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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Retrospectiva Blogal - Filmes de 2014

O ano que terminou foi, sem sombra de dúvidas, o que melhor aproveitei meu tempo, entre livros, filmes, viagens, trabalho e estudo. Pude organizar melhor os filmes que queria ver, e à partir das várias indicações que recebi e críticas que li, escolhi assistir bons filmes. Alguns,acima da média, me surpreenderam e entrara para o hall dos favoritos; outros me decepcionaram ou foram medíocres. Não sou nenhum especialista em cinema, muito menos um crítico; sou apenas um apreciador da sétima arte, e talvez caminhe para ser um cinéfilo, talvez. 

A lista que se segue, portanto, é apenas uma lista pessoal (como toda e qualquer lista de 'melhores') sem nada técnico que a faça perfeita. Não vi todos os filmes que estrearam nos cinemas, vi apenas os que faziam parte do meu gosto. Posso ter perdido alguns bons, mas também me surpreendi bastante. 

São duas listas: a primeira com filmes antigos que tive a oportunidade de conhecê-los só em 2014; e a segunda com lançamentos do ano passado. Os comentários e a minha reação são baseados no que postei na rede social filmow, um site destinado a cinéfilos. 

Antigos

De Repente California - Jonah Markowitz



Apesar de ser um filme extremamente simples, sem grandes diálogos ou grandes atuações, "De Repente Califórnia" se tornou um clássico por ser cativante e pela forma, aparentemente normal, que lida com temas como a homossexualidade e o preconceito. É um filme sobre o amor com cara de vida real.

Abraços Partidos - Pedro Almodóvar



Um filme digno de folhetim. A magia das cores e das atuações se misturam e criam uma trama impossível de tirar os olhos. Só Almodóvar pra criar uma atmosfera que envolve tão bem a morte, a traição e o cinema. Penelope Cruz, como sempre à vontade nas obras desse espanhol, demonstra um total reconhecimento de si e uma segurança magnifica como Lena. O título é dos mais belos também: "Abrazos Rotos". Não havia título melhor para retratar  os contatos interrompidos pela trama da vida; a maior novela já escrita.

O beijo da mulher aranha - Hector Bábenco



Gostei muito. Boas atuações, um enredo com excelentes diálogos em um contexto triste, mas real. São Paulo na década de 80 tem um quê todo especial. O filme tem cenas muito bem sobrepostas, e é triste pensar que é quase desconhecido do público brasileiro. Quase que o nosso "Sonho de Liberdade" subdesenvolvido.  

Machuca - Andrés Wood



Encontrando as palavras certas para este filme. Diria que, através dos olhos de Gonzalo, você descobre o que a polarização extrema pode acarretar. Você percebe nos detalhes as diferenças sociais, que não existem perante uns, e que se evidenciam perante outros. 1973 é um ano emblemático para o Chile. 11 de setembro é a data mais temida pelos chilenos, que ainda hoje, sofrem com as consequências de 17 anos de uma ditadura ferrenha, assassina e brutal. "Machuca" demonstra com poesia e maestria aquele momento histórico e triste. Se você duvida da crueldade de um regime militar, é porque está fechando seus olhos para fatos. Machuca e Gonzalo; pobre e o rico; Esquerda e direita. Tá tudo ali tão evidente, e no silencioso olhar de Gonzalo você vê as injustiças sociais, o preconceito e as tão temidas diferenças. Uma aula de história com poesia.

Clube da Luta - David Fincher



Que filme louco, mas uma loucura boa daquelas que nos orgulhamos. O enredo é tão frenético e se transforma conforme o protagonista vai se desenvolvendo. Uma ótima atuação do Pitt e da sempre excêntrica e deslumbrante Helena Bonham Carter.

Abril Despedaçado - Walter Salles


Uma poesia no sertão brasileiro. Um filme cheio de tradições e simplicidades. Ressalta a brasilidade, e costumes sertanejos dos séculos anteriores.Uma fotografia linda e atuações ( Santoro me surpreendeu ) ótimas, Um dos melhores nacionais que já vi.

As Horas - Stephen Daldry



Que obra-prima. Não esperava menos de um filme com três atrizes deslumbrantes como Nicole Kidman, Meryl Streep e Julianne Moore. Você se envolve na poesia das personagens e no clima melancólico que assombra cada cena que, quando percebe, já está emocionado. Que emblemática foi a vida de Virginia Woolf, uma gigante da literatura mundial, que escolheu o seu próprio destino na luta contra a depressão. Um dos filmes que mais me emocionou e não consigo ainda definir meu último sentimento quando o terminei. Também não posso dizer quem atuou melhor, mas Julianne Moore se superou. Trilha sonora e fotografia também fizeram bonito e merecem destaque. Um dos melhores que vi esse ano!
"A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata."

