o livro, deixa uma sensação de melancolia, uma herança da protagonista. 
Uma leitura nacional que me surpreendeu. Rápida, mas eficaz. Aliás, as leituras nacionais ganharam espaço em 2014. Além deste, li outros 8 livros brasileiros, todos me agradaram à sua forma.


A Sociedade do Anel - J.R.R.Tolkien



O ano de 2014 também foi o ano em que minha "biblioteca" particular mais aumentou. Ganhei muitos livros; comprei mais ainda. Talvez deva-se ao fato de trabalhar em uma livraria, mas acho que o "fato" de trabalhar em uma livraria é porque amo livros. Entre as tanta edições que comprei, pude permitir-me comprar a trilogia do Senhor dos Anéis, edição de colecionador. Tive que fazer a releitura deste clássico nessa nova edição e no ano passado pude ler o primeiro volume: A Sociedade do Anel. Apesar de conhecer bem a história, ler Tolkien sempre reserva boas surpresas e tive uma semana de leitura bem prazerosa. A trilogia é simplesmente uma das minhas favoritas. Tenho certeza que posso relê-la dezenas de vezes e sempre descobrirei coisas novas.

1Q84 - Haruki Murakami




Nunca tinha lido um livro japonês. Sou fã do cinema de terror asiático e vejo animes desde que me entendo por gente, mas livros, nunca havia lido nada. Me interessei por 1Q84 pelo título, que remete ao clássico de Orwell, 1984. Alguns amigos já o haviam lido e me indicaram muito ler a trilogia do escritor japonês mais lido no momento. Resolvi dar uma chance quando o box da trilogia chegou à livraria. Que surpresa boa! Acompanhei cada capítulo ansioso pelo próximo; é incrível como Murakami consegue ir do comum à ficção sem parecer apelativo. Detalhista e cheio de referências orientais e ocidentais; ler Murakami é adentrar em um mundo paralelo onde os personagens são tão ou mais humanos quanto o leitor. Foi, com certeza, uma das grandes surpresas de 2014.

As veias abertas da América Latina - Eduardo Galeano



Este livro é um verdadeiro clássico e é leitura obrigatória para quem deseja entender, compreender e emitir opinião sobre a história e a política da América Latina. É claro que o uruguaio Galeano é um esquerdista nato, mas em "As veias abertas da América Latina" ele destrincha a história latina desde seu descobrimentos aos seus ferrenhos anos de ditadura. Por meio de fatos (todos bem explicados e referenciados), Galeano nos ajuda a entender o porquê do nosso subcontinente continuar sendo subdesenvolvido, subjugado e com problemas seculares que teimam em se repetir . Li também um livro de direita que fala sobre a história da América. A série, "Guia politicamente Incorreto" é feita, normalmente, por jornalistas da Revista Veja e apesar de ser bem escrita e apresentar alguns fatos interessantes, peca quando diferente de Galeano, apresenta boatos como fatos, sem referências, apenas com hipóteses. 
Para entrar em uma discussão é necessário no mínimo um pouco de discernimento e compreensão do tema. Emitir opinião, apenas por emitir não é válido. Acho que o livro de Galeano é um clássico, pois nos ajuda a sair deste senso comum e desta síndrome de vira-lata, característica do sofrido povo latino.

1984 - George Orwell


Sempre fui fã de distopias e sou um leitor ávido de séries juvenis como Jogos Vorazes e Maze Runner, sendo a última lida no ano de 2014, uma boa surpresa. As séries juvenis, geralmente, têm um quê de 1984, sempre com referências, mas com um tom mais de aventura, até porque são livros cujo foco principal é o simples divertimento. 1984 é um livro muito simples e de fácil leitura. Você vai se envolvendo naquele mundo controlado por todos os lados, percebendo referências a regimes totalitários; buscando acontecimentos parecidos com os relatos de Winston na nossa sociedade atual. Existem várias referências que podemos perceber na nossa sociedade, isso porque o livro de Orwell foi escrito na década de 1940. Li o livro de uma vez, em uma edição antiga da biblioteca da minha universidade. Em poucos dias já o havia terminado, mas quedou a sensação de que a história ainda tinha muito a nos dizer. A obra-prima do autor inglês é com certeza uma das mais geniais do século XX, e merece uma prioridade para quem ainda não a leu.