Sociedade dos Poetas Mortos - Peter Weir



Que filme mágico. Ainda tenho lágrimas nos olhos que descrevem melhor a sensação de ver este clássico. Um filme, que entre tantas morais, nos faz refletir sobre a educação e seus métodos. É uma poesia cinematográfica; Robin Williams me surpreendeu. Nunca espero muito dele, e poxa, ele foi incrível. O poder da arte ( seja na poesia, no teatro ou na música ) é incitado em cada um dos jovens retratados. E, quem nunca sonhou em ser "artista"? Carpe Diem.
"A maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero." Henry Thoreau



LANÇAMENTOS


Hoje eu quero voltar sozinho - Daniel Ribeiro



"Hoje eu quero voltar sozinho" é um filme com uma beleza tão singela e terna, que é difícil não sair do cinema meio que apaixonado pelo longa. Se o curta já foi capaz de seduzir milhares de pessoas (diga-se de passagem que conheço vário estrangeiros que o conhece ), o longa vai apaixonar. A relação do primeiro amor, vista sem malícia. Como é se apaixonar sem a troca de olhares? A inocência e a independência. O filme só peca com alguns espaços vazios e diálogos desnecessários, mas complementa esses erros com uma trilha sonora incrível e atuações ótimas. Pra um filme alternativo e de pouca "grana", é um sucesso o que esse filme pode fazer. Sem preconceitos e com amor, isso eu diria pra quem vá assisti-lo.

Garota Exemplar - David Fincher



Um dos grandes filmes do ano, triste por não tê-lo visto nos cinemas, mas me reservou uma dose de apreensão e de suspense que fazia tempo não sentia. O grande mérito é do livro, porém o roteiro está incrível.
Ótimas atuações e uma boa atmosfera de suspense. Favoritado.

O lobo atrás da Porta - Fernando Coimbra



Filmaço, com uma atuação de Leandra Leal incrível. O filme vai do comum ( conjugal ) ao incomum (psicológico). Você não sabe bem quem é vítima e quem é o culpado. Provando mais uma vez que o cinema nacional é ótimo!

O Grande Hotel Budapeste - Wes Anderson



É um filme totalmente artístico com uma fotografia e poesia incrível. É tudo muito visual e até o roteiro se torna assim. As atitudes, que parecem muitas vezes infantis, das personagens são irônicas e criticam um sistema de governo que viria a se instalar naquela Europa oriental nos fatídicos anos de 1939-1945. A relação que o autor, Stefan Zweig, teve com o Brasil também é de se destacar. Ele foi o criador do ensaio Brasil: País do futuro e via na nossa nação um contraste com o que propunha Hitler: a purificação das raças. Brasil: um país onde as raças se misturam e, ao menos sob a visão de Zweig, vivem harmoniosamente. Um filme ao estilo do seu diretor. Muito Bom.

Boyhood - Richard Linklater



Boyhood é uma obra-prima contemporânea da vida cotidiana. É como muito bem define a mãe de Mason: "A vida é uma série de momentos", e realmente é. O que nos difere é como vamos passar por essas tapas; quase impossíveis de pular. Como também é definido no final: "o momento que nos curte". Acredito que Boyhood retrata muito bem o que é a rotina e a vida de milhões de pessoas por aí. É a arte no comum. Trilha sonora incrível; também é muito bom perceber traços do nosso próprio amadurecimento nas personagens. Um dos grandes filmes de 2014.

Interestelar - Christopher Nolan



Um longa é surpreendente. Eu não o esperava, não estava ansioso por ele e o assisti como um simples admirador de Christopher Nolan, o diretor. Eu também sou apaixonado pelo universo e seus temas, então, de certa forma "Interestelar" me evocava, assim como um buraco negro faz no cosmos. As quase três horas que passei no cinema foram intensas e uma experiência única. Experienciar o filme e as suas "teorias" é além do que o cinema comum produz. Poucos filmes penetram desta forma na nossa mente, transcendendo o "assistir", passando a uma verdadeira experiência da arte. As imagens, a trilha sonora e o tom Kubrickiano de Interestelar é o seu grande mérito, e em um ano em que poucos filmes brilharam, longe das estrelas, Nolan e seu elenco criou um clássico, que como 2001, vai ultrapassar gerações. Mera opinião de um fã.

Her (Ela) - Spike Jonze



Muito bom. Terno, fofo e com uma poesia brilhante no decorrer das cenas. Quando me contaram sobre o filme cheguei até a rir. Achei ridícula a ideia de amor entre uma pessoa e um sistema operacional, mas foi uma surpresa ver como tudo se desenrolou bem e que o sentimento realmente existiu. É pra deixar de duvidar de que, no amor, tudo é possível. Uma necessidade de um solitário que se transforma em um amor puro. Linda trilha sonora e fotografia. Crítico e inteligente, um bom filme pra te fazer chorar (se você é sensível assim como eu ). Assistir "Her" foi, com certeza, a melhor experiência cinematográfica de 2014. Para mim, é claro.



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Amy Lee lançará álbum solo

A vocalista do Evanescence, Amy Lee, lançará um álbum solo em parceria com o violoncelista Dave Eggar. O disco, intitulado "Aftermath", é a trilha sonora do filme "War Story" dirigido por Mark Jackson. A data prevista para o lançamento é dia 25 de agosto.

Em seu site oficial ( outra novidade para os fãs ) a vocalista do Evanescence postou sobre as música e o CD  "Mesmo que o filme seja muito sobre se sentir paralisado pela dor, essas músicas são sobre liberdade para mim. Eu confiei em mim, nós confiamos uns nos outros. Nós abrimos nossos corações e exploramos caminhos que nunca vivi antes - e eu encontrei inspirações em coisas que não sabia que gostava", contou Amy Lee.


1- Push the Botton
2- White Out ( feat Dave Eggar )
3- Remember to Breathe ( feat Dave Eggar )
4- Dark Water ( feat Malika Zarra )
5- Between Words ( feat Dave Eggar )
6- Drifter ( feat Dave Eggar )
7- Can't Stop What's Coming ( feat Dave Eggar )
8- Voice In My Head ( feat Dave Eggar )
9- Lockdown ( feat Dave Eggar )
 10- After ( feat Dave Eggar ) 

 O Evanescence não lança material novo desde 2011 quando o último álbum autointitulado  da banda estreou em 1º na Billboard. "Aftermath" é um trabalho solo de Amy, mas, para alívio dos fãs,  o Evanescence continua a existir. Recentemente a banda anunciou a saída da gravadora Wind-Up, pois o relacionamento com eles já não era dos melhores. Confira à seguir um teaser divulgado no canal do Evanescence no Vevo:


 No trailer de "War Story" é possível identificar trechos de "Lockdown", música que estará presente em "Aftermath":



terça-feira, 5 de agosto de 2014

Lançamento: "Se eu ficar" chega às livrarias e logo nas telonas

Um dos filmes e livros mais aguardados do ano, especialmente pelos adolescentes, é "Se eu ficar", romance escrito por Gayle Forman, jornalista e escritora americana. O livro foi best-seller do The New York Times e ficou por muitos meses esgotado no Brasil. Prestes a ser lançado nos cinemas, a editora Novo Conceito relança o livro que promete ser a nova sensação após o enorme sucesso do beste-seller " A Culpa é das Estrelas" de John Green.



" Se eu ficar" é um romance simples, terno e direto que conta a história de Mia, uma jovem musicista que tem uma vida tranquila e feliz ao lado de sua família e de seu namorado Adam. Tudo muda completamente quando o carro onde sua família estava sofre um grave acidente e a moça se vê em estado de coma. Veja à seguir a sinopse do livro:

"A última coisa de que Mia se lembra é a música. Depois do acidente ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo tirado dos destroços  do carro de seus pais, mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir aos esforços dos médicos para salvá-la, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... e o seu amor luta pra ficar perto dela. Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de sua vida... Se eu ficar."

Chlöe Grace faz o papel de Mia em " Se eu ficar"
Estou terminando a leitura do livro e o recomendo para àqueles que gostam de livros leves e com uma linguagem simples. A história tem uma protagonista que, apesar de ser certinha, tem atitudes e pensamentos que podem ser caracterizados como egoístas ou mesquinhos. Porém, esse é um dos méritos do livro, já que a trama se baseia em uma escolha. Mia deve ficar ou partir? Uma bela história espiritual e de amor à vida. Confira à seguir o trailer do filme que estreia no Brasil no próximo mês:


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Retorno + O Pacto - Joe Hill

Faz um tempo que não dou as caras por aqui. Não tenho uma desculpa plausível pra dar, apenas a de que não senti vontade de escrever nada durante as últimas semanas. Tive aquele tão famoso bloqueio literário (que eu considerava uma lenda). Nada do que eu tentei escrever saiu da primeira linha. Volto então na busca de novas inspirações e da concretização do meu projeto de TCC que é escrever um livro sobre o meu intercâmbio no Chile. Posto novidades logo que as tiver, pois o motivo desta postagem é outro.

O livro " O Pacto" de Joe Hill se revelou um dos meus favoritos dos últimos anos no gênero do terror. Hill, ( filho de peixinho peixinho é.. algo assim ) é filho do Stephen King, meu autor favorito. Aproveitando que hoje é dia 25 de julho, dia do escritor, gostaria de postar aqui o trailer e o cartaz do filme que é estrelado por Daniel Radclife  ( sempre famosos por Harry Potter ) e tem data de estreia nos EUA para o dia das bruxas ( 31 de outubro ). 




Na trama, o jovem Ig Perris ( Radclife ) é abalado pela morte e estupro de sua namorada sendo que ele se torna o principal suspeito. As investigações não revelam muita coisa e o tempo passa até o dia em que Ig acorda e se depara com um par de chifres em sua cabeça além de um estranho poder (ele escuta os segredos mais íntimos das pessoas) Com esse "dádiva", Ig resolve descobrir o assassino da sua namorada e se vingar. Vejo o teaser a seguir:


terça-feira, 20 de maio de 2014

"Hoje eu quero voltar sozinho"

Na última quinta-feira, 15/05, os londrinenses tiveram a oportunidade de irem ao lançamento do longa: " Hoje eu quero voltar sozinho", filme alternativo baseado no curta " Eu não quero voltar sozinho". A estreia se deu às 20:30 hrs no Cine Contour.



O filme dirigido por Daniel Ribeiro era muito aguardado, e eu era um desses ansiosos que contavam os dias pra vê-lo nas telonas. É claro que a ansiedade nasceu logo quando vi no Youtube o curta, que é  simplesmente encantador. O engraçado é que o tema sexualidade não é  centro das atenções no filme. O foco são as descobertas e a independência que se tornam realidade na vida dos adolescentes.



Pra quem não conhece a trama, o filme e o curta contam a história de Leo ( Guilherme Lobo), um garoto cego que em meio às descobertas comuns da adolescência, lida com sua deficiência e com a paixão por um novo colega de classe, o Gabriel, interpretado por Fábio Audi. Entre a vida "comum" de um adolescente, Leo e Gabriel criam um laço que vai além da amizade. Entre os dois, está Giovana ( Tess Amorim ). Melhor amiga de Leo, ela se envolve nesse triângulo, quando percebe ter ciúmes de Leo com Gabriel. Entre a busca por liberdade e independência, o longa vai se construindo conforme as personagens crescem e assumem as diferenças que existem entre eles. 