O amor nos tempos do Cólera - Gabriel Gárcia Márquez



Sabe quando um livro te conquista logo nas primeiras páginas? Assim foi com o "O amos no tempos do cólera". Era uma noite comum e estava entediado, em uma ressaca literária depois de ler O Senhor dos Anéis. Não tinha planos  de ler o livro naquele momento, mas o abri, apenas por abrir, e resolvi começar a ler algumas páginas por curiosidade. Quando dei por mim estava chegando à página 50, e parecia que o tempo havia voado. Apaixonei-me pela história de amor perfeitamente realista de Florentino e Firmina; um típico romance latino. A história é de uma leveza... Você se envolve com as tramas e com os caminhos dos personagens de tal forma, que mal nota quando o assunto já mudou e os nomes já não são os mesmos.
Gabo é mestre em relatar os mitos que assombram uma cidade ou uma família, como bem fez em seu clássico livro Cem anos de Solidão. Em O amor nos tempos do Cólera, o colombiano, ganhador do Nobel, não relata apenas um amor: ele relata amores, paixões, sensações e atrações típicas do universo humano e da sua fragilidade perante os sentimentos. O livro me apaixonou e poderia muito bem ser o topo desta lista, mas por uma questão de motivos fica com um 4º lugar digno de 1º. 

Eclipse Total - Stephen King



Não poderia faltar um Stephen King na minha lista. Em 2014 eu li três livros do meste: Eclipse Total, Ao Cair da Noite e Joyland. O conto N, presente em Ao Cair da Noite, e a forma como Joyland relata sutilmente acontecimentos de uma vida  foram surpresas ótimas no ano e também entram na lista de favoritos. Mas, apesar de todos eles me surpreenderam de forma boa, Eclipse me marcou de  forma diferente. 
A cena principal tão bem relatada no livro (e que ficou em segundo plano no filme) me aterrorizou muito, demonstrando mais uma vez o imenso talento que tem o mestre do terror em contar histórias. Ele é especializado em cidades pequenas onde, aparentemente, nada acontece. Porém, segredos sempre fazem parte destes lugares que teimam em existir no mapa.
 Dolores Claiborne, a personagem principal do livro, se tornou uma das minhas favoritas do universo Kinguiano. Uma mulher que sempre se anulou pelos outros, muito parecida com milhões de mulheres que, pelo bem da família, esquecem-se de que têm uma vida.
Um dos mérito do livro é a narração em primeira pessoa e a forma detalhada e extremamente sincera em que ela é dada. Uma outra característica do King que sempre surpreende é o fato de ele antecipar o principal acontecimento, aquele que dá sentido ao livro. Para quem leu ou pretende ler, a cena do poço é simplesmente uma das mas aterrorizantes e uma das minhas favoritas.


Rosemary's baby (O bebê de Rosemary) - Ira Levin



Dizem que ler uma tradução te faz perder pelo menos 40% da história original. Não acredito que seja tanto, se você realmente tiver com uma boa tradução em mãos, mas o fato é: ler no original é bem melhor. Minha história com O bebê de Rosemary é antiga. Tenho uma lembrança do filme ter me aterrorizado na infância, mas é uma lembrança turva, talvez até uma criação da minha mente. Já mais adulto tive a oportunidade de ver o filme e ele se tornou um dos meus favoritos logo de cara. A cena final me aterrorizou como nenhuma outra cena até então. Lembro-me que fiquei de olhos arregalados,  todo o suspense e a atmosfera que o filme cria durante o enredo entram em ebulição com o final. 
Quando descobri que existia o livro, o busquei como louco, mas estava esgotado no Brasil e achei que demoraria muito para ter a possibilidade de lê-lo. Após comentar com um amigo sobre o filme, soube que ele tinha o livro em inglês, e apesar de ter me aventurado em línguas estrangeiras por poucas vezes (li Harry Potter, Cujo e alguns livros da série Goosebumps em inglês) aceitei o desafio e resolvi ler Rosemary's baby. Que leitura incrível. Tão eficaz quanto o filme, mas de uma forma mais pretensiosa. O  livro nos apresenta uma Rosemary mais forte, talvez um pouco mais certa do que vai descobrindo, isso sem perder o tom frágil. A história se desenvolve com bons diálogos e descrições, e a leitura em inglês me permitiu absorver melhor cada detalhe do livro. O vocabulário é simples, não é complicado. A cena final reproduziu a mesma sensação do filme; pude me arrepiar mais uma vez, e tive certeza, ao fechar o livro, que acabara de ler um clássico. 
Depois resolvi ler a continuação, O filho de Rosemary, escrito pelo autor décadas depois. Me arrependi. A história não é envolvente e os personagens perdem a "graça". Leia apenas Rosemary's Baby e aproveite, pois o livro foi recentemente relançado no Brasil.

Cem Anos de Solidão - Gabriel Gárcia Márquez



É até difícil falar da importância deste livro para mim em 2014, e por que não dizer na minha vida. Cem anos de Solidão é mais do que um clássico mundial; é a bíblia da América Latina. É o livro mais latino que já li e talvez vá ler. Foi meu primeiro do Gabo e o que me apresentou ao seu realismo mágico, à sua prosa detalhista e aos seus personagens humanos cheios de superstições e até preconceitos. Não posso deixar de dizer que no principio achei tudo muito estranho: Quantos nomes parecidos; Qual é mesmo a ordem dos fatos?; De quem estamos falando agora? Mas essa estranheza faz parte da leitura do livro. Chega a ser comum. Logo já estava me aventurando na Aldeia de Macondo, ultrapassando suas gerações, conhecendo suas paixões e desonras, seus grandes feitos de guerra. Por várias vezes pensava estar lendo um livro brasileiro. Uma história no sertão nordestino. Os personagens, tão latinos e tão acostumados aos seus infortúnios, lembravam-me das histórias da minha avó, nascida no Rio Grande do Norte, no tempo em que as mulheres ainda casavam antes mesmo de se esquecerem das poucas bonecas de pano que haviam ganhado de algum estranho na rua. As cenas, tão bem descritas, se projetavam na minha imaginação e do riso eu ia às lágrimas.
Cem Anos de Solidão não é um livro para qualquer leitor; é necessário ter essa noção regional, talvez uma paixão pela terra, um nacionalismo nato. A família Buendía e suas extensas gerações não deixavam Macondo quase nunca; apenas quando a guerra teimava em interromper-lhes a vida ou a morte se aproximava do povoado, que depois virou cidade. 
2014 me apresentou a um personagem que em 2014 nos deixou: Gabriel García Márquez, o mais latino dos escritores. Os três livros dele que li já o fazem um dos meus favoritos, e tenho plena certeza de que Gabo ainda me reservará bons anos de solidão.

"O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão." - Cem anos de Solidão

terça-feira, 3 de junho de 2014

Mr.Mercedes: Novo livro de Stephen King

Foi lançado hoje nos EUA o novo livro do americano Stephen King: "Mr. Mercedes". Autor de clássicos como " A Coisa", "Carrie" e o "O Iluminado", King é reconhecido como o mestre do gênero do terror e possui uma legião de fãs pelo mundo e também no Brasil.



A novela conta a história de um homem que, após fugir da justiça, assassina várias pessoas com sua Mercedes-Benz. O crime ocorre em uma fila de empregos e é o estopim para instigar um velho detetive aposentado que tenta capturá-lo e, assim, evitar uma tragédia em escala maior.