Além do fator sexualidade na adolescência, o filme trata sobre a tão sonhada independência e também sobre preconceitos. Neste longa o preconceituoso não é o vilão. Ele é simplesmente um babaca que quer ser engraçado. A história de Leo e Gabriel é retratada de uma forma simples e pautada nas descobertas. A medida que eles se percebem e criam um laço, o genuíno amor e o desejo são encarados de forma natural. 


Algo interessante é o fato do personagem principal ser cego. Esta característica foi tema também de preconceitos e de motivação de um conflito de Leo com os pais.

Outro ponto forte é a paixão sem a troca de olhares. Você consegue perceber o surgimento dos sentimentos com a forma como os toques se tornam importantes e com a ansiedade de ver um ao outro. Amor além de estigmas preconceitos e ideais.

" Hoje eu quero voltar sozinho" é um filme com uma beleza tão singela e terna que é difícil não sair do cinema meio que apaixonado pelo longa. Se o curta já foi capaz de seduzir milhares de pessoas ( diga-se de passagem que conheço vário estrangeiros que o conhece ), o longa vai apaixonar. A relação do primeiro amor vista sem malícia. Como é se apaixonar sem a troca de olhares? A inocência e a independência. O filme só peca com alguns espaços vazios e diálogos desnecessários, mas complementa esses erros com uma trilha sonora incrível e atuações ótimas. Pra um filme alternativo e de pouca "grana", é um sucesso o que esse filme pode fazer. Sem preconceitos e com amor, isso eu diria pra quem vá assisti-lo.

Em Londrina, o filme continuará em cartaz até o dia 28 de maio com sessões às 16 hrs, nos finais de semana,  e às 20:30 hrs durante a semana. A seguir segue o curta pra quem ainda não viu:


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pedro Almodóvar e o Cinema de Cores

Recentemente estive pensando sobre meus diretores favoritos, e consequentemente uma lista de mestres se formou na minha cabeça. Entre brasileiros, americanos e europeus resolvi escrever um pouco de alguns deles. O primeiro que escolhi é o espanhol Pedro Almodóvar, que possui quatro filmes na minha lista de favoritos. São eles: " Mala Educación", " La piel que habito", " Volver" e "Abrazos Rotos". 

 Pedro Almodóvar Caballero nasceu em 24 de setembro de 1949 ( ou 1951 ) na cidade de Calzada de Calatrava, Espanha.

Teve uma educação católica, mas que de certa forma o incitou a perder a fé em Deus. Desde criança já adorava cinema, e aos 16 resolveu ir para Madrid tentar a vida. Sem dinheiro e sozinho, seu sonho era fazer  e estudar cinema. Nessa época, a capital espanhola era um berço de cultura, arte e liberdade para qualquer provinciano.



Seu primeiro período em Madrid foi crucial para sua formação como diretor no futuro. Almodóvar trabalhou na Cia de Telefonia Nacional, e foi lá que conheceu os dramas da classe média espanhola em ascensão, que seria trama de suas obras futuras.  Com este trabalho, o jovem espanhol juntou dinheiro para comprar sua primeira câmera, uma Super-8, e a partir daí começou a gravar e escrever roteiros. Também publicou diversos textos em revistas alternativas em plena ditadura espanhola.

Foi só no inicio da década de 80 que lançou seu primeiro longa,  "Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón". A partir de então, Pedro Almodóvar se jogava completamente em cada trabalho, escrevendo, dirigindo, produzindo ou filmando. Seguiram-se outros sucesso como, "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" (1988), que foi indicado ao oscar de melhor filme estrangeiro.




Almodóvar se consagrou completamente como um dos mais promissores diretores da atualidade em 1999 quando foi indicado e ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro com " Tudo sobre minha mãe", além de indicações em vário prêmios.

Almodóvar e suas peculiaridades

Uma das características de Almodóvar é recorrer a alguns atores fetiche. É dizer que são artistas com quem o diretor trabalha com frequência. Um exemplo é a espanhola Carmen Moura, que trabalhou nos primeiros longas da carreira de Almodóvar, mas na década de 90 houve um rompimento da amizade depois de anos de parceria. Em 2006, a atriz voltou a trabalhar com o diretor em "Volver", porém não há indícios de que a amizade retornou.

Outra atriz espanhola que com frequência trabalha com Almodóvar é Penelope Cruz. A atriz sempre admirou o trabalho do diretor, e no inicio de sua carreira fez testes para o elenco de algumas produções do espanhol. Porém, foi só em " Carne Trêmula" ( 1997 ) que a parceria começou, e se repetiu em mais três produções.



Antonio Banderas deve a Almodóvar sua fama internacional, pois foi à partir do diretor que se tornou conhecido no exterior. Banderas trabalhou em diversas películas com Pedro, e é um dos seus atores preferidos.

Cinema Noir e o folhetim espanhol

Os filmes Noir ( pronúncia no-ar - francês - preto) são caracterizados em um primeiro momento como filmes policiais, derivados dos suspenses e filmes de terror da década de 1930 e atrelados historicamente à Grande Depressão. Com raízes cinematográficas no expressionismo alemão, eram gravados geralmente em preto e branco e seus personagens misteriosos, eram descritos em um ambiente sombrio.

"Mala Educación" possui várias características noir


Almodóvar incorpora muitas características dos films noir em suas obras. Um assassinato, personagens misteriosos e o suspense policial envolvendo a trama são continuamente utilizados pelo diretor.

Cores

As cores nas produções de Almodóvar exercem um papel crucial.  O diretor utiliza-se de cores fortes ( também chamadas de chilones ), e com elas expressa os sentimentos de seus personagens.



As paixões, as crenças, os medos e as aflições, são expressas nas roupas, nas paredes e na natureza vivaz que compõe o cenários das obras de Almodóvar.

Vermelho, azul, mostarda, laranja e verde fundem-se na desordem de manifestações geométricas, inspiradas nos quadros de Mondrian e Gatti. 





As mulheres almodovianas são facilmente entrelaçadas pela força das cores que as compõe e transmitem suas ações nos objetos em cena. O passado e características do diretor ( como o fato de ser homossexual ) chegam até as telonas por meio de referências e contextos que os roteiros de Almodóvar nos permite interpretar.

Eu só vi quatro filmes de Almodóvar, e me já me apaixonei pela obra do espanhol. Se você ainda não conhece, procure conhecê-lo, e quem sabe consiga identificar um pouco das características que envolvem os folhetins desse diretor-artista que diz muito aos bons observadores.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Retrospectiva Blogal - Melhores filmes de 2013

O ano de 20013 já acabou, mas as lembranças ainda não. No ano passado tivemos a oportunidade de ter boas estreias nos cinemas. Eu estive presente em alguns filmes, entre os que não entrarão na lista de cinco melhores que preparei, destaco: O ótimo brasileiro "Flores Raras", "Carrie" e"A Morte do Demônio". Essa retrospectiva de filmes terá as cinco melhores estreias no meu ponto de vista, e os sete melhores filmes que descobri e vi no ano passado. É claro que são opiniões, apenas isso. Utilizarei os textos que publiquei na rede social filmow.com. São comentários que fiz logo após terminar de ver o filme.

Sete melhores filmes:



7º Mulholland - Cidade dos Sonhos 




Em um primeiro momento você pensa: " Que filme estranho", mas logo você percebe a genialidade do diretor e roteirista. As cenas não são totalmente em ordem cronológica e você se pega pensando todo o tempo se tudo não passa de um delírio, ou de um "sonho". Ao meu ver são duas as cenas que não são totalmente parte de um grande sonho de Diane/Betty. A cena da festa e a cena em que se articula o assassinato.

Resumindo: vale a pena ver mais de uma vez para compreender por completo esse ótimo filme, com uma atuação brilhante de Naomi Watts.

6º Mala Educación - 




Incrível película do Almodóvar. Você percebe os traços do diretor e a genialidade no transcorrido de cenas. Você é desafiado a imaginar as tramas e desvendar as possibilidades em meio a um roteiro maravilhoso. Ele se utiliza da metalinguagem das cores ( especialmente o mostarda ), e a semiótica em várias cenas e, sempre que possível, se utiliza desses recursos pra tentar dizer um algo mais. Vale a pena vê-lo.

5º Donnie Darko - 



Um filme que precisa ser visto e analisado. Acredito que a história sempre abrirá um leque para novas possibilidades. A atuação de Jake Gyllenhaal foi incrível e a trilha sonora apaixonante. Não sei até que ponto compreendi o filme, mas pelo que entendi fui capaz de amá-lo. É complexo e simples. Amável e detestável. Aí depende de quem o vê e como o vê. Eu o amei e vi a complexidade de forma positiva.

4 º Túmulo dos Vaga-lumes



" É um daqueles que apertam o coração". Esse filme me fez chorar, e não acho que isso seja um caso isolado. Uma animação com mais de 20 anos e que encanta pela melancolia sem drama; pela beleza da relação entre dois irmãos (onde a guerra é um vilão secundário); e emociona com a pureza de um desenho com tema de adulto. Um filme que te faz pensar em quão mesquinho o ser humano pode ser, quando ninguém, no meio das suas próprias inquietudes, percebe aquelas duas crianças perdidas.

Túmulo dos vaga-lumes é um filme que entra pros meus favoritos e que já ganha um destaque neles." Por que os vaga-lumes morrem tão rápido?", eis a frase que fez da história um clássico ao meu ver.

3º O bebê de Rosemary 



Um suspense tecnológico que nos deixa uma sensação estranha no final. Talvez um dos finais mais perturbadores que já assisti. Basta apenas ter um pouco de sensibilidade. A maravilhosa direção de Polanski e a elegante e sensível atuação de Mia Farrow e também de Ruth Gordon fazem do filme melhor ainda. Um espectador ansioso ou pouco curioso talvez não conhecerá o terror de Rosemary que se dá conforme a tranquilidade de sua família se esvai. O terror contido neste filme é diferente. É preciso um olhar atento nas entrelinhas e ter uma percepção diferenciada. Se transformou em um dos poucos filmes que me tiraram o sono.

 O final não podia sair da minha cabeça. Foi assombroso e brilhante.  Não se fazem mais filmes de suspense como antigamente.

2º  Garota, Interrompida



Elogios não faltam pra este filme maravilhoso. Primeiro que a trilha sonora é mágica e encantadora... De todos os filmes que eu vi da Jolie, esse é o que eu acho que ela está melhor. Simplesmente o papel ficou perfeito nela. Longe dos geralmente " sexy " que ela faz. Winona está linda e triunfa com o personagem mais lúcido que eu já vi. Fica a dica pra um filme inesquecível, e que faz parte do meu rol de favoritos.

1º Into the Wild - Na Natureza Selvagem



Não sei bem por onde começar pra falar desse filme. Ele me emocionou de certa forma e me trouxe uma vontade muito grande de conhecer o mundo.