Recentemente a editora americana, Hodder & Stoughton, liberou uma prévia de 10 páginas do livro. Só esse trecho já deixou os leitores com ânsias de lê-lo. Com toques de suspense policial e terror psicológico, "Mr.Mercedes" promete centenas de páginas empolgantes que remetem aos velhos romances de Stephen King.



A editora brasileira do americano é a Suma das Letras e já promete a tradução para 2015. A Suma vem fazendo um bom trabalho no relançamento de antigos clássicos e traduções de livros de Stephen inéditos no país.

Enquanto a versão em português não chega, podemos reler o maravilhoso "Misery", que foi relançado após  20 anos de seu lançamento no Brasil. Em agosto temos também o relançamento de "A Coisa", com uma nova tradução, e em novembro "Doctor Sleep" chega às livrarias brasileiras prometendo mais um sucesso do mestre em terras tupiniquins.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Carrie - Remake de 2013 moderniza a história

Passei os últimos meses ansioso pela estreia da nova versão de "Carrie", filme baseado no romance de Stephen King. Não sei se o fato de ser fã da versão de 1976 dirigida por Brian De Palma influenciou na minha expectativa, mas confesso que estava curioso sobre este remake. Refilmagens geralmente não agradam aos fãs do original, mas, não sendo mesquinho posso dizer que este novo filme  não me desagradou. 

As três "Carrie", Sissy (1976); Angela Bettis ( 2002) e Chlöe ( 2013)


Percebi uma Carrie mais ansiosa por socialização e um enredo mais mastigado. O filme em si não segue a linha do terror, com cenas noturnas, escuras e tenebrosas. É mais um filme adolescente com um tema sobrenatural. O fato de quase nada ficar subjetivo, talvez se explique na necessidade dos jovens de hoje em exigir tudo bem explicado. As câmera captam a ação do começo ao fim.



Uma  coisa que não me agradou foi Carrie controladora dos seus poderes. Em 1976 Sissy Spaceck representou uma garota assustada com seus feitos sobrenaturais, ansiosa por agradar seus colegas, mas dependente da mãe e da relação familiar. O tom de loucura é perceptível no olhar e nos gestos da Carrie versão antiga. Já a Carrie moderna é mais controlada e ciente dos seus poderes, mais infantilizada e, ao menos na cena do baile, o rosto de Chlöe Moretz representa um desejo incontido de matar e um controle absoluto de seus poderes. Os gestos com a mão não deixaram o filme pior nem melhor, mas não seguem bem o perfil da personagem do livro. O rosto de Chlöe reflete um desejo de vingança e não a loucura da versão original.



A diretora, Kimberly Peirce, optou por fazer um filme moderno ( onde celulares, computadores e todo tipo de tecnologia fazem parte do mundo da menina estranha rejeitada por todos ); criou uma relação familiar entre mãe e filha mais aberta; e salvou alguns personagens. A fotografia, mesmo com seus tons claros ( como a cena do entardecer quando Tommy Ross busca Carrie para o baile ), foi um ponto positivo. A trilha sonora não agradou tanto quanto a versão de De Palma e as atuação foram boas. Os efeitos especiais foram bacanas para um filme com pouco orçamento, e a presença de Julianne Moore abrilhantou a obra.



O filme em um geral me agradou como fã de Stephen King e tendo Carrie como minha personagem favorita. Acredito que os adolescentes de hoje não vão entender muito bem a mensagem original da história, mas trazer o clássico para o mundo atual tem os seus benefícios. É interessante ver as duas versões como obras separadas, mas a comparação é inevitável. 



Não deixem de vê-lo no cinema, vale o ingresso e é um bom remake. Nos próximos anos nos parece que haverá muitas outras obras de King nas telonas. Vamos esperar e torcer para que sejam boas e tragam inovação para o gênero do terror.