Talvez as pessoas confundam as realizações da vida. Ter um casa, casar, ter filhos são grandes realizações para determinadas pessoas, mas há alguns que nascem com um espírito aventureiro, e eu não creio que que esse realizar social seja suficiente. Como o velhinho ( não me lembro o nome ) na parte final do filme que descobre que sempre se escondeu nas suas obrigações e seus medos, mas que tinha uma vontade esquecida de se aventurar.

Gostei muito da atuação de Emile Hirsch como o Chris. Ele realmente faz o tipo "aventureiro". A trilha sonora desse filme é apaixonante e Eddie Vedder é minha nova música favorita, hehe. A fotografia nem preciso dizer que é apaixonante.

O sentimento final do filme é ótimo. Você fica com tristeza porque ele não alcançou seu "objetivo", mas também pensa que aquele sorriso final foi um " Puxa, vivi intensamente minha vida". E será que não é isso o importante? Finalizo com a frase que marca este longa que entra para os favoritos. "A felicidade só é verdadeira quando compartilhada", e porque não compartilhar?

5 Melhores Estreias de 2013

5º Invocação do Mal 



Muitos não entenderão o porque deste filme estar na lista, pois a produção não é lá das melhores e a história não foge dos clichês. Eu sentia falta de um bom terror já faz algum tempo, e por mais que este  não seja uma obra prima, ele me deu calafrios e me fez ter um pesadelo, portanto: cumpriu bem o seu papel.

Acho que o horror está instaurado nesse filme. O suspense nasce conforme os minutos se passam e não adianta esperar levar o susto em todas as possibilidades que geralmente ocorrem em filmes de terror, que este pode te surpreender. O enredo parece ser mais um, dos muitos, ambientados em uma assombrada casa, mas "Invocação do Mal" vai um pouco além. Ele pode ser considerado um dos melhores dos últimos tempo. Traz atuações brilhantes ( especialmente Vera Farmiga ); uma fotografia e cenário muito bacanas; e um roteiro sem muitas reviravoltas, mas que cumpre bem o seu papel.

Se você não se assustou nesse filme, talvez você deva revê-lo em uma outra oportunidade e em uma atmosfera diferenciada e com um pouco mais de atenção. Você pode não se assustar fácil, mas garanto que alguma coisa você vai sentir.

4º Em Chamas - 



Uma evolução de "Jogos Vorazes", o segundo filme da série surpreendeu com sua crítica intrínseca e melhores efeitos especiais. A série já tem milhões de fãs no Brasil e no mundo, dentre eles adolescentes que talvez não busquem nada mais do que entretenimento, mas existir filmes pra esse público que são capazes de dizer mais do que o comum nos diz é algo que já faz um tempo não ocorre. Gostei muito de "Em Chamas". Suas atuações estão boas; roteiro está bem escrito; trilha sonora e fotografia cumprem bem o seu papel. Um dos que mais me deixaram com aquela sensação de aventura no sangue.

3º O Hobbit - A Desolação de Smaug



A continuação de " O Hobbit - Uma Jornada Inesperada" é simplesmente um filme incrível. Gostei muito desta adaptação. A ideia de fazer um livro virar três longas me agrada neste momento, por perceber que se pode fazer muito mais pela história. As lendas épicas da terra média; os hobbits, elfos e anões; e a magia da qual fiquei órfão há alguns anos voltam neste segundo ano consecutivo com uma estreia maravilhosa. Não vou dizer muito, pois o filme ainda está no cinema e pode ser conferido. Vale a pena "perder" duas horas e meia por uma boa fotografia, um direção de arte incrível e mais alguns efeitos espetaculares que só a história de Tolkien pode nos proporcionar.

2º Os Miseráveis



Musicais não costumam me agradar, pois acho que é desnecessário dizer tudo em forma de música... mas " Os Miseráveis", não é só uma musical. É a concretização nas telonas do melhor livro que li na minha adolescência.

O romance de Victor Hugo permaneceu em primeiro lugar durante anos na minha lista de melhores. A aventura de Jean Valjean pelas ruas de Paris e os ecos da pobreza e da riqueza daquela época permearam pela minha mente durante a leitura deste romance clássico da literatura mundial.

Já o filme é simplesmente uma obra de arte, com atuações incríveis e uma capacidade esplêndida de emocionar. Tudo foi bem encaixado e a trilha sonora, que por si só já é incrível, foi maravilhosamente interpretada. Não preciso citar outros aspectos, pois o segundo lugar já está assegurado. Uma boa surpresa de 2013.

1º  Gravidade



A maior surpresa de 2013 e o melhor filme deste ano que se acabou. Um filme que vai da emoção até a angústia em poucos segundos. Ultrapassa a razão e chega ao extremo mais desconhecido do ser humano: o espaço.

Durante o filme me sentia arrepiado. Agustiante e sensacional. Senti várias emoções: desde o desespero até uma paz de espírito. Sandra Bullock mandou muito bem e posso dizer que foi um dos melhores  que assisti em 3D. A cena da lágrima foi a mais emocionante. Caindo e sendo levada pela gravidade no espaço. É de bater palmas de pé.

Não vou falar muito do filme, pois ele merece ser visto por quem ainda não o viu, pois quem já teve essa oportunidade com toda certeza irá concordar que é um filme e tanto.




quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Carrie - Remake de 2013 moderniza a história

Passei os últimos meses ansioso pela estreia da nova versão de "Carrie", filme baseado no romance de Stephen King. Não sei se o fato de ser fã da versão de 1976 dirigida por Brian De Palma influenciou na minha expectativa, mas confesso que estava curioso sobre este remake. Refilmagens geralmente não agradam aos fãs do original, mas, não sendo mesquinho posso dizer que este novo filme  não me desagradou. 

As três "Carrie", Sissy (1976); Angela Bettis ( 2002) e Chlöe ( 2013)


Percebi uma Carrie mais ansiosa por socialização e um enredo mais mastigado. O filme em si não segue a linha do terror, com cenas noturnas, escuras e tenebrosas. É mais um filme adolescente com um tema sobrenatural. O fato de quase nada ficar subjetivo, talvez se explique na necessidade dos jovens de hoje em exigir tudo bem explicado. As câmera captam a ação do começo ao fim.



Uma  coisa que não me agradou foi Carrie controladora dos seus poderes. Em 1976 Sissy Spaceck representou uma garota assustada com seus feitos sobrenaturais, ansiosa por agradar seus colegas, mas dependente da mãe e da relação familiar. O tom de loucura é perceptível no olhar e nos gestos da Carrie versão antiga. Já a Carrie moderna é mais controlada e ciente dos seus poderes, mais infantilizada e, ao menos na cena do baile, o rosto de Chlöe Moretz representa um desejo incontido de matar e um controle absoluto de seus poderes. Os gestos com a mão não deixaram o filme pior nem melhor, mas não seguem bem o perfil da personagem do livro. O rosto de Chlöe reflete um desejo de vingança e não a loucura da versão original.



A diretora, Kimberly Peirce, optou por fazer um filme moderno ( onde celulares, computadores e todo tipo de tecnologia fazem parte do mundo da menina estranha rejeitada por todos ); criou uma relação familiar entre mãe e filha mais aberta; e salvou alguns personagens. A fotografia, mesmo com seus tons claros ( como a cena do entardecer quando Tommy Ross busca Carrie para o baile ), foi um ponto positivo. A trilha sonora não agradou tanto quanto a versão de De Palma e as atuação foram boas. Os efeitos especiais foram bacanas para um filme com pouco orçamento, e a presença de Julianne Moore abrilhantou a obra.



O filme em um geral me agradou como fã de Stephen King e tendo Carrie como minha personagem favorita. Acredito que os adolescentes de hoje não vão entender muito bem a mensagem original da história, mas trazer o clássico para o mundo atual tem os seus benefícios. É interessante ver as duas versões como obras separadas, mas a comparação é inevitável. 



Não deixem de vê-lo no cinema, vale o ingresso e é um bom remake. Nos próximos anos nos parece que haverá muitas outras obras de King nas telonas. Vamos esperar e torcer para que sejam boas e tragam inovação para o gênero do terror.

OBS: Gostei muito da divulgação do filme, traillers e pôsteres;
OBS²: Ao ver as versões deve-se levar em consideração a época em que foram produzidas;


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"Em Chamas"- Sequência de Jogos Vorazes surpreende nos cinemas

A aguardada sequência de "Jogos Vorazes" foi o lançamento mais esperando neste mês de novembro. Os fãs assistiam a cada novo trailer com ansiedade e euforia. Mas, qual a sensação que ficou após o final deste segundo filme da série?



Primeiro, uma crítica do enredo do filme, com base na leitura da série C/ Spollers. Texto: Eduardo Ferreira


                Francis Lawrence conseguiu com maestria manter a essência da obra original de “Jogos Vorazes, Em chamas”. Não somente o enredo foi mantido, como a escolha de cenário, atores e efeitos especiais, levam o espectador a todo o momento a pensar que está relendo o livro. 

A segunda parte da franquia de Jogos Vorazes retrata como Katniss Everdeen e Peeta Mellark seguem suas vidas após terem vencidos a 74º edição dos jogos. Ambos se mudam para a Vila dos Campeões. Entretanto, uma visita  inesperada mexe com a vida pacata dos dois. Katniss é procurada pelo presidente de Panem, Snow, que a ameaça.  O gesto realizado por ela na última versão dos jogos acendeu na população dos  distritos uma fagulha de revolta contra a Capital. Tentando conter tal revolução, Snow obriga Katniss a fingir diante de todos que está perdidamente apaixonada por Peeta, caso contrário irá acabar com todos aqueles que ela ama. 


O casal parte em turnê pelos distritos fingindo uma paixão avassaladora. Cabe aqui elogiar a atuação de Jennifer Lawrence tentando "ser" uma péssima atriz, e acreditem, ela consegue. 

Os discursos feitos em cada Distrito renderam cenas incríveis. É emocionante ver os gestos de apoio à Katniss da população. No final, a turnê só serve para inflamar ainda mais o povo contra a Capital. O tordo de Katniss é o símbolo contra a opressão do governo. 

O presidente vê que não pode apenas matar o casal vitorioso, pois isso aumentaria a revolta, sendo assim, em homenagem ao Massacre Quaternário ( uma comemoração especial que ocorre a cada vinte e cinco anos) fica decidido que a septuagésima quinta versão dos Jogos, contaria apenas com a participação de um casal por distrito dos antigos vencedores. O Distrito doze tem apenas três vencedores, sendo que Katniss é a única mulher, ou seja, já está nos jogos.




Um parêntese a ser aberto, é quanto à seleção dos atores que interpretam os vencedores. Ela não podia ser mais assertiva. Eles conseguiram dar vida a seu personagem fidedignamente ao que lemos no livro. 