OBS: Gostei muito da divulgação do filme, traillers e pôsteres;
OBS²: Ao ver as versões deve-se levar em consideração a época em que foram produzidas;


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sob a Redoma - Stephen King



Conclui a leitura das quase 1.000 páginas do recente traduzido livro do Stephen King " Sob a Redoma" ( Under the Dome). Lançado nos Estados Unidos em 2009, a tradução só chegou ao Brasil em outubro de 2011. Aguardado pelos fãs do escritor, o livro começou a ser feito em meados de 1975, mas ele não prosseguiu com a estória deixando o projeto de lado. Entre perdas e retornos, a estória de Chester's Mill ficou conhecida pelo grande número de páginas ( não assustando os fãs, por estarem acostumados com novelas grandes do autor ) e pela ideia de ter uma " redoma " envolta a um lugar.  Mas, o que é uma redoma? Segundo o dicionário a palavra quer dizer: 1- espécie de campânula de vidro usada para proteger objetos delicados ou alimentos. 2- (Figurado) - diz-se de uma situação superprotetora.  No caso do livro, a redoma não é propriamente de vidro, na verdade durante toda a estória é um grande mistério a descoberta do material que envolve a cidade.

Para ser mais simples e exato no relato do que ocorreu; No dia 21 de outubro de 2009 uma pequena cidade do Maine amanhece envolta por uma estranha redoma. Nada entra e nada pode sair, a não ser vapor e uma parcela de ar. A situação é inédita no mundo, e as autoridades logo fazem da cidade o centro das atenções de todos os principais pesquisadores do mundo. Enquanto isso, a população de Chester's Mill se vê separada do mundo exterior. Despreparada para aquela situação inesperada, acidentes, mortes, brigas, perguntas e mistérios fazem do pacato lugar uma zona de guerra, e em questão de alguns dias a população que, até então era simples como qualquer outra pequena cidade do interior, passa a lutar para sobreviver e escolher suas armas para o " imprevisível " futuro.



Além da situação outros fatores fazem do livro especial, como a grande dimensão dos personagens. King nos permite ver a ótica do ocorrido por meio de vários personagens, e isso desde crianças ( destaque para o Joe ) até cachorros ( Horace ). É uma maneira diferente de fazer da narrativa de 960 páginas se tornar interessante. Ficamos ansiosos pra ver o que ocorre com alguns personagens, tentamos adivinhar suas próximas ações e isso é sensacional. Outro fator que destaco, que já é característica do autor, é o retrato da sociedade nessa pequena cidade. As perguntas que você se faz logo que começa o livro são: " Como essas pessoas se comportarão em meio essa situação?". Sim, eles tem mantimentos, casa, água, amigos e formas de se manterem vivos, mas o que a redoma pode acarretar? Como surgiu aquilo, e porque? Além de ser um mistério o surgimento da " capsula " em volta da cidade o fato de apenas aquele lugar estar naquela situação e também outros mistérios que envolvem, pois não é simplesmente estar ali. Junto com o " nascimento" da redoma houveram mortes, pois logo no inicio do livro um avião colide com a proteção. Mortes fazem o começo de tudo, e conforme as tentativas de explicação se prolongam você vai conhecendo os personagens.

Eu achei muito interessante a narrativa, pois me lembrou " A Dança da Morte". Talvez por ambos serem longos livros e com muitos personagens, mas na medida que " Sob a Redoma" caminha, você vai percebendo aquela divisão entre o bem e o mal, que na história em questão seria melhor vista como " certo " e o " errado ". A diferença é que em  "Sob a Redoma" o mal tem muito mais adeptos, já  que em busca de respostas e confortos, os habitantes da cidade acreditam em Big Jim, o segundo vereador que se torna um tirano e assassino durante o percorrer da história. O lado do bem é composto por Barbie, um ex militar escolhido pelo governo americano ( que tenta encontrar uma solução para retirar a redoma ) para liderar a cidade, a jornalista do jornal da cidade que tenta mostrar as verdades, a dona de uma lanchonete e o escolhido médico da cidade Rusty, além de parentes e aqueles que não concordam com o jeito de Big Jim governar a situação.

Uma redoma pode separar mundos e pessoas


Além dos ocorridos na cidade ( que são bem interessantes ), o lado exterior também se preocupa com a redoma e a cidade do Maine se torna o centro das atenções. O leitor vê apenas pela perspectiva dos personagens como tudo está ocorrendo, e não sabemos bem como tudo está sendo analisado, mas durante os dias em que a situação se prolonga são feitas algumas tentativas para destruir a redoma, porém todas falham. Para finalizar esse resumo da estória, outros pontos que são discutidos, mas em esfera menor no livro são: religião, ufologia e quem sabe uma analogia à ditadura e se estamos preparados para ocorridos desta magnitude.

Ponto positivo do livro ao meu ver é a forma como o autor mantém o enredo interessante. Este livro tem muita morte e muito sangue, mas ele não te deixa tão apegado ao personagem ao ponto de dizer " Putz não acredito!". É como se você já estivesse preparado para a morte dele, e só esperasse por aquilo. Um exemplo disso é o inicio da estória que já aponta para um acidente. A linguagem que já é conhecida pelos fãs não falha e a tradução de coisas simples que todos pensamos e fazemos ( muitas vezes escondemos dos outros ) é explicitada nos personagens deste livro. " Sob a Redoma" é sobre a fragilidade do ser humano. É sobre o quão pequeno somos no universo e nos damos tanta importância, sendo que isso em alguns momentos não significa nada.

No vídeo abaixo King fala sobre o livro. Publicado em 2009.



Um ponto negativo, que em alguns livros do escritor é possível perceber, é a falta de desenvolvimento de alguns temas. O mestre do terror é muito preciso sobre o que quer dizer com determinados fatos e perde quando tenta estender a gama de assuntos no livro. Um exemplo neste livro é o caso do mistério com as crianças no Hallowen. De primeiro momento parece que a conexão que acontece com as crianças é  um up no enredo, pois todas começam a desenvolver ataques com previsão sobre o Hallowen, mas depois isso vai perdendo o foco, até não mais existir, e poderia muito bem não ter ocorrido.

Destaque: Uma das partes que mais gostei foi o que ocorreu no supermercado da cidade. Para quem não leu, não é interessante saber então não leia. Resumindo seria assim: A cidade tem um supermercado e apesar de a redoma estar sob a cidade a poucos dias e quase todos terem mantimentos suficientes, ter o supermercado aberto é uma segurança de que tudo ainda está sob controle. Para causar uma confusão e depois colocar a culpa em Barbie ( o militar nomeado como chefe pelo governo ), Big Jim, o segundo vereador, manda seus "policiais" armarem uma confusão em frente ao local. Primeiro ele ordena que seja fechado por ordem da prefeitura. Só isso já causa um grande transtorno, pois ninguém esperava isso e a segurança da população se acaba. Após isso, Big Jim ordena o inicio de uma confusão jogando uma pedra em meio ao povo. A pedra atinge uma pessoa, e de repente tudo vira uma loucura. Não existe humanidade mais. As pessoas quebram a porta do mercado e correm para suas mercadorias. Imagine uma grande liquidação de alimentos com pessoas famintas. É pior do que isso. Como se fosse uma liquidação por pedaços de carne em meio a famintos, o local se vê em uma briga por mantimentos. Pessoas correm e são pisoteadas, brigam e se estapeiam por causa de carne. O objetivo de Jim foi alcançado e a cidade vira uma guerra.
 A "guerra" no supermercado é interessante, pois nos faz refletir a que ponto o ser humano chega quando está sob pressão. Todos ali estão com medo, aflitos e sem respostas. Todos procurar um refúgio, e quando se veem sob mais pressão fazem coisas sem pensar como se fossem animais. King é mestre em colocar pessoas em situações distintas e sob pressão e imaginar as suas possíveis ações ou movimentos.

BookTrailler de Sob a Redoma.



Foi uma leitura muito agradável e o grande número de páginas não é empecilho e fica super recomendado. Espero que leiam e gostem, e quem sabe logo teremos um filme, pois livro de Stephen King virando filme já é normal.