Como era de se esperar os escolhidos do Distrito Doze são Katniss e Peeta. Dessa vez Katniss sabe que somente um deles pode sair vivo da arena, e promete salvar a vida de Peeta. As alianças são inevitáveis. Mais da metade dos participantes têm interesse em uma parceria com o Doze, já que conhecem a habilidade da Garota em Chamas com seu arco. 


Duas passagens do filme chamam muita  atenção e deixam ansiedade. A primeira foi o desfile dos tributos. Muitos acharam o desfile do primeiro filme um tanto quanto fraco.  A cena descrita surpreendentemente no livro, deixou muito a desejar na versão cinematográfica. Já em "Em chamas", você perde o fôlego. Os efeitos especiais foram de arrepiar. 



A segunda cena foi a da entrevista dos tributos, quando Katniss vestida de noiva se transforma no tordo negro, deixando todos boquiabertos. 

Os jogos em si não tomaram muito tempo, já que o mesmo é uma ponte para "A esperança " (último capitulo da série) eles se desenrolam em pouco mais de meia hora, porém, são de arrepiar. 

É perceptível nas salas de cinema que muitos não compreendiam o porquê das atitudes de alguns personagens na trama. Quem não leu o livro se surpreende com o sacrifício de vários tributos para manter os participantes do Distrito Doze vivos. Até mesmo Katniss e Peeta ficam intrigados com isso. Só temos a resposta ao final, quando descobrimos que os Jogos desta vez não vão acabar como espera a Capital. 



Katniss usa uma falha do sistema para destruir o campo de força da arena, e consegue assim ser salva. Toda a revolução começa com uma fagulha e no caso dos Jogos Vorazes, essa fagulha se chama Katniss Everdeen. Uma coisa que deixou muitas pessoas com o coração na mão é quando descobrimos que a garota em chamas foi salva e enviada ao Décimo Terceiro Distrito (isso mesmo aquele distrito que todo mundo achou que havia sido destruído) e que, entretanto, Peeta não teve a mesma sorte.






Crítica de Cinema p/ Wilton Black:

 Uma grande evolução é facilmente percebida no desenrolar das cenas do filme. Talvez tenha sido a troca de roteirista. Michael Arndt transformou a aventura de Jogos Vorazes no empolgante "Em Chamas", superando as expectativas de fãs e críticos. No desenvolver da história, que tem pouco mais de duas horas, é possível perceber o clima de tensão criado nos distritos a partir do ato de "salvação" de Katniss no filme anterior. 

O trabalho de fotografia foi essencial para demonstrar as desigualdades, um tema intrínseco no enredo. Os distritos mais pobres e suas cores cinzentas; suas paisagens secas; seus trabalhadores de rosto sofrido; a fome coabitando com a população. A capital e suas cores vibrantes; sua futilidade e glamour; seu exagero contido nas roupas e construções. Talvez passe despercebido pelos, geralmente, adolescentes fãs da série, porém, a crítica à nossa sociedade é óbvia: desenvolvidos/subdesenvolvidos. 




Também pode não receber muita atenção dos jovens que esperam ansiosamente as lutas do, muito bem elaborado, massacre quaternário, mas não seria mera coincidência a mídia de Panem (o país de Katniss e Peeta) televisionar cada passo e cada decisão dos pombinhos. O controle e a opressão. O poder não está interessado em cidadãos que contestam e pensam. O poder quer apenas governar e ser exercido. Usar uma figura pública como imagem daquilo que deve ser obedecido. Controlar as atitudes e as decisões dos dois, em busca de uma finalidade. Aparentar a naturalidade, enquanto o caos percorre as ruas dos distritos mais pobres; enquanto a população carente morre de estômago vazio; enquanto a população trabalhadora não tem direito de contestar. Tudo isso está ali na telona, enquanto você assiste "Em Chamas". 




Se você parar pra pensar não é muito diferente do que vemos na televisão todos os dias. O controle do que vai ser discutido pela sociedade é exercido pela mídia, ela decide o que vai ser noticiado, diz o que vai ser abordado pelas pessoas no dia seguinte. Ela diz o assunto, as pessoas repetem. Não seria isso exercer poder? 

Além de ser mais crítico, "Em Chamas" é superior ao seu anterior nos efeitos especiais e nas atuações. Os jogos desta vez foram mais empolgantes e tiveram um maior caráter de urgência. Toda a tensão criada pelas cenas preliminares que não envolvem ação, deixa você se perguntando (caso não tenha lido os livros), como eles vão se safar dessa. Jennifer Lawrance, ganhadora do Oscar de melhor atriz em 2013, se consolida como uma das grandes no momento. Sua atuação é muito superior a tímida Katniss de "Jogos Vorazes". Neste longa ela se entrega e demonstra brilhantismo nos olhares e gestos da personagem. O humor fica por conta de Johana (Jena Malone) e Finnick (Sam Claflin), que fazem também um ótimo trabalho. 


É um dos poucos filmes adolescentes que não explora o amor como eixo central. É um dos únicos que reflete sobre temas reais em um ambiente de ficção. É, com certeza, um dos melhores do ano, o que nos faz aguardar ansiosamente pelos próximos dois filmes que irão nos dizer como tudo isso vai acabar. 

A cena, que  reflete bem o que será do próximo filme é a última. O fechar de olhos da protagonista nos transmite os vários sentimentos que naquele momento ela sente. Medo, raiva, angústia, dor, sofrimento, ódio e vingança. Tudo isso é o que nos aguarda em "A Esperança", que estreia no próximo ano. Estamos ansiosos.