EXTRAS ( FONTE:  http://www.kingofmaine.com.br/obras/romances/aquecimento-sob-a-redoma/sobre-o-livro/ )

Em 2007, mesmo ano em que King recomeçou a trabalhar em Sob a Redoma, a 20th Century Fox lançava no cinemas o filme d’Os Simpsons, cuja trama girava em torno de um acidente ecológico causado por Homer Simpson, que acionava o governo dos EUA a cercarem a cidade de Springfield com uma redoma gigantesca, para evitar o vazamento das substâncias tóxicas.
Quando o livro foi lançado em 2009, as comparações foram inevitáveis. Chocado pelo acontecido, King, publicou em seu site 120 páginas manuscritas de The Cannibals para provar que sua ideia já datava desde a década de 70.

O sucesso de Sob a Redoma foi tão estrondoso que o diretor Steven Spielberg  comprou os direitos de adaptação pouco depois do lançamento do livro. A DreamWorks Television se prepara para exibir futuramente no canal Showtime, uma mini-série baseada no livro, cujo piloto foi escrito por Brian K. Vaughan (roteirista de LOST).

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O " sentir medo" que não assusta

Como foi o seu Hallowen? Choveu? Viu algum filme de terror? Foi um dia comum? 
É fato que no Brasil o " Dia das Bruxas" não é tão lembrado como em outros países, mas ainda assim é uma data especial para mim, já que Hallowen é só mais um motivo pra ver um bom filme de terror, ou algo do tipo. Resolvi fazer uma reportagem pro jornal da faculdade sobre o tema " terror ", aproveitando a data. Não me aprofundei muito no assunto, mas vou postar aqui o texto. Espero que gostem. Lembrando que o webjornal para qual escrevo é o ComTexto (http:// comtexto.unopar.br/ ), então aproveite esses últimos segundos de Hallowen e se prepare para o próximo.  

OBS: Aproveitei o texto e coloquei a entrevista que fiz com o Boni, criador e moderado do site " King of Maine" (http://www.kingofmaine.com.br/ ), mais atualizado site sobre Stephen King no Brasil, e também da página no facebook sobre o autor, que já tem mais de  800 seguidores. Agradecendo a colaboração do Boni, Ingrid ( LOLA ) e o Jean. ;D

Sentir medo é apreciado por fãs de terror

O gênero tem muitos adeptos no país e são os mais procurados na semana do Dia das Bruxas



Sabe aquela sensação de aflição e arrepio que faz a “alma gelar”? E a percepção de que há alguém te perseguindo e te vigiando o tempo todo? Os fãs do gênero  terror amam essas sensações, e o medo é só mais um motivo para ver um bom filme. Com o “ Dia das Bruxas” os cinemas lançam diversas películas do gênero, que se tornou um dos mais apreciados nos últimos anos.
Mas por que gostar de sentir medo? É o que tenta explicar o professor Jean Carlos Gouveia. Para ele o sentimento em um livro ou filme é se aproximar dos medos da realidade. “O sobrenatural encanta e acho que a adrenalina de um filme de terror nos coloca mais próximo desse sobrenatural. Tentar entender o desconhecido, ou o mistério da morte por exemplo, talvez como uma forma de enfrentar nossos próprios fantasmas interiores”, conta o professor que não gosta de terror sangrento e nem filmes que tenham palhaços. “ Tenho fobia de palhaços”, afirma.

Os filmes de terror podem ser divididos entre psicológicos e sangrentos. Filmes como “ Jogos Mortais” apelam mais para as cenas que envolvem mutilação e sangue, enquanto longas  como  “ O Exorcista” para cenas de suspense e medo constante.

Segundo o moderador e um dos criadores do mais atualizado site sobre o escritor americano Stephen King, Boanerges Neto o terror psicológico é mais interessante. “ Eu prezo mais o terror psicológico do que o visual. Uma tortura psicológica com certeza vai me apavorar mais do que ver uma menina tendo sua cabeça cortada ao meio. Eu me assusto mais pelo horror que pessoas comuns são capazes de produzir do que monstros ou serial killers”, afirma.

O fã de Stephen King e apaixonado pelo terror acredita que as pessoas gostam de sentir medo em filmes e livros. “ É um sentimento seguro, você não vai ser atacado ou morto por ninguém, mas tem a possibilidade de emular isso e por isso essa liberdade segura encanta todos os amantes de terror”, conta.

Segundo a psicóloga Sandra Regina Galvão gostar de sentir medo é normal, mesmo em filmes. “O medo está  relacionado a um extinto de sobrevivência. As reações fisiológicas que temos diante de um risco são defesas, e ao ver ou ler algo de terror temos essa experiência, uma adrenalina relacionada ao risco assistido ou lido” conta.


Museu traz sala com personagens de terror

Ambientado em uma sala com música e luzes que fazem do clima mais propicio, museu de cera possui sala especial para fãs de terror

Jason + Eu no museu de Cera


O museu de Cera Itinerante  DreamLand recentemente trouxe seu acervo para Londrina, mas especificamente no shopping Catuaí. Dentre as atrações uma sala com personagens conhecidos de filmes de terror é uma das partes mais visitadas. 

Freddy + Eu no Museu de Cera

Ambientada com luzes vermelhas e uma trilha sonora de arrepiar, a sala tem personagens como o assassino perseguidor de sonhos Freddy Gruguer, o Vampiro Drácula e o seria killer Jason.

Segundo o responsável pelo museu na cidade João Paulo da Silva, os personagens ficaram separados do restante, que inclui cantores, atores e personalidades, pois nem todos gostam de filmes do gênero. “ Muitas pessoas não entram na sala, pois tem medo, então eles ficam separados e os que gostam podem se ambientar na sala”, explica João Paulo.
O museu também conta com acervo de cantores, personalidades, atores e ícones do cinema mundial.

Escritor Americano é cultuado no Brasil

Conhecido como o “ mestre do terror”, Stephen King é o mais adaptado autor na atualidade e tem inúmeros fãs no país

Alguns dos meus livros do Stephen King



Durante mais de 30 anos o escritor americano Stephen King vem sendo cultuado pelos fãs do gênero com o principal escritor de terror da atualidade. Com mais de 60 livros lançados, dentre eles clássicos como “ O Iluminado”, “ À Espera de um Milagre” e “ Carrie, a Estranha”, King possui muitos fãs no Brasil.

" Carrie " foi o primeiro livro lançado do escritor
A estudante de psicologia Ingrid Lohmann é fã do escritor. “ Gosto da maneira como ele descreve as cenas e os personagens. Gosto do foco dele nos personagens, faz a gente se envolver com eles, torcer por e sofrer por eles”, explica Lohmann.
O moderador do site “ King of Maine”,  Boanerges Neto,  conta como é manter o mais atualizado site sobre o autor no Brasil. “Eu tenho uma pequena equipe comigo. Um cuida da parte mecânica do site, os outros ajudam na revisão e na elaboração de notícias. Para postá-las procuro sites de renome e sempre procuramos fazer entrevistas e assuntos relacionados aos fãs do Brasil”, afirma. O site possui este nome em alusão ao sobrenome e estado de nascimento do escritor.
Boni, como prefere ser chamado, acredita que o gênero de terror tem perdido apreciadores nos últimos anos, pois houveram mudanças na forma como os filmes são produzidos. “Os filmes de antigamente procuravam assustar mais o espírito, e hoje em dia  temos histórias que só se preocupam em mostrar tripas de fora e assustar os olhos. Isso meio que enjoa rápido pra quem tem bom gosto”, conta o moderador.




 DICA DE HALLOWEN:  Um bom filme pra ver no Hallowen é o próprio Hallowen. Já falei sobre ele em um post anterior ( presente na categoria terror ), portanto vou só deixar o trailler. Doces u travessuras?